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22/11/2004

Hillary deveria priorizar campanha presidencial

The New York Times
Hilary Rosen*

Especial para o NYTimes
Hillary Clinton parece ter decidido disputar novamente uma vaga no Senado. Presume-se que a tenham convencido de que uma campanha pela reeleição em 2006 não prejudicaria a sua possível disputa pela presidência em 2008. Mas alguns democratas, incluindo eu, acham que ela não deveria tentar se reeleger para o Senado.

Uma campanha senatorial de Hillary provavelmente será a mais disputada e desgastante de 2006. Os republicanos vão concentrar todas as suas forças em atacá-la, sabendo que todo o dano que causarem a Hillary renderá dividendos para eles em 2008. Eles tentarão envolvê-la em um manto liberal tão apertado que será quase impossível que ela consiga livrar-se dele um ano depois, quando estaria em campanha pela Casa Branca. E, lembrem-se: uma senadora democrata por Nova York precisa assumir muitas posições liberais para manter a sua base satisfeita.

Tudo isso é especialmente frustrante porque Hillary não é essa liberal pintada pelos adversários. Ela é uma mulher que apoiou a iniciativa do marido para a implementação da legislação da reforma da previdência social à qual se opôs veementemente a sua mentora, Marian Wright Edelman, do Fundo de Defesa da Criança.

Sabendo que a medida enfureceria os liberais, ela, não obstante, escolheu uma rota moderada. E ao contrário da idéia de que ela favoreceria o controle governamental do sistema de saúde, Hillary se empenhou em expandir o acesso à cobertura existente para mais famílias e crianças.

De fato, a sua experiência com a reforma do sistema de saúde ajudou a ensiná-la que a maioria das pessoas prefere mudanças graduais a reformas ambiciosas. Aqueles que estão prestando atenção sabem que a sua abordagem para ajudar a economia do norte do Estado de Nova York foi marcada por propostas de créditos fiscais e garantias de empréstimos para os empresários que criassem empregos, algo ao estilo dos republicanos.

E ela revelou disposição para assumir compromissos com os republicanos e trabalhar em conjunto com eles no Congresso. Os seus colegas no Senado a vêem como uma política afável e perspicaz. Os seus discursos são enérgicos, moralistas ou ideológicos, mas repletos de argumentação pragmática.

Ela é favorável ao direito da mulher ao aborto --assim como a maioria das pessoas no país. Mas é capaz de falar das questões sociais de uma maneira que a maioria dos democratas não consegue. Quando fala sobre a questão de gays e lésbicas, por exemplo, parece-se com uma mãe norte-americana comum procurando uma forma de ser justa e inclusiva, sem parecer no entanto sentir desconforto. E essa é uma atitude compartilhada por muita gente nos Estados Unidos de hoje.

E além disso Hillary não precisa criar uma plataforma para os seus valores morais. Ela já possui uma. A sua plataforma equilibra fé --uma fé não ensaiada-- e política. Sem paciência para com o politicamente correto, ela sabe como se relacionar com pessoas pertencentes a um amplo espectro de crenças. Resumindo, ela age como aquela metodista moderada do meio-oeste que realmente é.

A campanha de Hillary em 2000 foi uma lição sobre o valor da fama. Mas mostrou também como Hillary opera. Ela não começou anunciando aquilo que poderia fazer pelos seus eleitores como senadora. Hillary dividiu com eles alguns valores comuns e, a seguir, embarcou em uma viagem para ouvi-los. Isso indicou que possui um instinto inteligente e modesto.

Se alguma vez na história os democratas tiveram necessidade de ouvir os norte-americanos, este momento é agora. É por isso que Hillary deveria passar os próximos dois anos no Senado aperfeiçoando as suas credenciais de política externa e delimitando uma boa parcela de território em um Senado cada vez mais dominado por direitistas republicanos.

A seguir ela deveria deixar o Senado para trás.

Ao invés de se envolver naquela que provavelmente seria uma campanha cara, desgastante e marcada pela rivalidade, ela deveria ir até à região central dos Estados Unidos e entrar em contato com os eleitores. Se der ao povo norte-americano a atenção que deu aos nova-iorquinos, eles a verão como uma mulher que tem a coragem necessária para enfrentar tempos difíceis --e a visão para ser uma líder.

Não me entendam mal. Se Hillary Clinton decidir concorrer à reeleição porque adora ser senadora por Nova York, ela pode e deve vencer. Ela trabalhou com afinco pelos nova-iorquinos e merece ser reeleita.

Mas se o seu objetivo for disputar a presidência em 2008, ela não deveria tentar novamente o Senado em 2006. Os políticos dotados das maiores ambições geralmente mantêm um cargo político para garantir que terão uma plataforma para as suas idéias. Essa regra não se aplica a Hillary Clinton. Ela não precisa estar no Senado em 2007 para obter atenção --nem de doadores nem de mais ninguém.

Poderá haver outros democratas que competindo pela liderança à medida que nos aproximarmos de 2008. John Edwards, Bill Richardson, Evan Bayh, Howard Dean, e talvez até mesmo Al Gore ou John Kerry. Mas muita gente está contando com Hillary Clinton. E ela precisa estar preparada. Ao invés de concorrer ao Senado, ela deveria percorrer os Estados Unidos.

*Hilary Rosen, ex-diretora-executiva da Associação das Indústrias de Gravação do Estados Unidos, é comentarista política da CNBC e estrategista do Partido Democrata. Em vez de se reeleger no Senado, ela precisa viajar pelos EUA Danilo Fonseca

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