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17/11/2004

MoMA conclui longa reforma e prepara reabertura

The New York Times
Carol Vogel

Em Nova York
Como um grão-mestre em uma dura partida de xadrez, Jennifer Russell é capaz de planejar calmamente vários movimentos. Ela orquestrou a instalação do helicóptero Bell-47D1 verde sobre a grande escadaria no recém ampliado Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

Uma equipe de cinco montadores o transportaram de caminhão de um hangar de manutenção perto de Gettysburg, na Pensilvânia, onde limparam sua cabine e suas partes foram cuidadosamente restauradas.

Para carregá-lo em caminhões, o corpo teve que ser separado do sistema de rotor. Ainda assim, o helicóptero era tão grande que Russell teve que ordenar a remoção das portas de vidro entre o novo átrio do museu e suas galerias no segundo andar. Somente após o helicóptero ter sido suspenso no ar os rotores foram recolocados.

Moleza.

Bebendo serenamente seu café com leite recentemente em um Starbuck no centro, perto de seu escritório na Rua 53, Russell, vice-diretora de exposições, relembrou sua corrida de dois anos e meio para transportar, armazenar e reinstalar a coleção permanente inestimável do MoMA, a tempo da reinauguração do museu no sábado.

"Tem sido como coordenar uma exposição de 12 mil metros quadrados de uma só vez, com equipes de construção trabalhando ininterruptamente", disse ela.

Desde que o MoMA fechou para reformas em junho de 2002, dispersando sua coleção por diversos depósitos e emprestando obras para exposições no exterior, Russell tem estado envolvida em tudo, de diplomacia internacional ao recolhimento do lixo no jardim das esculturas em uma manhã recente, simplesmente porque não havia mais ninguém para fazê-lo.

"Eu digo que ela é a arma secreta deles", disse Philip Johnson, o mais antigo curador vivo do museu e o arquiteto de duas ampliações, a de 1951 e a de 1964. "O trabalho dela pode não ser glamouroso, mas é crucial."

O maior desafio, disse Russell, foi assegurar que as 2.500 obras e objetos de arte fossem transportados de volta ao museu de vários depósitos em Manhattan, Queens e Connecticut, assim como de exposições tão distantes como Berlim e Tóquio.

Especialmente difícil foi a exposição de sete meses de mais de 200 obras-primas do MoMA na Nova Galeria Nacional em Berlim. Ela foi encerrada em 19 de setembro, deixando apenas seis semanas para trazer tudo de volta para casa e instalar a tempo para a festa de gala do MoMA em 8 de novembro.

Até esta primavera, os diretores achavam que o museu não reabriria antes de março de 2005, mas com tudo dentro do prazo, foi possível antecipar para o próximo sábado.

De "Noite Estrelada" de Van Gogh até "Três Músicos" de Picasso, "estes são nossos tesouros", disse Russell sobre as obras que foram emprestadas para Berlim. Sem elas, o curador-chefe do museu, John Elderfield, e sua equipe não poderiam começar a arranjar as outras obras no quarto e quinto andares, o novo lar da coleção permanente. Sem as obras de arte fisicamente em Nova York, elas não podiam ser reemolduradas como os curadores queriam que algumas delas fossem.

Trazer as obras de Berlim foi difícil. "Isto não é um passeio agradável", disse Russell. "Como não há vôos sem escala de Berlim para Nova York, as obras precisaram seguir primeiro de caminhão de Berlim para Frankfurt, Amsterdã, Luxemburgo ou Colônia, e dali transportadas de avião para casa."

Entre 19 de setembro e 4 de outubro, ela estimou, 213 objetos voltaram para casa em 20 cargas. Cada uma precisou ser acompanhada por um curador, registrador ou conservador. Tudo com mais de 160 centímetros de altura teve que viajar em aviões de carga, disse ela. Apenas as obras pequenas puderam ser transportadas em aviões comerciais de passageiros,. e elas, também, tiveram que ser acompanhadas por um responsável.

E havia os 292 objetos emprestados ao Mori Arts Center em Tóquio para sua exposição "Meios Modernos". Estes voltaram em seis cargas, cada uma acompanhada por um responsável.

O MoMA também arranjou 170 viagens de caminhão para trazer de volta as obras que estavam no espaço de exposição temporário que o museu usou por dois anos em Long Island City, Queens, e de outros lugares de depósito. "Nós deveríamos começar a instalar em julho, mas devido ao clima e aos atrasos na construção, nós começamos no final de agosto", explicou Russell.

Por meses, ela disse, ela iniciou seu dia de trabalho com uma reunião como Jerry Neuner, o diretor do museu para design e produção de exposições, e com Ramona Bannayan, diretora de administração da coleção. Neuner preparou gráficos coloridos que mapeavam cada dia de construção, instalação e iluminação.

"É claro, as coisas nunca acontecem da forma que deveriam", disse Russell. Quando tentou instalar uma fotografia com contra-luz de autoria de Jeff Wall, por exemplo, os diretores descobriram que a fiação era para corrente européia. "Isto fez com que tudo parasse até a substituição da fiação."

Para instalar o Cisitalia 202 GT do MoMA, um carro esporte vermelho de 1946 muito apreciado pelos visitantes, o museu contratou um montador especial para empurrar o carro dentro do prédio. Por motivos de segurança, "você não pode ter combustível no interior do prédio", explicou Russell, "então tivemos que empurrá-lo lá dentro como uma grande peça de escultura".

Enquanto as portas entre as galerias do segundo andar e o átrio eram removidas para a instalação do helicóptero, os instaladores também trouxeram o monumental "Obelisco Quebrado" de Barnett Newman, que também era grande demais para passar pelas portas. Como a peça tem mais de 7 metros e pesa mais de 3.600 quilos, os carpinteiros montaram uma reprodução em madeira e papelão em tamanho real para que os curadores pudessem experimentar com seu posicionamento. Quando os instaladores chegaram para o trabalho pesado, o local exato já tinha sido escolhido.

Russell é bem versada tanto em questões práticas quanto estéticas. Ela também já foi curadora do Museu Whitney de Arte Americana por 10 anos, assim como diretora de lá por um ano. "Para ser capaz de trabalhar em um projeto como este ajuda já ter organizado exposições pessoalmente", disse ela.

Após deixar o Whitney em 1993, ela foi para o Museu Metropolitano de Arte, onde foi diretora associada de administração. Mas longo ela começou a sentir falta da arte contemporânea e da chance de trabalhar diretamente em exposições, então ela mudou para seu emprego atual em 1996.

A parte mais complicada da reinstalação pode estar encerrada, mas Russell disse que ainda há muito o que fazer. Ela está se preparando para as exposições temporárias que serão abertas no sexto andar do prédio em fevereiro. Isto significa que alguns trabalhos da coleção permanente que no momento estão pendurados lá ­-o "F-111" horizontal de 26 metros de comprimento de James Rosenquist, por exemplo- precisarão ser movidos.

"Todos olham para isto como a instalação definitiva, mas é um processo em andamento", disse Russell. "Só porque parece concluído não significa que daqui uma semana as coisas não começarão a mudar de lugar novamente." Museu, que ficou fechado desde 2002, será reaberto neste sábado George El Khouri Andolfato

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