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19/11/2004

"Bob Esponja - O Filme" é diversão que absorve

The New York Times
A. O. Scott

Crítico do NYTimes
Após as eleições recentes, alguns falaram de recuperação, mas até hoje ninguém surgiu com a capacidade de emendar as profundas fissuras no corpo político. Estamos tão preocupados com Estados azuis (democratas) e vermelhos (republicanos) que nossa única esperança pode estar na cor primária que ficou fora do mapa.

Precisamos de algo --ou alguém-- amarelo, absorvente e poroso o suficiente para embeber a má vontade e esfregar os sentimentos negativos. Agora, mais do que nunca, o país precisa de Bob Esponja de Calças Quadradas.

A partir desta sexta-feira (19/11), ele responde ao chamado nos cinemas dos EUA. Estréia a versão para a telona do mundo marinho absurdo que vem deliciando os telespectadores do canal Nickelodeon --inclusive muitos adultos sem o álibi dos filhos-- nos últimos cinco anos.

Se o absurdo aquático de Bob Esponja, o menino prodígio de Stephen Hillenburg, não é algo que você aprecia, então talvez você ache os 88 minutos de "Bob Esponja - O Filme" insuportáveis, em sua esquisitice agressiva e pueril. Verdadeiros aficionados, por outro lado, sairão do cinema querendo mais.

Foi a única vez, que eu me lembre, que ouvi meus próprios filhos, que recentemente trocaram os desenhos do Nickelodeon pelos programas de ação mais sofisticados do Disney Channel, reclamarem que o filme era curto demais. Eles tinham razão.

A inserção de Bob Esponja (Tom Kenny) e Patrick, seu amigo estrela do mar cor de rosa (Bill Fagerbakke) em uma narrativa de longa metragem deixa a pessoa querendo mais, porque o filme não tem a densidade dos episódios de televisão. O filme poderia facilmente incluir sete episódios.

Também é verdade que o estilo de animação distinto de HIllenburg, cujo fundo plano e parado são apropriadamente estilizados para a televisão --como a Bedrock dos Flinstones sob a água-- parece um pouco mal feito e barato quando ampliado para a escala de um multiplex.

Mas isso é um detalhe. A inocência boba e exagerada do mundo imaginário de Hillenburg, onde duplos sentidos parecem surgir e sumir mais rápido do que você pode captá-los, é um antídoto bem vindo à seriedade e brutalidade que dominam grande parte da cultura popular.

No final, há alguns discursos superficiais sobre a importância de ser você mesmo (quem mais Bob Esponja poderia ser?), mas o filme não insiste em lições importantes, o que é um alívio.

Mesmo assim, a falta de mensagem não quer dizer que "Bob Esponja - O Filme", que Hillenberg escreveu com uma tropa de colaboradores, seja cínico ou neutro. Há um vilão: um dono de restaurante fracassado, minúsculo, verde, de um olho só, chamado Plankton (Lawrence), cuja rivalidade com o Sr. Sirigueijo (Clancy Brown), proprietário do Siri Cascudo, onde nosso herói trabalha na grelha, torna-se um esquema de dominação do mundo.

Isso envolve o roubo da coroa do Rei Netuno, que Bob Esponja e Patrick, instados pela filha sensível do rei, Mindy, saem para recuperar. Ao longo do caminho, encontram vários perigos, que conseguem superar pelo poder de pura tolice desavergonhada.

O filme encontra seu sucesso de forma similar; é uma maravilha de criancice liberada, como uma festa de aniversário prestes a sair do controle. As vozes familiares do programa de televisão são reforçadas por uma pitada de estrelas do cinema e da televisão, incluindo Jeffrey Tambor como o Rei, Alec Baldwin, como um cara durão chamado Dennis, e Scarlett Johansson, como Mindy (dá para entender porque Patrick é tão apaixonado por ela).

Fiquei triste de ver meus personagens secundários prediletos, Lula Molusco, Sandy Bochecha e Sra. Puff, empurrados para o terceiro plano, mas meu TiVo tem suficiente memória para compensar a falta.

O apelo do filme, junto com o que se poderia chamar de sua moral, está no encaixe entre a abordagem colorida e tolamente inventiva de Hillenburg à animação e à arte de contar histórias com a alegria irritante de seu herói.

No curso de sua jornada, Bob Esponja tenta, em várias ocasiões, provar sua masculinidade. Em todas, ele consegue provar o contrário. O fato de assumir sua própria imaturidade sem ficar com vergonha pode revoltar alguns pais, apesar de explicar a graça de Bob Esponja para alguns adultos; ele usa e abusa de seus instintos juvenis em vez de nos empurrar ou a nossos filhos a qualquer coisa que se pareça com a responsabilidade.

Essa regressão torna-se um alívio, porque oferece uma fuga do peso da maturidade e uma alternativa às formas de imaturidade nervosas e agressivas que dominam os filmes, a televisão e os videogames. O filme tem censura livre mas inclui humor levemente grosseiro.

Bob Esponja é fraco, indeciso e ridículo, mas é leal, decente e otimista (e sempre bem vestido) --uma reprovação ambulante aos tipos machões que buscam vingança e recebem toda a atenção. Se você estiver cansado de sua arrogância, Bob Esponja é para você.

Bob Esponja - O Filme

Dirigido por Stephen Hillenburg; escrito por Derek Drymon, Tim Hill, Hillenburg, Kent Osborne, Aaron Springer e Paul Tibbitt, baseado em uma história e série criada por Hillenburg; diretor de fotografia: Jerzy Zielinski; editado por Lynn Hobson; trilha sonora de Gregor Narholz; produção artística: Nick Jennings; produzido por Hillenburg e Julia Pistor; lançamento da Paramount Pictures. Duração: 88 minutos.

Com as vozes de: Tom Kenny (Bob Esponja), Clancy Brown (Sr. Sirigueijo), Rodger Bumpass (Lula Molusco), Bill Fagerbakke (Patrick), Lawrence (Plankton), Jill Talley (Karen), Carolyn Lawrence (Sandy), Mary Jo Catlett (Sra. Puff), Jeffrey Tambor (Rei Netuno), Scarlett Johansson (Mindy), Alec Baldwin (Dennis) e David Hasselhoff (o próprio). Atração foi feita para quem já está cansado de suportar arrogâncias Deborah Weinberg

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