UOL Notícias Internacional
 

21/11/2004

Irã está preparando sua bomba nuclear, diz Bush

The New York Times
David E. Sanger

Em Santiago, Chile
Neste sábado (20/11), o presidente americano, George W. Bush, aumentou a pressão do governo sobre o Irã, usando seu primeiro encontro de cúpula desde que conquistou a reeleição para acusar o Irã de acelerar a produção da matéria-prima utilizada para a produção de combustível para uma arma nuclear, o chamando de "um assunto muito sério".

Então, em reuniões consecutivas com os líderes da China, Japão e Coréia do Sul, ele tentou estabelecer uma frente unida contra a Coréia do Norte, que as autoridades de inteligência acreditam que pode ter produzido até seis armas nucleares no ano passado.

Falando aos repórteres aqui após uma reunião com o primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, Bush citou relatórios de que o Irã estava acelerando a produção de hexafluoreto de urânio, um gás que pode ser enriquecido em combustível para bomba. "Eles estão dispostos a acelerar o processamento de material que pode levar a uma arma nuclear", disse Bush.

O Irã chegou a um acordo no último fim de semana com as nações européias para suspender temporariamente toda a sua produção de combustível nuclear, mas o país insiste em ter o direito legal segundo o Tratado de Não-Proliferação Nuclear de produzir tal combustível para produção de energia e não abrirá mão da capacidade.

As palavras mais duras de Bush foram voltadas para o programa iraniano, em grande parte, disseram funcionários do governo, porque seus conselheiros de segurança nacional acreditam que ainda há tempo para impedir o Irã de produzir de fato uma arma.

"Nós passamos deste ponto com a Coréia do Norte", disse recentemente um de seus principais conselheiros. "Com a Coréia do Norte, é uma questão de desfazer o que já aconteceu."

Em 2003, Bush disse que não toleraria armas nucleares na Coréia do Norte, e em abril de 2004, ele disse para uma convenção de editores de jornal em Washington que um programa nuclear no Irã era "intolerável" e que trataria disto, começando pela ONU se necessário.

Ele não repetiu nenhuma palavra neste sábado, e o acordo com a Europa parece ter impedido, ao menos temporariamente, as esperanças do governo de levar o programa iraniano ao Conselho de Segurança da ONU neste mês.

Os comentários do presidente também marcaram a segunda vez na última semana em que o governo faz acusações de que o Irã, apesar de seus protestos de que não tem intenção de produzir uma arma nuclear, está seguindo nesta direção. No sábado, o secretário de Estado, Colin L. Powell, disse que o Irã está tentando modificar seus mísseis para carregarem uma ogiva nuclear, e de que está trabalhando em projetos de armas que se adaptariam a tais mísseis.

Mas enquanto ele falava sobre o Irã em público, Bush concentrou grande parte de sua discussão particular com os líderes do Pacífico --os 21 membros da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico-- no programa norte-coreano, que parece ter conseguido progressos significativos enquanto os Estados Unidos estavam ocupados com o Iraque.

Nos preparativos para o encontro da manhã de sábado com o presidente da China, Hu Jintao, as autoridades americanas optaram, várias semanas atrás, pela medida incomum de enviar a Pequim uma série de "pacotes confidenciais" de dados, como chamou um alto funcionário asiático, visando convencer os chineses de que a Coréia do Norte tem dois programas de armas em andamento.

Os líderes chineses têm poucas dúvidas de que a Coréia do Norte está tentando produzir armas de plutônio, e não questionaram os pareceres não-oficiais da inteligência americana de que a Coréia do Norte reprocessou plutônio suficiente para quatro ou seis armas desde que os inspetores internacionais foram expulsos do país, há quase dois anos.

Mas até recentemente, a China expressava dúvidas consideráveis sobre um segundo programa, que os Estados Unidos acreditam ter sido iniciado pela Coréia do Norte com a ajuda do ex-chefe do projeto de armas nucleares do Paquistão, A.Q. Khan. Assim como o programa iraniano, que também recebeu grande ajuda da rede de Khan nos anos 90, o programa norte-coreano envolve o enriquecimento de urânio para produção do combustível para bomba.

"Os chineses fizeram sua própria investigação no Paquistão, e nós acreditamos que eles obtiveram a confirmação lá", disse um alto funcionário asiático envolvido nas reuniões de sábado com Bush. "Eles não parecem estar mais questionando a validade de tal inteligência, pelo menos privativamente."

Pressão sobre a Coréia do Norte

Mas Bush estava claramente preocupado com a possibilidade de o presidente da Coréia do Sul, Roh Moo-Hyun, poder divergir da estratégia americana, e oferecer mais ajuda e investimento à Coréia do Norte antes de ela concordar em desistir de suas armas, suspender sua produção de novas armas e permitir inspeções abertas.

Falando em 12 de novembro em Los Angeles, Roh disse: "Os norte-coreanos argumentam que seu programa de armas nucleares e mísseis constitui um meio de manter sua segurança, dissuadindo ameaças externas. De modo geral, é difícil acreditar no que dizem os norte-coreanos, mas seu argumento nesta questão é" --e aqui ele fez uma pausa por vários segundos-- "compreensível, considerando o ambiente em que vivemos".

Autoridades sul-coreanas disseram que sua palavra "compreensível" também pode ser traduzida como "racional", e Roh disse à sua platéia que usou a palavra porque sua equipe queria um termo que soasse mais "aceitável".

Bush não fez nenhuma referência direta ao discurso em seu encontro no sábado, segundo funcionários familiarizados com a discussão. Mas ele destacou a necessidade "dos países permanecerem na mesma linha", disse um funcionário.

Os comentários de Bush sobre o Irã ocorreram um dia depois de funcionários americanos terem dito que o Irã informou à Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, Áustria, que estava acelerando a produção de hexafluoreto de urânio antes do início da suspensão de sua atividade de processamento nuclear.

Não se sabe quais são as intenções do Irã. Se estiver realmente suspendendo a produção de todo o combustível nuclear, não se sabe o motivo para estar trabalhando tão rapidamente para acabar a produção da matéria-prima que é colocada nas centrífugas para enriquecimento. Em níveis baixos de enriquecimento, o combustível pode ser usado para produzir energia nuclear; em altos níveis de enriquecimento, ele pode ser usado em uma bomba.

Funcionários americanos disseram que o presidente falou sobre a ação iraniana porque quer destacar a possibilidade de o Irã estar armando uma trapaça em seu acordo com os europeus, e para levantar a possibilidade de que o país tenha um complexo secreto, não declarado, de centrífugas que poderiam continuar operando, produzindo combustível para bomba mesmo após a suspensão entrar em vigor.

Nesta semana, um grupo dissidente, operando fora do Irã, acusou Teerã de estar fazendo isto, mas as autoridades americanas disseram que não têm como verificar tais acusações.

A Agência Internacional de Energia Atômica tem visitado o Irã regularmente, e recentemente divulgou um relatório dizendo que ainda não encontrou evidência de um programa de armas. Mas não excluiu a possibilidade.

Os comentários de Bush pareciam fazer parte do que o vice-secretário de Estado, Richard L. Armitage, disse na sexta-feira para a TV Al-Jazeera como sendo "uma espécie de acordo 'policial bonzinho e policial malvado'" com os europeus: manter a pressão sobre o Irã enquanto a Europa oferece incentivos para que o país desista da produção de combustíveis nucleares.

"Se funcionar, nós todos teremos sido bem-sucedidos", disse Armitage. Presidente também adverte que a Coréia do Norte ameaça a paz George El Khouri Andolfato

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