UOL Notícias Internacional
 

18/11/2004

Bush mostra querer vitória política no 2º mandato

The New York Times
William Safire

Colunista do NYTimes

Em Washington
Deus sabe que tentei, durante anos, manter Colin Powell em uma linha gramatical rigorosamente correta. Mas, mesmo assim, ao anunciar a sua renúncia, o secretário de Estado demissionário disse que, depois que ele e o presidente tiveram "discussões excessivas sobre o assunto, chegaram a um acordo mútuo".

"Excessivas", neste caso, significa "ofensivamente excessivas", e quando duas pessoas chegam a um acordo, este é sempre mútuo. Esse homem, que no mais é uma boa pessoa, é incorrigível.

Nós tivemos discussões mais substantivas. Após eu ter relembrado o seu erro ao deixar de derrubar Saddam Hussein quando teve tal chance, em 1991, Powell retrucou: "Safire está ficando arrogante depois de velho".

É verdade, mas ele me pediu desculpas, e eu passei a admirar algumas das suas ações no Departamento de Estado --especialmente a forma como ele lidou com o primeiro-ministro paquistanês após o 11 de setembro, o que nos ajudou a derrotar o Taleban.

Assim sendo, eu me desculpo por ter citados colegas do vice de Colin, Richard Armitage, que teriam feito comentários maliciosos a respeito do secretário. Armitage também está partindo, provavelmente para ajudar Powell a escrever o seu próximo best-seller, "The Secrets Thoughts of Bob Woodward" ("Os Pensamentos Secretos de Bob Woodward").

Vocês não acham que Bush possui uma estratégia de fuga? Seis membros leais do seu gabinete saíram até o momento, acompanhados por um bando de arapongas zangados da CIA que apostaram na vitória de Kerry. E certamente mais pessoas se juntarão aos burocratas e chefes nomeados do governo, em um êxodo maciço, geralmente descrito como bíblico.

Eu esperava que Powell durasse por mais alguns meses para ver se a morte de Arafat lhe daria a chance de exercer uma diplomacia que lhe rendesse um Prêmio Nobel. Errado; ele provavelmente avaliou, com razão, que os palestinos estão longe de controlarem o Hamas, não importa quem seja eleito em janeiro --e sem a repressão à violência, nenhuma negociação séria é provável.

E esperava também que a dupla de falcões idealistas Rumsfeld-Wolfowitz continuasse firme no Pentágono durante o segundo mandato, apoiada por Dick Cheney. Certo; aí não houve êxodo algum.

O que, então, significa para a política externa dos Estados Unidos no segundo mandato de Bush a mudança de Condi Rice do cargo de assessora de Segurança Nacional para o de secretária de Estado?

O centro de gravidade do processo de tomada de decisão se inclinará ligeiramente para a direita, com o necessário punho duro envolto por uma luva macia. A inclinação de Powell para fazer acordos contrabalançava o impulso de Rumsfeld para vencer.

Embora os dois permanecessem pessoalmente compatíveis --notavelmente próximos ao centro de poder, onde as diferenças são geralmente personalizadas-- as suas weltanschauungs (visões de mundo) divergiam.

Rice se esforçou para ficar no centro do quadro político e fora do núcleo operacional, a fim de assessorar o presidente de uma forma mais fria. Quando for para o Departamento de Estado, será que ela adotará o papel de contrapeso exercido por Powell? Será que Rice, assim como ocorre com a maioria dos secretários, será absorvida pela mentalidade acomodatícia que é a marca registrada da diplomacia profissional?

Os seus amigos me dizem que é mais provável que ela surpreenda os céticos, e que siga a linha de um dos seus mentores, George Shultz, assumindo o controle do departamento de maneiras sutis. Esperamos que ela faça isso.

Condi era uma administradora efetiva como reitora em Stanford, mas não gerenciou uma equipe forte no Conselho de Segurança Nacional. O seu vice, Stephen Hadley, que agora a substituirá e que é bem visto por Cheney, é mais um apparatchik do que um geoestrategista.

Embora ele vá ser imediatamente bajulado pela mídia em busca de uma fonte, Hadley ainda não é uma peça importante do jogo, e vai perceber que é difícil ir contra a sua antiga chefe, a dupla Rumsfeld-Wolfowitz, ou Cheney.

A secretária nomeada, caso não seja capturada pela democracia do Departamento de Estado ou desgastada pelas viagens a funerais, será uma jogadora mais importante do que era antes. Aos 50 anos, ela não precisa ceder aos chefões da estratégia, e faria bem em confiar na força da sua argumentação política, ao invés de se fiar no acesso ilimitado que possui às orelhas do patrão.

Eu gosto de toda essa dança das cadeiras, onde membros do núcleo duro ficam expostos e faces novas em breve estarão encarregadas de cumprir as promessas da campanha de Bush. Nenhuma "cadeia de vulcões extintos" desacelerará a ação, conforme uma frase de Disraeli citada por um Nixon reeleito.

O presidente não é um vencedor em apuros, e aprendeu da maneira difícil a ter à mão um plano para depois da vitória. Ao escolher decididamente aqueles que ficam e os que entram, ele demonstra uma determinação para vencer as batalhas políticas do seu segundo mandato. É o que indicam alterações no gabinete; sobretudo saída de Powell Danilo Fonseca

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