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19/11/2004

Após crítica, Chirac quer 'cooperação' com EUA

The New York Times
Patrick E. Tyler

Em Londres
O presidente da França, Jacques Chirac, cruzou o Canal da Mancha nesta quinta-feira (18/11) e disse que seu país estava pronto para cooperar com os EUA e o Reino Unido, para tornar o mundo mais estável, justo e próspero.

No entanto, seu passo conciliatório, em meio à pompa e protocolo de uma visita de chefe de Estado --celebrando o 100º aniversário da Entente Cordiale, que uniu os antigos rivais da Europa--, foi acompanhado de críticas à guerra anglo-americana no Iraque e, mais amplamente, à postura global dos EUA.

Chirac reiterou sua opinião de que a guerra no Iraque levou a uma "expansão" do terrorismo no mundo. Ele disse, no entanto, que a França estava disposta a colocar de lado suas diferenças com o Reino Unido e os EUA e olhar para o futuro de cooperação na reconstrução de um Iraque estável, democrático e soberano. Apesar disso, indicou acreditar que a história será contra a guerra no Iraque, vingando aqueles que se opuseram a ela.

O líder francês fez sua visita ao Reino Unido no aniversário do acordo, mas também contra um cenário de reeleição do presidente Bush e de uma série de crises para as quais Washington está buscando o apoio da Europa: os guerrilheiros e as eleições no Iraque, eleição de um novo líder palestino e um acordo provisório para impedir o desenvolvimento de armas nucleares no Irã.

Grande parte da mensagem de Chirac parecia direcionada ao governo Bush. O presidente americano se prepara para visitar a Europa após sua posse, na esperança de orquestrar um novo começo com seus críticos numerosos no continente.

O primeiro-ministro Tony Blair acaba de retornar de Washington, onde ele e Bush prometeram trabalhar assiduamente, nos próximos meses, para reabrir as negociações entre israelenses e palestinos. Chirac elogiou os esforços e disse que o relacionamento especial do Reino Unido com os EUA era um "laço de família", criado pela história. Assim, constitui uma "vantagem para a Europa", pois forma uma ponte pelo Atlântico.

No entanto, esse elo entre o Reino Unido e os EUA deve estar em segundo lugar em relação ao relacionamento geral com a Europa, que deve se basear em "confiança e respeito mútuos", acrescentou.

Chirac usou a visita para expor as questões sob a sua perspectiva, colocando-se como rival intelectual à abordagem unilateral dos EUA no primeiro mandato de Bush.

"É reconhecendo a nova realidade de um mundo multipolar e interdependente que vamos conseguir construir uma ordem internacional mais firme e justa", disse Chirac em seu discurso, pedindo o fortalecimento e a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, "para representar os novos equilíbrios do mundo."

Em uma referência aparente aos EUA como o único super-poder atual, ele disse que apesar de "ainda ser possível organizar o mundo com base na lógica da força", a história "nos ensinou que esse tipo de organização é, por definição, instável e, cedo ou tarde, gera crise ou conflito."

Em um pronunciamento de política externa após suas reuniões com Blair, o líder francês argumentou que construir uma Europa mais forte "não significa ir contra os EUA", mas construir uma Europa que assuma suas "responsabilidades", independentemente ou não de uma aliança atlântica.

Em suas observações, Chirac parecia indicar que, com o advento do segundo mandato de Bush, ainda não se sabe se os EUA escolherão trabalhar mais perto de seus aliados ou da ONU. Assim, ele não estendeu uma mão a Bush, mas tentou expor as escolhas diante dos velhos aliados, nesse início do segundo mandato.

"Temos outra escolha", disse Chirac ao público do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. "A de uma ordem baseada no respeito ao direito internacional e no fortalecimento dos novos pólos do mundo, envolvendo-os plenamente nos mecanismos de tomada de decisão."

"Somente esse caminho", acrescentou, "deve estabelecer uma ordem estável, legítima e aceita no longo prazo." Os novos "pólos" dos quais falou são os poderes regionais do novo século, incluindo Europa, China, Índia e Brasil.

Napoleão

Blair, que trabalhou em um bar na França quando era estudante, fala francês. Ele sorria para Chirac toda vez que o líder francês elogiava a longa amizade dos dois lados do canal. Talvez o discurso tenha aliviado Blair, que parecia um pouco agitado com algumas das declarações anteriores de Chirac, dizendo a um entrevistador que o Reino Unido e a França, "gostavam de se odiar. Era uma espécie de amor violento."

Houve alguns comentários na imprensa britânica de que Chirac, que foi hóspede da Rainha Elizabeth 2ºno Castelo de Windsor na noite desta quinta-feira, assistiria a apresentação da peça "Les Miserables" na Câmara Waterloo, que tem o nome da batalha que derrotou o imperador Napoleão Bonaparte, da França, em 1815.

A sala foi rebatizada de Sala de Música para a noite. Além disso, não havia filé à Wellington no cardápio. Francês defende união com anglo-americanos rumo à estabilidade Deborah Weinberg

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