UOL Notícias Internacional
 

11/11/2004

Rebeldes raptam parentes do premiê do Iraque

The New York Times
Dexter Filkins e

Robert F. Worth

Em Fallujah, Iraque
O ataque comandado pelos americanos ganhou mais território em Fallujah, depois de dias de bombardeios aéreos e combates corporais nas ruas com os rebeldes. Enquanto isso, um grupo de militantes declarou nessa quarta-feira (10/11) que seqüestrou dois parentes do primeiro-ministro do Iraque, Ayad Allawi, e que poderá executá-los caso não seja suspenso o cerco à cidade.

De acordo com declarações dadas aos repórteres pelo comandante das tropas do governo na cidade, major general Abdul Qader Mohammed Jassem Mohan, os soldados iraquianos encontraram verdadeiros "matadouros de reféns" em Fallujah, onde prisioneiros estrangeiros foram detidos e assassinados. Também foram encontrados disquetes de computador armazenando imagens de decapitações e de vestes negras usadas pelos rebeldes em alguns dos vídeos que eles produziram, disse Jassem Mohan.

Os soldados tomaram o escritório do prefeito, duas mesquitas, um centro comercial e outros objetivos principais previamente estabelecidos, bem no centro de Fallujah, e avançaram pela estrada principal da cidade. Na segunda-feira, os militares haviam declarado que seus soldados já tinham conquistado pelo menos metade do território de Fallujah.

Segundo esse comunicado militar, na segunda-feira aviões dispararam munições guiadas em direção a uma mesquita, depois que soldados foram alvejados por armas de pequeno calibre, disparadas por rebeldes entrincheirados no templo religioso.

Os militares também relataram que, na terça-feira, uma aeronave americana disparou uma bomba guiada a laser para destruir um prédio na cidade, onde estavam "elementos anti-iraquianos".

Os rebeldes continuaram a lutar, e partiram para ocupar novas posições, enquanto as forças militares americanas e iraquianas --respaldadas pesadamente na artilharia e no suporte aéreo-- avançavam de norte para sul. Batalhas seguiram ocorrendo em Resala e Nazal, subúrbios ao sul de Fallujah, enquanto rebeldes pareciam bater em retirada por um corredor central, em direção aos limites meridionais da cidade.

O tenente general Thomas F. Metz, comandante das operações militares ordinárias no Iraque, declarou numa videoconferência, em Bagdad nesta terça, que os comandantes se pouparam de "vários novos dias de duros combates urbanos", antes do final da ofensiva de Fallujah. Ele disse que a maior parte dos objetivos militares foram alcançados "a tempo ou antes do tempo", contra uma tropa de 2.000 a 3.000 rebeldes.

Na quarta-feira, terceiro dia de operações em Fallujah, os militares declararam que 11 soldados americanos e dois soldados iraquianos foram mortos nos ataques. Num período de 24 horas, encerrado às 2h da quarta, 31 soldados americanos e iraquianos foram feridos e mais de 100 rebeldes foram mortos, segundo fontes militares.

Na primeira dissidência política significativa após a ofensiva de Fallujah, o partido sunita mais importante do país declarou nesta terça que estava se retirando do governo interino iraquiano. E a liderança dos clérigos sunitas pediu o boicote às próximas eleições.

A notícia de que dois membros da família do primeiro-ministro Ayad Allawi haviam sido seqüestrados na terça-feira foi divulgada pelo porta-voz do dirigente, Thaier al-Naqib, numa declaração emitida na quarta-feira. Um dos parentes, Ghazi Allawi, um primo de 75 anos, não estava envolvido em política nem ocupava um cargo no governo, segundo o porta-voz Naqib. A esposa do filho de Ghazi Allawi também foi seqüestrada, de sua casa em Yarmuk, subúrbio de Bagdad.

Um anúncio pela Internet, num site islâmico, feito por um grupo auto-denominado Ansar al-Jihad assumiu a responsabilidade pelos seqüestros, exigindo que Allawi e o atual governo iraquiano levantem o cerco a Fallujah e que libertem todos os prisioneiros no Iraque. Segundo a agência de notícias Associated Press, o grupo ameaçou decapitar seus prisioneiros em 48 horas, caso suas exigências não sejam atendidas.

Num outro ato violento, um soldado americano foi morto e outro foi ferido nessa quarta-feira na região de Bagdad, depois que a patrulha de combate deles foi atingida por um explosivo, segundo fontes militares.

E um toque de recolher foi declarado nessa quarta-feira na cidade de Mosul, mais ao norte do país, onde a violência recrudesce, enquanto o primeiro-ministro Allawi decidiu estender o período de fechamento do aeroporto de Bagdad, segundo informe da agência de notícias France-Presse.

A penúltima tentativa de tomar Fallujah, no mês de abril, fracassou diante da revolta provocada pelas mortes de civis, e os rebeldes consolidaram o domínio da cidade no mês de maio.

Autoridades americanas e iraquianas já declararam que a conquista de Fallujah é um passo crucial para se garantir a realização segura das eleições, previstas para janeiro. Ação é retaliação da invasão à cidade de Fallujah, reduto rebelde Marcelo Godoy

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