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21/11/2004

Robert Downey Jr inicia carreira como cantor pop

The New York Times
Hilary De Vries

Em Santa Mônica, Califórnia
Há algumas rugas ao redor de seus olhos e ele é mais magro do que você poderia esperar, apesar do almoço gigante --gazpacho, peito de frango, molho de proteína, omelete de clara de ovos, batata doce e uma barra de chocolate Lindt gigante-- que ele devora entre vários cigarros e goles de chá de ervas: "Ervas chinesas", ele diz.

Tipicamente auto-irônico, ele acende mais um cigarro. "Estou tomando para equilibrar os Camel sem filtro". Exceto por isso, Robert Downey Jr. não parece ter problemas.

E tem havido muitos problemas, mesmo por seus padrões liberais. Na maior parte dos últimos oito anos, ele ganhou reputação como um dos atores mais talentosos mas perturbados de sua geração, publicamente combatendo o vício em drogas enquanto cumpria pena na cadeia por acusações de porte de drogas e de armas.

Agora, quatro anos depois de sua condicional, duas prisões subseqüentes e um ano em um centro de tratamento para drogados, por ordem do tribunal, Downey, 39, tornou-se cantor, compositor e pianista. Esta semana, a Sony Classical lança seu primeiro disco, "The Futurist", que consiste em oito baladas pop de sua autoria, além de duas canções cover, "Smile", de Charlie Chaplin, e "Your Move", do Yes.

Em um estúdio de gravação em Santa Monica, na Califórnia, Downey falou sobre fazer a transição de ator desempregado para cantor-compositor. Ele se cerca de fotografias de seu filho, Indio, 11 (de seu casamento de 12 anos com Deborah Falconer), e da namorada, a produtora Susan Levin, de "Gothika". Ao lado de imagens da família, ele discutiu sua música, sua carreira no cinema --lançamentos no ano que vem incluem "Kiss, Kiss, Bang, Bang", uma comédia de ação com Val Kilmer, um drama futurista de Richard Linklater-- e sua vida atual.

NYTimes: Você já gravou um compacto, mas agora com esse álbum parece estar entrando para o grupo de atores como Hilary Duff, Lindsay Lohan e William Shatner, que acham que têm um apelo variado como intérpretes musicais. Por que se exprimir em um disco?

Robert Downey Jr.: Sim, existe essa coisa sobre as pessoas quererem constantemente demonstrar suas proezas em muitas áreas e é um pouco nauseante. Claramente tenho certa hesitação em ser um ator que se manifesta em disco. Mas depois de anos compondo canções, a coisa aos poucos ficou mais real. Mas depois que consegui um contrato para um disco --e estranhamente o sujeito que estava comandando a coisa na Sony, Peter Gelb, não era um idiota-- não pude mais parar depois que disse "Onde está meu adiantamento?"

NYTimes: Como você aprendeu piano? Seus pais o fizeram estudar quando criança?

Downey Jr.: Não, eles me colocaram numa sala que tinha um piano, e eu pensei que poderia me ocupar melhor do que sentar num sofá e olhar pela janela.

NYTimes: Como foi gravar o disco? Foi como atuar em um filme com muitas cenas diferentes?

Downey Jr.: Nada é mais chato que atuar, porque como ator você nunca tem de ser proativo em relação à programação. Você recebe a lista de cenas --temos de fazer esta cena hoje. Isso foi mais como "existem 17 canções diferentes que você pode escolher para seu álbum. Termine-as".

NYTimes: A maioria das canções é muito literal, baseada em filmes --como o seu "Wonder Boys" inspirou "Hannah"-- ou experiências de amigos. Por que elas são tão conceituais?

Downey Jr.: Preciso de idéias. Não posso simplesmente me sentar e começar (começando a cantar) "Baby you are my beauty".

NYTimes: Algumas pessoas esperariam canções mais confessionais, ou pelo menos mais pessoais, diante do que você já passou.

Downey Jr.: [rindo] Acho que estou mais sensível, introspectivo e cheio de admiração pelo universo devido ao que passei do que eu gostaria de admitir. Por isso cada uma das canções é influenciada por minha experiência, mas espero que isso fique um pouco obscuro.

NYTimes: Você vai aparecer nos programas "Oprah" e "The Tonight Show". Como você se sente apresentando suas canções em público?

Downey Jr.: Olhe, não quero parecer esnobe, mas nunca nesta terra de Deus eu seria um novo artista musical que vai ao programa de Oprah sem "Weird Science" e a penitenciária. É a combinação perfeita, muito divina. Mas também é repugnante, além de nepotismo. De modo algum eu poderia me expressar musicalmente se não fosse um ator de má reputação. Você não consegue ir ao "Oprah" se tiver uma vida perfeita e depois simplesmente resolver fazer música. Por isso, sim, estou um pouco desconfortável sobre isso.

NYTimes: Mas agora que você fez o disco precisa promovê-lo.

Downey Jr.: Sim, não posso dizer: "Olha, vocês me deram US$ 300 mil para fazer esse álbum, agora foda-se". Não, é como terminar um filme e dizer: "Não estou disponível para os chatos da imprensa". Você é liquidado. Por isso estou disponível.

NYTimes: Você é religioso? Muitas pessoas encontram Deus como parte de seu processo de recuperação, e parece haver referências veladas em algumas das canções.

Downey Jr.: Não estou fora disso. Mas como Jung disse sobre as pessoas que usam a religião para evitar uma experiência religiosa, eu me esforcei bastante para evitar uma experiência religiosa. Não sei onde me encaixo. Partido Espiritual Verde? Algumas vezes estive nessa coisa de Hare Krishna, que é muito maluca. Agora eu me classificaria como judeu-budista. Mas houve muitas ocasiões em que o catolicismo salvou minha pele.

NYTimes: Você foi católico praticante?

Downey Jr.: Fui. Quando estava no pavilhão B e me perguntaram: "Você freqüenta os serviços católicos ou presbiterianos?" Acho que escolhi católico porque simplesmente me dá mais coisas. Mais velas, e existe todo um calendário onde nesse dia você lê isto, no dia seguinte você lê aquilo. É como um roteiro para a espiritualidade.

NYTimes: Sua carreira de ator parece estar se recuperando. Você está conseguindo tanto trabalho quanto gostaria?

Downey Jr.: Sim. Mas recuso quase tudo, e antes fazia quase tudo.

NYTimes: Você não precisa do dinheiro?

Downey Jr.: Sim, preciso de dinheiro, mas as ofertas que estou recebendo não são épicos de tirar o fôlego.

NYTimes: Espere um pouco, você estrelou em "Ally McBeal" e ganhou uma indicação para o Emmy em seu primeiro trabalho depois que saiu da prisão.

Downey Jr.: Sim, mas também estava muito, muito infeliz --infeliz naquele ponto de minha vida, mas também com todo o negócio da TV. Não há como sair de um seriado até que seu contrato termine. Aquilo foi muito chato....

NYTimes: Você acha que Hollywood o considera um risco ou um sobrevivente?

Downey Jr.: A verdade é que a maioria das pessoas percebeu que sou menos arriscado no set de filmagem do que as pessoas que se drogam no fim de semana e podem ter uma overdose e não conseguem mais ficar sóbrias. Eu sou muito fácil de entender. Ou estou me saindo bem ou estou tendo uma conversa lateral com o garçom da festa, desaparecemos e eu volto 45 minutos depois parecendo muito esperto.

NYTimes: Você já teve várias recaídas, mas esses dias terminaram finalmente?

Downey Jr.: Sim, isso não me interessa mais, nem um pouco. No fundo sou um rato de laboratório e sinto falta daquela sensação de "uau", mas encontrei outras maneiras de conseguir isso. Recuperado das drogas, ator lança álbum com baladas que compôs Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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