UOL Notícias Internacional
 

20/11/2004

Republicanos aplicaram tática de vendedores

The New York Times
Adam Nagourney

Em Nova Orleans
Após dois anos de pesquisas de opinião, testes de mercado e escrutínio demográfico detalhado dos eleitores americanos, o gerente da campanha da reeleição de Bush, Ken Mehlman, apresentou na última quinta-feira (18/11) uma outra forma de encarar a divisão vivida pelo eleitorado americano.

"Se você dirige um Volvo e pratica yoga, provavelmente você é um democrata", disse Mehlman num encontro de governadores republicanos que acontece em Nova Orleans, no Estado de Louisiana (sul do país). "Mas se dirige um Lincoln ou uma BMW e possui uma arma, você vota em George Bush."

Essa caracterização bem curta e grossa feita por Mehlman, que está cotado para ser o novo presidente do Comitê Nacional Republicano, acontece em meio à repercussão de um relatório dele sobre a campanha de Bush. O relatório às vezes é cheio de autopromoção, mas também tem passagens reveladoras, como quando descreve métodos pouco habituais utilizados para conquistar muitos dos votos que compuseram a margem de vitória --3,5 milhões de votos de vantagem sobre o senador John Kerry.

Por exemplo: Mehlman, ao discutir a estratégia de comparecimento às urnas utilizada pelos governistas e que surpreendeu os democratas em muitas partes do país no dia da eleição, diz que os republicanos se afastaram das operações tradicionais, passando a adotar táticas da "nação corporativa" para identificar eleitores de Bush em potencial.

Em vez de despachar sua turma de porta em porta nas vizinhanças notoriamente de forte tendência republicana, a organização da campanha de Bush, segundo Mehlman, preferiu estudar os hábitos de consumo, ao tentar prever em quem as pessoas votariam numa eleição presidencial.

"Nós fizemos o que o cartão Visa faz", diz Mehlman. "Reunimos muita informação sobre os hábitos dos consumidores. Qual revista assina? Possui armas? Vão com que freqüência à igreja? Seus filhos vão à escola aonde? É casado (ou casada)?

"Baseados nesses dados, fomos capazes de aplicar um tipo determinado de perfil de consumidor que as corporações americanas usam no dia a dia, para prever como as pessoas votam --pesquisas não centradas no local onde eles vivem, mas em como eles vivem", diz o gerente da campanha republicana. "Esse método foi crucialmente importante para o nosso sucesso".

Mehlman diz que foi esse método que lhe levou à conclusão de que os eleitores de Kerry preferem Volvos aos Lincolns, e gostam mais do yoga do que das armas.

Além disso, Mehlman diz que a campanha de Bush foi além de simplesmente colocar comerciais na televisão tradicional e nas redes de rádio. Como exemplo, ele diz que Bush começou a colocar mensagens em redes de mensagens internas nas academias de ginástica, garantindo uma audiência cativa, formada pelos chamados eleitores receptivos.

"Isso porque nossos estudos demográficos e análises nos indicaram que várias jovens famílias colhem suas informações não no noticiário das 7 da noite, mas na sessão de malhação das Sete", diz o gerente republicano.

Quando lhe perguntaram se faria algo diferente, Mehlman diz que Bush talvez tenha esperado por um tempo excessivo antes de falar de seu segundo mandato; o presidente só foi tocar no assunto na época da convenção republicana, depois de passar meses atacando Kerry.

E Mehlman diz que Bush teve problemas com o eleitorado jovem, por conta do que ele detecta como um "medo do recrutamento".

"Essa foi uma idéia metodicamente plantada pela organização da campanha de Kerry e por pessoas que supostamente deveriam ser neutras", analisa o republicano. "A turma da MTV, com aquele discurso do escolha-ou-saia perdendo, mandou uma mensagem tipo 'você está recrutado para votar'. É meio esquisito fazer você votar só por causa do medo de um possível alistamento obrigatório. E só houve um candidato na campanha falando desse recrutamento, e foi o John Kerry", concluiu Mehlman. Estrategista da campanha de Bush diz como radiografou eleitorado Marcelo Godoy

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