UOL Notícias Internacional
 

25/11/2004

Linchamento de policiais causa revolta no México

The New York Times
Ginger Thompson e

James C. McKinley Jr.

Na Cidade do México
A cidade parecia em estado de choque nesta quarta-feira (24/11), com as pessoas tentando absorver as cenas de impunidade captadas pela televisão, que mostraram uma multidão furiosa linchando dois policiais --espancados e queimados vivos. Centenas de policiais cercaram a multidão, mas não conseguiram impedir o linchamento.

Para muitos, as mortes em San Juan Ixtayopan, uma favela ao sudeste da cidade, serviram para lembrar brutalmente como a impunidade impera na maior parte do país e como há um potencial de inquietação adormecido pouco abaixo da superfície social. Os linchamentos despertaram uma nova onda de indignação contra os crimes violentos e as falhas de um sistema de justiça corrupto --especialmente na polícia.

Nos programas de rádio e nas ruas da cidade do México nessa quarta, as pessoas se perguntavam como os batalhões de choque demoraram mais de duas horas para abrir caminho na multidão, enquanto repórteres e câmeras conseguiram se aproximar, a ponto de poderem gravar os linchamentos. Moradores de San Juan Ixtayopan pediam ajuda portando cartazes feitos à mão, onde se lia: "Mais segurança, menos violência".

"As pessoas se sentem impotentes quando coisas assim acontecem", disse Severiano Reyes, líder de uma associação de pais e professores numa escola fundamental de Ixtayopan. "Não há segurança por aqui. Não há controle."

A violência começou nesta terça, quando os estudantes saíam das aulas às seis da tarde. Três policiais a paisana estavam num carro de passageiros normal, do lado de fora da escola. De repente várias mães começaram a gritar, alegando que os policiais haviam seqüestrado duas crianças.

Os policiais foram arrancados do carro e espancados. Apareceram líderes na multidão. Eles deixaram alguns repórteres de televisão conversarem com dois dos policiais, enquanto as vítimas eram espancadas. Os homens tentaram desesperadamente se identificar como policiais disfarçados em missão de investigação do tráfico de drogas na região, mas não adiantou.

Uma representante do governo local, Fátima Mena, entrou no meio da multidão, que estava armada com facas e porretes. Fátima tentou intervir para salvar os policiais, mas a multidão ameaçou também se voltar contra ela.

Uma parte da multidão arrastou o terceiro policial até um quiosque no centro de Ixtayopan, ameaçando enforcá-lo. Mas a polícia conseguiu resgatar essa vítima , e o policial foi levado a um hospital, sob condições críticas.

Os rumores alegados pelas mulheres, de que teria havido um seqüestro, eram falsos, conforme se apurou mais tarde.

A matança abalou a Cidade do México. Comentaristas de rádio receberam chamados de pessoas incrédulas e indignadas com a lenta reação da polícia. Autoridades policiais e políticos reconheceram que a "anarquia" impera em regiões do México.

O procurador-geral Rafael Macedo de la Concha prometeu que agentes federais assumiriam as investigações e que haveria ação imediata.

Na quarta-feira, a polícia federal começou a empreender buscas de casa em casa na região.

Mas no passado promessas semelhantes não resultaram em prisões. Nos últimos anos, mexicanos frustrados com o crime e a corrupção muitas vezes preferiram fazer justiça com as próprias mãos. Aconteceram pelo menos nove casos de linchamento nos últimos três anos.

Até agora, os linchamentos não despertavam muitas críticas por parte de líderes religiosos e políticos, em parte porque eram vistos como reações justificáveis do cidadão comum contra um sistema corrupto. Mas as mortes dos policiais, em público e dessa forma tão brutal, podem ter cruzado a linha invisível da indignação. Falsa deúnicia motivou agressões; cidade vive clima de impunidade Marcelo Godoy

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