UOL Notícias Internacional
 

20/11/2004

Governo e rebeldes prometem a paz no Sudão

The New York Times
Marc Lacey e

Christine Hauser

Em Nairobi, Quênia
O governo do Sudão e os rebeldes do sul do país se comprometeram nesta sexta-feira (19/11) a terminar a longa guerra civil no país até o final desse ano, colocando suas promessas no papel diante dos enviados do Conselho de Segurança da ONU, que compareceram a uma pouco habitual sessão política na África, para tentar levar a paz aos sudaneses.

O memorando assinado pelo governo e pelo grupo rebelde, denominado Movimento de Libertação do Povo do Sudão, prometeu um acordo final de paz até o dia 31 de dezembro, o que encerraria um período de 21 anos de guerra entre o norte e o sul, que já é o mais longo conflito do continente.

Se por um lado a situação foi acompanhada por testemunhas solenes e num contexto pouco habitual, com o Conselho de Segurança se encontrando em Nairobi e não na sede em Nova York, ainda não é certo se a promessa firmada no papel irá mesmo se traduzir em paz nos campos de batalha.

Os principais negociadores da paz, o vice-presidente do Sudão, Ali Osman Taha, e o líder rebelde John Garang, fizeram promessas semelhantes a essas, tentando chegar a um acordo... no ano passado.

"Cabe a vocês provar que os pessimistas e céticos estavam errados", disse o atual presidente do Conselho de Segurança, John C. Danforth, a Taha e a Garang no encontro do conselho, segunda informa a agência Reuters. "A violência e as atrocidades que são perpetradas devem terminar agora. Vocês já ouviram essa mensagem claramente do Conselho de Segurança --prestem atenção", advertiu Danforth, que também é embaixador americano nas Nações Unidas.

Mas, pairando sobre o encontro, havia um outro conflito militar no mesmo país, a Guerra em Darfur, no Sudão ocidental, que persiste com intensidade. O Conselho segue atento à situação de Darfur. Os embaixadores do órgão da ONU acreditam que um acordo de paz entre o norte e o sul do país poderá servir de estímulo a Darfur.

Os membros do Conselho colocaram uma cenoura na frente do "coelho-governo", prometendo ajuda internacional se as autoridades sudanesas chegarem a um acordo com os rebeldes do sul depois de 21 anos de combates. Mas quando o assunto é Darfur, onde o governo é acusado de lançar milícias armadas sobre a população, os membros do Conselho têm mais dificuldades para acenar com qualquer estímulo.

Os membros do Conselho de Segurança concordaram numa resolução que sugere ação não-específica contra as duas partes do conflito, caso não cessem as hostilidades em Darfur. Mas os críticos dizem que a medida é tão ineficaz quanto outras duas declarações recentes da ONU. Uma linguagem mais dura no documento foi rechaçada pelos votos de Rússia, China, Paquistão e Argélia.

Essa foi apenas a quarta vez em que o Conselho de Segurança se encontrou fora dos Estados Unidos. A sessão da ONU foi organizada pelo embaixador Danforth, que defendeu a idéia de que um encontro na região pressionaria as duas partes para que fosse logo resolvido o conflito norte-sul no Sudão, conseqüentemente ajudando a baixar as labaredas em Darfur.

Ainda não dá para perceber se a intenção surtirá o efeito desejado. As negociações para encerrar a guerra entre o norte e o sul já se estendem por três anos, apesar da pressão crescente vinda dos Estados Unidos e de outros governos. No ano passado, o secretário de Estado Colin L. Powell visitou o Quênia, onde a sessão viria a acontecer, e confirmou uma promessa de que as negociações terminariam em 2003.

"Já ouvimos isso muitas vezes, por isso há tanto ceticismo", reconheceu nesta quinta Abdallah Baali, o embaixador argelino nas Nações Unidas.

O governo sudanês assinou inúmeros acordos com o objetivo de acalmar a situação em Darfur, que segundo o governo americano é praticamente um genocídio. Ainda assim, a crise continua. No começo de novembro, os dirigentes sudaneses acertaram um cessar-fogo com os rebeldes de Darfur, mas o acordo foi rapidamente violado.

"Lamento informar que a situação da segurança em Darfur continua a se deteriorar", disse o Secretário-Geral da ONU Kofi Annan ao conselho nesta quinta, apontando como culpados "o governo e suas milícias, assim como os grupos rebeldes." Conflito já dura 21 anos; acordo pode interromper genocídio no país Marcelo Godoy

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