UOL Notícias Internacional
 

11/11/2004

Fed amplia taxa de juros nos EUA para 2% ao ano

The New York Times
Edmund L. Andrews

Em Washington
O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) aumentou a taxa de juros de curto prazo nesta quarta-feira (10/11) pela quarta vez neste ano e sugeriu que continuará a elevá-las gradualmente no decorrer do próximo ano.

Conforme todos os investidores esperavam, o Comitê Federal de Mercado Aberto aumentou os juros do overnight entre bancos em 0,22%, fazendo com que chegassem a 2%.

Declarando que a política monetária é ainda "acomodatícia", o banco central norte-americano repetiu a assertiva feita nos últimos meses, segundo a qual iria elevar as taxas de juros de curto prazo em um "ritmo comedido", retirando-as dos patamares extremamente baixos registrados no início deste ano.

"A produção parece estar adquirindo um ritmo moderado, apesar do aumento dos preços da energia elétrica", disse o Fed em uma declaração que acompanhou a sua decisão quanto às taxas de juros. "A inflação comum e a de longo prazo continuam satisfatoriamente contidas".

A declaração sugere que o Federal Reserve não sente necessidade de recuar com relação à sua estratégia de aumentar gradualmente as taxas de juros, mas a visão otimista quanto à inflação significa também que o Fed não está sob pressão para aumentar as taxas de juros rapidamente com o objetivo de conter o aumento de preços.

Os mercados financeiros reagiram de forma discreta ao anúncio do Fed, e os títulos e ações sofreram poucas alterações logo após a medida.

Vários analistas de Wall Street acreditam que Alan Greenspan, o presidente do Fed, chegou agora a uma importante encruzilhada nos seus esforços para trazer as taxas de juros de volta a um patamar "neutro", após três anos tentando impulsionar a economia norte-americana por meio dos empréstimos com os custos mais baixos já registrados desde 1958.

Já levando em conta a inflação, as taxas "reais" dos juros federais retornaram a cerca de zero, após terem passado os dois últimos anos em patamares negativos. Em uma declaração na quarta-feira, o Fed continuou a descrever a atual política como "acomodatícia", e sugeriu que continuará a elevar os juros gradualmente no ano que vem.

Com base em tendências históricas, a maior parte dos analistas prevê que o Fed continuará o aumento os índices em uma série de passos graduais em 2005. Mas a economia continua a enviar sinais mistos sobre as perspectivas para o próximo ano, criando uma incerteza considerável quanto aos rumos da inflação e do crescimento.

O ritmo de criação de empregos, que foi muito lento no último verão e continuou sendo uma preocupação pendente para o Federal Reserve, parece ter-se recuperado com os 337 mil empregos gerados em outubro e aparenta ser mais forte do que se acreditava previamente durante agosto e setembro.

Essa notícia fortaleceu a argumentação do Federal Reserve a favor de que se continue a endurecer gradualmente a política monetária, sem pausas para avaliar o impacto dos quatro primeiros aumentos da taxa de juros.

Mas os funcionários do Fed também estão preocupados com a desaceleração do crescimento econômico e com o impacto contraditório dos preços mais altos do petróleo. Embora os preços do produto tenham diminuído nas últimas duas semanas, caindo de um pico superior a US$ 55 por barril para menos de US$ 50, os funcionários do banco estimam que os custos mais altos com a importação do petróleo reduziram o crescimento econômico norte-americano em cerca de 0,75%.

As autoridades do Fed estão acompanhando também os investimentos empresariais, que aumentaram em um ritmo mais lento que o esperado. Recentes pesquisas sobre os negócios indicam que os executivos se tornaram mais cautelosos nos últimos meses quanto ao investimento em novos equipamentos, citando diversas preocupações, como o medo de ataques terroristas, a possibilidade de que o preço do petróleo suba e os crescentes déficits orçamentários e comerciais dos Estados Unidos.

O mais recente "Livro Bege" do Fed, um sumário de fatos curiosos a respeito da economia em todo o país, diz que vários relatórios sugerem que os preços do petróleo estão fazendo com que tanto consumidores como empresários gastem menos.

O Fed disse que as empresas "aumentaram modestamente" os investimentos e as contratações, e que "o empresariado na maior parte dos distritos continua a expressar preocupações quanto ao aumento do custo da energia e outros fatores".

A maioria dos analistas acredita que o crescimento econômico perdeu um pouco do ritmo a partir do terceiro trimestre deste ano, quando a economia experimentou uma expansão de 3,7%, e muitos prevêem que ela se expandirá segundo uma taxa anual ligeiramente superior a 3% no ano que vem.

Isso seria condizente com o índice de crescimento de longo prazo do país, mas há várias incertezas no horizonte. O déficit comercial dos Estados Unidos sofreu ligeira redução em setembro, segundo o Departamento de Comércio relatou nesta quarta-feira, mas esse déficit se expandiu em cerca de 25% no decorrer do último ano e deve se ampliar ainda mais nos próximos meses como resultado dos altos preços do petróleo.

Déficits comerciais elevados reduzem o crescimento econômico doméstico, e levam também a aumentos substanciais da dívida geral dos Estados Unidos para com o resto do mundo, que atualmente sofre um incremento de mais de US$ 600 bilhões por ano.

Laurence H. Meyer, economista da Macroeconomic Advisers, prevê que a economia norte-americana terá uma rápida expansão de 4% no ano que vem, mas diz ter reduzido ligeiramente as expectativas contidas em suas previsões devido a um crescimento mais lento que o esperado das exportações líquidas.

Ao mesmo tempo, ele acredita que os gastos dos consumidores diminuirão, à medida que declinar o estímulo que é a redução dos impostos promovida pelo presidente.

"O Fed está jogando duro", diz Peter Morici, professor de economia da Universidade de Maryland. "O banco criou expectativas de que aumentaria ainda mais as taxas de juros, e a experiência demonstra que não é bom frustrar expectativas. Por outro lado, há evidências de que a economia esteja passando por problemas".

Mas as autoridades do Fed estão mais confiantes, e Greenspan ainda acredita que neste verão a economia simplesmente tenha entrado em uma temporária "trilha suave".

Os funcionários graduados do banco sentem também que contam com espaço para manobra porque a inflação continua em níveis muito reduzidos. A regra não oficial do Fed preconiza que a inflação, excluindo os setores voláteis, como o dos alimentos e da energia, não deve aumentar mais de 2% ao ano.

O Índice de Preços ao Consumidor, excluindo alimentos e energia, subiu cerca de 2% neste ano. Um outro índice, o deflator do Departamento de Comércio para os gastos pessoais com consumo, revela que o índice central da inflação é de apenas cerca de 1,5%. Índice demonstra que a economia americana se recupera com vigor Danilo Fonseca

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,28
    3,182
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,29
    64.676,55
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host