UOL Notícias Internacional
 

18/11/2004

Senado dos EUA aprova novo aumento do déficit

The New York Times
Edmund L. Andrews

Em Washington
Diante da perspectiva de um governo incapaz de pagar suas contas, o Senado americano votou nesta quarta-feira (17/11) pela elevação do limite da dívida federal em US$ 800 bilhões.

Apesar de nunca ter estado em dúvida o aumento do teto da dívida, os líderes republicanos em ambas as casas do Congresso adiaram a ação até após as eleições, para privar os democratas de uma chance de acusá-los de irresponsabilidade fiscal.

Se a medida for aprovada pela Câmara, que deverá votá-la na próxima quinta-feira, ela autorizará o terceiro maior aumento nos empréstimos federais desde que o presidente Bush assumiu o governo em 2001. A dívida federal inchou em US$ 1,4 trilhão nos últimos quatro anos, para US$ 7,4 trilhões, e o novo teto permitirá que os empréstimos cheguem a US$ 8,1 trilhões.

Sem fim em vista para os imensos déficits orçamentários anuais, que atingiram um novo recorde de US$ 412 bilhões neste ano, os legisladores previram nesta quarta-feira que um novo teto para a dívida provavelmente terá que ser votado novamente daqui um ano.

Os democratas, ainda atormentados com suas derrotas eleitorais, votaram contra a medida e argumentaram que ela deveria ser acompanhada de regras para forçar o Congresso a pagar por novos cortes de impostos com cortes de gastos ou aumentos de impostos em outras áreas.

"Eu não me lembro de ninguém fazendo promessa durante as eleições de aumentar a dívida federal para US$ 8,1 trilhões", disse o senador Kent Conrad, democrata de Dakota do Norte. "O que estamos fazendo aqui é apenas preenchendo outro cheque em branco e dizendo para este governo: 'Vá em frente, continue produzindo déficits orçamentários recordes'".

Funcionários do governo Bush vinham pedindo pelo aumento no limite de endividamento desde agosto, e o Departamento do Tesouro tem utilizado os recursos das contas de aposentadoria dos funcionários públicos desde 14 de outubro para evitar estourar o limite.

Nesta terça, o secretário do Tesouro, John W. Snow, alertou que o governo "esgotou" todas as manobras financeiras previamente usadas. O governo poderá provavelmente continuar pagando suas contas até o início de dezembro, mas o Departamento do Tesouro terá que adiar um leilão de novos títulos previsto para a próxima segunda-feira.

O aumento do limite legal de empréstimo do governo federal tem sido mais uma questão de teatro político do que um processo substantivo de tomada de decisão porque, no final, os legisladores não têm escolha na questão sobre se o governo deve permanecer em funcionamento.

A votação de 52 contra 44 votos na quarta-feira ficou quase que totalmente dentro da divisão partidária, com apenas um republicano --o senador John Ensign, de Nevada-- votando contra o teto maior de endividamento. Apenas dois democratas, os senadores John Breaux, da Louisiana, e Zell Miller (que apoiou Bush e está se afastando do partido), da Geórgia, votaram a favor da medida.

Alguns legisladores republicanos esperavam enterrar a medida da dívida dentro de um pacote mais amplo de gastos, que atrairia menos atenção e que muitos democratas se sentiriam compelidos a apoiar, mas os líderes do Senado decidiram votar a medida sozinha em troca de um compromisso dos democratas de limitar o debate.

"Nós chegamos a um acordo geral para seguir em frente hoje", disse o senador Bill Frist, republicano do Tennessee, o líder da maioria. "A Câmara está literalmente esperando a nossa ação."

Em um debate unilateral no plenário, praticamente só os democratas falaram --todos condenando o governo Bush e seus aliados no Congresso pela indulgência nas políticas de "empréstimos e gastos"-- enquanto os republicanos aguardavam carrancudamente pelo término do debate para iniciar a votação.

O senador John Kerry, democrata de Massachusetts, em sua primeira aparição no plenário do Senado desde sua derrota na eleição presidencial, disse que a crescente dívida do governo ameaça a segurança econômica do país.

"Para pagar nossas contas, a América vai de caneca na mão até países como China, Coréia, Taiwan e aos centros bancários no Caribe", disse Kerry. "Tais problemas não terminaram em 3 de novembro, independente dos resultados."

Funcionários do governo argumentam que os déficits anuais do governo são indesejados mas foram necessários para ajudar a estimular a recuperação econômica e para travar a guerra global contra o terrorismo.

Bush prometeu reduzir o déficit federal pela metade em cinco anos, apesar da luta do governo para tornar permanente os cortes de impostos e de poder precisar de mais de US$ 70 bilhões em dinheiro adicional no próximo ano para financiar as operações militares no Iraque.

Os republicanos da Câmara disseram na quarta-feira que marcarão a votação da medida para o início da noite de quinta-feira. "Nós concluiremos o assunto", disse John Feehry, um porta-voz do presidente da Câmara, Dennis Hastert. "Nós temos a obrigação de manter o governo em funcionamento." Votos republicanos elevam o limite da dívida em US$ 800 bilhões George El Khouri Andolfato

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