UOL Notícias Internacional
 

24/11/2004

Americanos iniciam ofensiva ao sul de Bagdá

The New York Times
James Glanz e

Edward Wong

Em Bagdá, Iraque
Milhares de soldados americanos, britânicos e iraquianos iniciaram uma nova ofensiva, nesta terça-feira (23/11), pela região ao sul de Bagdá, conhecida como "triângulo da morte" devido à sua temível reputação como santuário de ladrões, assassinos, famílias do crime e terroristas, além de rebeldes que fugiram de Fallujah antes do início do combate lá.

A operação teve início na terça-feira com 11 incursões simultâneas no início da manhã na cidade de Jabella, a oeste do Rio Eufrates e a cerca de 80 quilômetros ao sul de Bagdá, disse o coronel Ron Johnson, comandante da 24ª Unidade Expedicionária Marine, que está liderando o esforço.

O novo esforço pode ser visto como a abertura de uma terceira frente -após a invasão de Fallujah e operações mais limitadas em Mosul, uma cidade do Norte- pelas forças lideradas pelos americanos contra os rebeldes. As autoridades disseram que ele envolverá entre 2 mil a 3 mil marines, soldados e marinheiros americanos, mais de 1.000 membros das forças de segurança iraquianas e 850 membros do Black Watch, um batalhão de infantaria britânico.

O triângulo da morte, ao norte das antigas ruínas da Babilônia, na província de Babil, agora é mais conhecido por terríveis assassinatos em massa, esconderijos de rebeldes e ataques cruéis contra postos policiais e bases do exército iraquiano.

Mas com a partida de centenas ou possivelmente milhares de rebeldes de Fallujah pouco antes da invasão americana e da captura da cidade na semana passada, o papel desta área como um distrito de trânsito e reabastecimento para os rebeldes se tornou ainda mais preocupante, disse Johnson.

"Nós sabemos que alguns deles vieram em nossa direção antes da batalha de Fallujah", disse ele, citando relatórios de inteligência. "Nós vamos tentar isolá-los. Então vamos tentar nos espalhar por toda parte. Não vamos atacar apenas uma área. Nós vamos atacar múltiplos alvos para que não tenham lugar seguro para onde ir."

Os oficiais militares na província disseram que cerca de 250 rebeldes foram capturados lá nas últimas três semanas, incluindo 32 nas incursões em Jabella na terça-feira.

A área é uma mistura curiosa de aldeias empobrecidas e complexos residenciais opulentos, muitos deles ao longo do Eufrates, resquícios de uma área de domínio sunita favorecida durante o governo de Saddam Hussein.

Percorrendo recentemente uma rua central de Mahmudiya em uma viatura, acompanhado de um capitão de polícia, foi possível ver um posto policial com barricadas e praticamente abandonado, cuja fachada foi seriamente danificada por um ataque com bomba, no qual morreram vários policiais iraquianos. O percurso passou por um mercado sujo e amontoado de barracas de refrigerante, secos e molhados e lojas de conserto, no qual a viatura recebeu apenas olhares severos.

O capitão de polícia, que ocupa o cargo há vários meses, disse que nunca saiu do carro ou mesmo falou com alguém na rua por ser muito perigoso. "Vamos começar com as pessoas me vendo na área", disse o capitão, que estimou que havia pouca presença policial nas ruas por cerca de um ano.

O capitão David Nevers, um porta-voz da unidade marine, disse que devido à área ser rural e salpicada de aldeias e cidades, as operações aqui seriam diferentes do combate urbano em Fallujah e Mosul. A nova operação se concentrará no que Nevers descreveu como "incursões precisas".

As incursões serão realizadas em várias combinações de forças americanas, britânicas e iraquianas, disseram os oficiais. A primeira operação, em Jabella, foi liderada por um comando iraquiano que foi apoiada pelos marines, eles disseram.

Em meados de outubro, a unidade realizou uma grande varredura na mesma área, mas os crimes horríveis têm continuado, como seqüestros, decapitações e fuzilamentos de oficiais de segurança locais, às vezes até 10 de uma só vez.

Ao ser perguntado sobre quão diferentemente as forças lideradas pelos americanos procederão desta vez, Nevers disse que com a recente adição da Black Watch e outras forças iraquianas, eles poderão "espremer os rebeldes em uma caixa mais apertada".

"Nós não somos ingênuos para achar que não há avenidas de fuga", disse Nevers, "mas o cordão está mais fechado do que antes".

Apesar das novas operações serem basicamente de natureza militar, Johnson enfatizou recentemente o domínio das famílias do crime local no triângulo da morte. Ele disse que as batidas e operações secretas se concentraram na eliminação destas famílias.

"Há muitos chefões e senhores do crime, minichefes e sujeitos que intimidam a vizinhança", disse Johnson.

Ele disse que entender as famílias do crime, para saber se vendem armas ou apenas controlam um pedaço particular do território local, é fundamental para deter a insurreição na área.

Enquanto tais operações tinham início, a luta continuava a perder intensidade em Fallujah. Mas novos números de baixas divulgados pelo Pentágono indicavam que 868 soldados americanos foram feridos desde o início da ofensiva em Fallujah, em 8 de novembro, e 9.326 desde a invasão ao Iraque, liderada pelos americanos, no ano passado. Os militares disseram na semana passada que pelo menos 51 soldados foram mortos e 425 ficaram feridos em Fallujah.

Em Mosul, a terça-feira foi um dia raro em que nenhum corpo de pessoa morta pelos rebeldes foi encontrado, disse o tenente coronel Erik Kurilla, comandante do 1º Batalhão, 24º de Infantaria. No período anterior de cinco dias em Mosul, pelo menos 28 corpos foram descobertos -alguns decapitados, alguns baleados na cabeça ao estilo execução, alguns queimados ou mutilados de alguma forma.

Mas os militares americanos disseram que suas patrulhas descobriram um enorme estoque de armas dos rebeldes, a cerca de 50 quilômetros ao sul de Mosul, na segunda-feira, incluindo 15 mil projéteis antiaéreos, 4.600 granadas de mão, 144 lançadores de granada e 25 mísseis terra-ar. Ele foi classificado como um dos maiores depósitos de armas já descobertos no Norte do Iraque.

Em Bagdá, o principal assessor de Muqtada Al Sadr, o clérigo xiita que liderou uma intensa insurreição antiamericana na primavera, disse na terça-feira que o governo interino iraquiano está violando o acordo de paz ao continuar prendendo membros importantes da organização de Sadr.

O assessor, Ali Smesim, disse em uma coletiva de imprensa que dois poderosos partidos políticos xiitas, o Partido Islâmico Dawa e o Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque, estavam pressionando pelas prisões. Ambos os partidos ocupam posições proeminentes no governo interino e foram favorecidos pelos americanos antes e depois da invasão de março de 2003.

Mas enquanto Smesim se queixava das prisões, todos os grandes partidos políticos xiitas, incluindo o grupo de Sadr, estavam ocupados negociando a formação de uma poderosa coalizão para apresentar uma lista unificada de candidatos para as eleições nacionais planejadas para 30 de janeiro.

Os comentários de Smesim foram feitos depois da polícia iraquiana ter prendido um importante partidário de Sadr, o xeque Hashem Abu Reghif, na cidade sagrada de Najaf na sexta-feira passada. O governo disse que agiu depois que vários iraquianos impetraram uma queixa na Justiça acusando o xeque de detê-los e torturá-los.

Smesim disse que 160 pessoas da organização de Sadr ainda estão na prisão, apesar do acordo de paz fechado em outubro, que previa a libertação delas.

Al Sadr tem sido um dos maiores espinhos para os americanos, provocando levantes por todo o Sul e em Bagdá em abril e agosto, e fazendo sermões incendiários condenando a presença americana.

Os americanos cercaram a milícia de Al Sadr em Najaf neste verão. Em outubro, Al Sadr concordou em tentar desarmar sua milícia de milhares de homens, o Exército Mahdi, após semanas de ataques aéreos americanos em Sadr City, em vasta favela de 2,2 milhões de habitantes no nordeste de Bagdá, que é a mais forte base de apoio de Al da Sadr.

Sabah Kadhum, um porta-voz do Ministério do Interior, disse que o governo continuará prendendo clérigos que incitarem a violência. As prisões dos oficiais de Sadr não tiveram nada a ver com rivalidade política, disse ele.

"O governo não tem dedo político nisto tudo", disse ele. "Não é um assunto político. Se trata mais de incitação. O governo está prendendo os clérigos que incitam as pessoas."

Também na terça-feira, um porta-voz do xeque Ghazi Al Yawar, o presidente iraquiano e um árabe sunita, disse que Yawar formou um partido político para concorrer nas eleições. O partido se chama Partido dos Iraquianos, e conta entre seus membros os atuais ministros da defesa e da indústria. Objetivo é estabelecer uma nova frente de combate aos rebeldes George El Khouri Andolfato

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