UOL Notícias Internacional
 

14/11/2004

Saiba como foi o avanço dos EUA contra Fallujah

The New York Times
Dexter Filkins e Robert F. Worth
Em Fallujah, no Iraque
Tanques do Exército e veículos de combate começaram a abrir caminho à força na última grande fortaleza rebelde em Fallujah, ao entardecer de sábado (13), após aviões de combate norte-americanos e artilharia terem preparado o caminho com uma barragem selvagem contra o distrito, chamado Shuhada.

Durante a tarde, dez colunas diferentes de fumaça se erguiam do sul de Fallujah, como se gravadas contra o céu do deserto, e provavelmente representando catástrofe para os rebeldes.

"É um amplo ataque contra toda a frente sul", disse o coronel Michael D. Formica, o comandante do Exército encarregado pelo cordão de isolamento em torno da cidade. "Nós estamos empurrando eles contra a bigorna."

Unidades mecanizadas, principalmente tanques M1A2 e veículos de combate Bradley, entraram em Shuhada atirando, destruindo prédios, passando por cima de barreiras e enfrentando rebeldes entocados em mesquitas e outros
refúgios.

Do perímetro sudeste da cidade, o som de artilharia pesada e fogo de metralhadora era quase contínuo durante a tarde, quando tanques M1 e os Bradleys podiam ser vistos atacando as posições rebeldes perto do extremo sul da cidade, que os norte-americanos, talvez liderados por nova-iorquinos, se referem como Queens (um bairro de Nova York), mantendo a prática de rebatizar ruas e bairros para torná-las mais fáceis de serem lembradas.

A artilharia norte-americana também podia ser ouvida dos arredores da cidade em uma seqüência -o lançamento, o som do disparo subindo e então uma explosão surda- à medida que os disparos detonavam e lançavam poeira acima da silhueta da cidade. O baque dos canhões pesados se alternava com a som repicado das metralhadoras calibre 50 e o som mais leve dos rifles AK-47 dos rebeldes em resposta.

Os comandantes americanos disseram acreditar que controlam cerca de 90% de Fallujah à medida que o ataque entrava em seu sexto dia.

Enquanto a batalha crescia em intensidade, os rebeldes perambulavam pelas ruas da cidade de Mosul, no norte, e forças americanas e iraquianas tentavam pôr fim a um levante de três dias que aparentemente foi detonado pelo conflito em Fallujah.

Um número cada vez maior de milicianos curdos começou a aparecer nas ruas da cidade de 3 milhões de habitantes, divida segundo linhas étnicas e religiosas, e suas batalhas com os rebeldes levaram muitos moradores a se perguntar se um conflito étnico poderá estourar em breve e por que as forças armadas americanas não têm uma maior presença em uma cidade crítica.

Em Bagdá, as conseqüências da batalha por Fallujah se espalharam por todo o cenário político. Um alto assessor de Muqtada Al Sadr, o clérigo xiita que já liderou dois levantes contra os norte-americanos, disse no sábado que Al Sadr não participará nas eleições previstas para janeiro enquanto "cidades iraquianas estiverem sob ataque".

Atrair Al Sadr para o processo político tem sido uma das principais metas dos norte-americanos e do governo interino iraquiano. Al Sadr é astuto, e o impacto prático de sua declaração continua incerto. Até agora, ele parece comprometido com o processo político, e a declaração pode ser uma forma dele de obter mais apoio no período que antecede as eleições, dada sua imensa popularidade devido à sua posição antiamericana.

O governo iraquiano anunciou no sábado, em Bagdá, que suspendeu os vôos comerciais no aeroporto por tempo indeterminado devido às hostilidades. Atiradores também mataram o prefeito muçulmano xiita de Dora, e o Ministério das Relações Exteriores disse que um homem libanês foi seqüestrado, informou a agência de notícias Reuters.

A agência de notícias Associated Press relatou que perto de Fallujah, quatro helicópteros americanos foram atingidos por disparos do solo em dois incidentes separados, mas que seus pilotos foram capazes de conduzir os helicópteros em segurança até suas bases.

Em Shuhada, a batalha pôde ser vista no fim da tarde entre um tanque M1 americano e um grupo de rebeldes entocados nos prédios em torno dos minaretes de uma mesquita, a cerca de 100 metros de distância. O clarão dos disparos dos AK-47 podia ser visto em vários pontos ao redor dos minaretes.

O tanque, com sua traseira a menos de uma quadra da beira do deserto, disparava repetidamente seu canhão de 120mm contra os rebeldes, lançando uma repentina nuvem de poeira no céu enquanto seções da construção ruíam.

Ataques aéreos americanos continuavam a ser realizados contra os rebeldes, com o gemido do avião de ataque AC-130 podendo ser ouvido no alto.

Em Mosul, a 360 km ao norte da capital, combates esporádicos irromperam no sábado, mas os combates foram menores do que na quinta-feira, quando grupos de rebeldes dominaram pelo menos meia dúzia de postos policiais, disse o tenente-coronel Paul Hastings, um porta-voz da Força-Tarefa Olympia, encarregada de controlar a região norte. Centenas de policiais fugiram dos guerrilheiros naquele dia, e o governo interino iraquiano demitiu o chefe de polícia da cidade na sexta-feira.

Mosul possui um número considerável de árabes sunitas, curdos e cristãos, e as tensões raciais estão altas desde que os norte-americanos invadiram o Iraque. Está claro que os árabes sunitas estão liderando a insurreição aqui, enquanto os curdos e cristãos nutrem mais simpatia pelas forças americanas.

À tarde, um carro-bomba explodiu ao lado de uma patrulha curda, matando pelo menos seis milicianos, disseram testemunhas. O departamento de saúde da cidade disse que pelo menos 25 pessoas foram mortas e 62 ficaram feridas na violência de quinta e sexta-feira, apesar de não ter ficado claro quantos eram civis e quantos eram guerrilheiros.

Ficou claro que as forças lideradas pelos norte-americanos foram pegas de surpresa pela magnitude do levante. A Brigada Stryker, uma unidade de blindados leves baseada em Mosul, teve que retirar um batalhão dos combates em Fallujah. O governo iraquiano ordenou que quatro batalhões da guarda nacional, todos curdos, fossem deslocados para a cidade.

Até 500 rebeldes, bem mais do que o previsto pela inteligência norte-americana e iraquiana, executaram a primeira grande onda de ataques contra postos policiais na quinta-feira, agindo em grupos de 15 a 50, disse o general de brigada Carter Ham, comandante da Brigada Stryker, em uma entrevista por telefone na noite da sexta-feira.

O general disse acreditar que a insurreição está sendo organizada por ex-membros das forças de segurança de Saddam Hussein.

O Ministério do Interior iraquiano nomeou um novo chefe de polícia para Mosul no sábado, e os policiais estavam voltando para os postos, alguns das quais foram incendiados, disse Hastings. Mas a polícia ficou limitada a tarefas de segurança em seis locais, ele acrescentou, porque os soldados americanos poderiam não distinguir entre os verdadeiros policiais e os rebeldes, que poderiam estar circulando pela cidade em armaduras ou uniformes policiais roubados.

"A situação está melhorando", disse Hastings. "Mas não estamos pintando um quadro cor-de-rosa, porque ainda há bairros que estão perigosos."

Dois marines foram mortos e um ficou ferido na manhã de sábado, quando uma bomba explodiu na estrada perto deles enquanto estavam do lado de fora do veículo em Zaidon, uma área rural ao sul de Fallujah. Os ataques contra as posições americanas ao norte e sul de Fallujah aumentaram nos últimos dias, e os comandantes disseram acreditar que os rebeldes estão tentando distrair a atenção da batalha na cidade para furar o cordão militar em torno de Fallujah.

O combate dentro de Fallujah durante a tarde foi tão intenso que balas perdidas começaram a levantar poeira várias centenas de metros fora da cidade. Ao sul, tanques e blindados do 2º Batalhão de Reconhecimento dos marines podiam ser vistos aguardando, parte do cordão militar americano que visa impedir que os rebeldes escapem. Outros veículos americanos patrulhavam diligentemente a estrada no sentido norte e sul ao longo do extremo leste da cidade.

Assistindo a batalha com seus binóculos, Formica, o comandante do Exército, disse: "Nós estamos vendo a conclusão da libertação de Fallujah".

(James Glanz e Edward Wong contribuíram com reportagem de Bagdá; Eric Schmitt, de Washington; e funcionários iraquianos do "The New York Times", de Bagdá e Mosul.) Forças blindadas atacam cidade rebelde no Iraque George El Khouri Andolfato

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