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18/11/2004

Guerra no Iraque deixou mundo pior, diz Chirac

The New York Times
Craig S. Smith

Em Paris
Na véspera de uma visita à Grã-Bretanha, o presidente da França, Jacques Chirac, disse nesta quarta-feira (17/11) que o mundo está mais perigoso por causa da invasão ao Iraque liderada pelos americanos.

"Até certo ponto a partida de Saddam Hussein foi algo positivo", disse Chirac em uma entrevista transmitida no programa noturno de televisão BBC News. "Mas também provocou reações, como a mobilização em vários países de homens e mulheres do Islã, o que tornou o mundo mais perigoso."

Assegurando que as relações de seu país com os Estados Unidos e a Grã-Bretanha permanecerão frias pelo futuro próximo, ele disse: "Não há dúvida" de que o terrorismo ao redor do mundo aumentou devido à guerra no Iraque.

Os comentários de Chirac foram feitos após uma avaliação igualmente severa da política externa americana, que ele fez em uma entrevista publicada nos jornais britânicos na terça-feira. Naquele entrevista, ele expressou dúvida de que "com a América como está atualmente", a Grã-Bretanha ou qualquer outro país possa ser um "mediador honesto" na melhoria das relações transatlânticas.

Os comentários foram uma forte repreensão da alegação do presidente Bush de que o mundo está mais seguro desde a deposição de Saddam, e da posição do primeiro-ministro Tony Blair de que a Grã-Bretanha é a ponte entre os Estados Unidos e a Europa.

As relações franco-americanas, raramente fáceis, estão próximas dos pontos mais baixos na história desde que o governo Chirac lutou ferozmente no ano passado para impedir a guerra. Sua não disposição em buscar uma aproximação dos Estados Unidos enquanto o governo Bush parte para um segundo mandato certamente manterá tais relações em baixa por ora.

Talvez mais notável do que o desdém de Chirac pelo governo Bush (ele se referiu na entrevista dos jornais ao secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, como "o sujeito simpático, esqueci seu nome, que falou sobre a Velha Europa") foi seu repúdio ao firme apoio de Blair a Bush.

Lembrando um encontro de cúpula entre franceses e britânicos no ano passado, às vésperas da guerra no Iraque, Chirac disse aos repórteres britânicos que ele aconselhou Blair a obter algo de Washington em troca do apoio britânico à guerra.

"Ora, a Grã-Bretanha deu seu apoio mas não vi muita coisa em troca", o presidente francês foi citado como tendo dito no "The Times" de Londres. "Eu não estou certo de que, no momento, faz parte da natureza de nossos amigos americanos retribuir favores sistematicamente."

O tom sem rodeios dos comentários de Chirac surpreendeu muitas pessoas nos normalmente discretos corredores diplomáticos da Europa. Mas muitos importantes analistas de política externa comentaram que se a visão de Chirac sobre o governo Bush for mantida nos próximos quatro anos, o peso da Europa poderá apoiá-lo.

"Chirac está em uma posição bem forte", disse Guillaume Parmentier, diretor do Centro Francês sobre os Estados Unidos, uma organização independente de pesquisa no Instituto Francês de Relações Internacionais.

Ele argumentou que Chirac está apelando tanto à população britânica quanto às pessoas do próprio partido de Blair para trabalharem com a França. "Blair precisa mostrar que seu apoio a Bush não rompeu seus laços com a Europa", disse ele.

As palavras fortes de Chirac provavelmente também repercutirão entre a população de outros países europeus, particularmente na Alemanha, onde a frustração com a política externa americana é alta. O apoio europeu à guerra no Iraque tem diminuído, com tanto a Holanda quanto a Hungria planejando seguir o exemplo da Espanha, retirando suas tropas do país.

Em suas entrevistas, Chirac repetiu sua visão de um mundo "multipolar" no qual "haverá um grande pólo americano, um grande pólo europeu, um chinês, um indiano, eventualmente um pólo sul-americano", com a ONU mediando entre eles.

Apesar de seus comentários, Chirac insistiu que não sente raiva em relação aos Estados Unidos e disse que as relações franco-britânicas sempre se basearam em estima mútua. "Nós adorávamos odiar um ao outro", disse ele na entrevista para jornal. "Era uma espécie de amor violento."

A visita de dois dias de Chirac à Grã-Bretanha, que começa na quinta-feira, visa celebrar o 100º aniversário da "Entente Cordiale", um pacto que encerrou séculos de guerra periódica entre os dois países. O presidente francês, que completará 72 anos no próximo mês, será o convidado da Rainha Elizabeth 2ª e permanecerá no Castelo de Windsor, onde será convidado a assistir uma montagem do musical "Les Misérables". Presidente da França ataca a campanha antiterror de George Bush George El Khouri Andolfato

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