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12/11/2004

Bridget Jones mergulha em chiqueiro no 2º filme

The New York Times
Manohla Dargis

Crítica do NYTimes
Peso: desconhecido (ou seja, não é da sua conta); unidades de álcool: duas (vinho tinto); cigarros: zero (veja bem, eu moro em Los Angeles); calorias: quem conta calorias? O que importa é a quantidade de carboidratos, e isso também não é da sua conta.

Finalmente, vi "Bridget Jones: No Limite da Razão", e o filme faz o primeiro parecer uma obra-prima. O que Reneé Zellweger estava pensando?

Não pode ter sido divertido engordar tanto, especialmente para um filme tão horrível quanto esse, e certamente não foi divertido emagrecer novamente. Nunca fui fã da atriz, mas comecei a degelar. Talvez tenha sentido pena dela, depois desse filme. Gostei muito de sua atuação em "Deixe-me Viver", um filme absurdo em que Michelle Pfeiffer gritava para presidiárias balançando seus cabelos louros. Havia algo tão carente e verdadeiro na personagem de Zellwegger que eu queria levá-la para um encontro terapêutico de mulheres que sentem demais.

Qual é o apelo de Bridget Jones?

Ou, mais precisamente, onde está a graça de ver suas coxas batendo uma na outra, sua falta de charme e inteligência óbvia? No cinema, muitas mulheres riam com vontade toda vez que a câmera se focava no traseiro volumoso de Bridget, que é claro parece como o traseiro da maior parte das mulheres que não vivem para fazer Pilates em Beverly Hills.

Claramente, a diretora do filme, Beeban Kidron, também se deliciou com essa visão infeliz. Das duas, uma: ou ela realmente não gosta de sua estrela ou acha que humilhar outras mulheres é um grande esporte.

Independentemente do caso, você tem que se perguntar por que todas essas mulheres apreciam ver em sua pior aparência uma atriz premiada com o Oscar, bem penteada e bem paga, que namora astros do rock.

Nos tablóides, nos sites da Web e na televisão você pode ver fotografias de pessoas, e não só das famosas, em sua pior aparência --magras demais, enrugadas demais, grisalhas demais e, realmente, humanas demais.

Programas de realidade falam ao nosso narcisismo. No caso das celebridades, porém, não é só o prazer de ver nossos ídolos caindo; é como se quiséssemos consumir seus pedaços, absorver aqueles corpos, antes perfeitos, em uma pantomima demente da comunhão.

Ao inchar como um balão para os filmes da "Bridget", a humilhação de Zellweger é maior do que a provocada pelas lentes dos paparazzi, que pegam atrizes engolindo biscoitos de chocolate. Será inteligente ou estúpido?

Diferentemente de Sharon Maguire, que dirigiu "O Diário de Bridget Jones", Kidron sai de seu caminho para tornar sua personagem pouco atraente. Ela cola a câmera sob o queixo de Bridget e não ajuda em nada com a iluminação.

Bridget é agradavelmente rechonchuda no primeiro filme, como um edredom, mas neste, ela está um desastre, oleosa e desajeitada. Será que a pobrezinha não lê revistas de moda ou faz compras nas butiques de Londres e mercados de roupa jovem? Não lava o cabelo?

Tem uma cena feia que diz muito, logo no início do filme. Bridget, que é apresentadora de televisão em algum programa britânico tolo, desce de pára-quedas de um avião e cai no meio de um chiqueiro. A metáfora é jogada na sua cara.

Então o que eles vêem nela?

Compreendo que mulheres sensíveis e razoáveis tenham gostado do livro original de Helen Fielding, apesar de não ter suportado todos os termos de auto-depreciação irritantes e cafonas, como "solteirona".

Uma coisa é Martin Amis chamar um Fiat de Fiasco; ele sabe escrever. Como Fielding não consegue criar um personagem verdadeiramente humano, nunca compreendi porque os personagens de Hugh Grant e Colin Firth estariam remotamente interessados em Bridget. Assumi que ela praticava uma forte magia negra em seu quarto (o segundo filme prova que eu estava certa), apesar de admitir que a mulher estava bonitinha de coelhinha da Playboy no primeiro filme (mas fiquei chocada com a celulite). A dedicação de Zellweger ao seu trabalho, naquele momento, era totalmente impressionante.

Suponho que o que algumas mulheres gostam em Bridget Jones é que a personagem alimenta a doce fantasia de que alguém (algum homem) as amará pelo que são por dentro, independentemente do resto. (Que Bridget Jones não tem grande coisa em seu interior supostamente não tem a menor importância).

Essa é uma fantasia importante e, às vezes, é verdade (ainda bem!).

Mas o que é grotesco sobre nessa encenação da fantasia em particular é que Fielding não parece acreditar nela, exceto como elemento necessário de marketing para atrair o maior público leitor possível. Coma bolo, porque os homens não se incomodam que você pareça um barril. A verdade é que, pelas gargalhadas das mulheres, não são os homens que temos que temer.

Bridget Jones: No Limite da Razão

Dirigido por Beeban Kidron; escrito por Andrew Davies, Helen Fielding, Richard Curtis e Adam Brooks, baseado no romance de Fielding.

Diretor de fotografia: Adrian Biddle; editado por Greg Hayden; música de Harry Gregson-Williams; gerente de produção: Gemma Jackson; produzido por Tim Bevan, Eric Fellner e Jonathan Cavendish; lançado pela Universal Pictures, Studio Canal e Miramax. Duração: 108 minutos.

Elenco: Renee Zellweger (Bridget), Hugh Grant (Daniel), Colin Firth (Mark), Jim Broadbent (Pai), Gemma Jones (Mãe) e Jacinda Barrett (Rebecca).

Classificação: 18 anos; o filme contém sugestão de perversões sexuais. Seqüência investe na crueldade feminina e fica pior que o original Deborah Weinberg

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