UOL Notícias Internacional
 

28/11/2004

Fed toma suas decisões sem considerar a política

The New York Times
Daniel Altman

Em Nova York
"A decisão de hoje do Fed era amplamente aguardada, e espero que os efeitos econômicos do endurecimento da política monetária sejam plenamente examinados antes de seguirem adiante nesta direção."

Tal declaração, feita após a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, de elevar as taxas de juros de curto prazo em 10 de novembro, não pareceriam incomuns vindas de um economista de Wall Street ou executivo-chefe. Mas ela veio do deputado Jim Saxton, vice-presidente do Comitê Econômico Conjunto e portanto um alto membro da Câmara envolvido em assuntos econômicos.

Não foi a primeira vez que Saxton, um republicano de Nova Jersey, disse o que pensa ao Fed. Em 21 de setembro, ele disse isto depois que o Fed elevou a meta para as taxas de fundos para 1,75%: "Os principais indicadores de preços do mercado para inflação estão sob controle, e como este é o caso não há necessidade urgente para uma maior ação do Fed no futuro próximo".

O deputado, é claro, tem direito de expressar sua opinião. Mas para alguns economistas, ele estava cruzando a fronteira clara e apreciada que separa a política monetária dos políticos que controlam a política fiscal.

A independência do banco central se tornou uma espécie de selo de aprovação de Boa Direção para a política monetária. Ela significa, por exemplo, que os políticos não podem forçar decisões indevidas sobre taxa de juros ou oferta de moeda apenas para ganharem popularidade antes de uma eleição. Em setembro, Saxton já vinha pedindo uma política monetária mais branda do que a adotada pelo Fed quando seu comitê de política se reuniu após a eleição.

Pesquisas econômicas mostraram uma ligação entre independência e inflação baixa em países industrializados, e entre inflação baixa e mudanças menos freqüentes no comando dos bancos centrais em países em desenvolvimento. Por exemplo, quando o banco central da Turquia ganhou independência três anos atrás, este foi o primeiro passo para controlar os preços desenfreados, que aumentavam anualmente em mais de 50%. "Há uma mensagem consistente em nossa orientação de política de que os bancos centrais são essenciais para uma política monetária eficaz", disse William Murray, um porta-voz do Fundo Monetário Internacional.

O presidente do Comitê Econômico Conjunto, o senador Robert F. Bennett, republicano de Utah, não fez nenhum comentário semelhante aos do vice-presidente. Nem o governo Bush. Na verdade, os últimos secretários do Tesouro buscaram enfatizar seu reconhecimento da independência do Fed. Os secretários Robert E. Rubin, Lawrence H. Summers e Paul H. O'Neill divulgaram freqüentemente declarações após ações do Fed que eram bem diferentes das de Saxton. A última divulgada por O'Neill, quando era o secretário, em 11 de dezembro de 2001, foi típica das dele e de seus antecessores.

"O governo respeita a independência do Federal Reserve na tomada de decisões sobre a política monetária de nosso país. Nós compartilhamos as metas do Federal Reserve de manutenção de um crescimento econômico saudável preservando ao mesmo tempo a inflação baixa."

A prática de divulgar tais declarações terminou quando John W. Snow se tornou secretário do Tesouro no início de 2002, mas a porta-voz do Tesouro, Brookly McLaughlin, reiterou a posição do departamento. "Quando o secretário foi perguntado sobre isto, a resposta foi, e sempre tem sido, de que o Tesouro respeita a independência do Federal Reserve na determinação da política monetária", disse ela. "É tolice ver algo mais além disto."

Quando perguntada sobre como o Tesouro via as declarações de Saxton, McLaughlin repetiu: "Nós respeitamos a independência do Fed na determinação da política monetária".

Saxton se recusou a ser entrevistado para esta coluna, mas ele divulgou uma declaração por e-mail por intermédio de seu secretário de imprensa, Stephen Thompson. Apesar de Saxton não achar que o microgerenciamento pelo Congresso das decisões do Fed seja desejável, ele acha que o Congresso tem a responsabilidade de supervisão dada sua delegação de poderes monetários ao Fed", escreveu Thompson. "Ao longo dos anos, muitos membros do Congresso comentaram as políticas do Fed, assim como membros do Fed comentaram a política fiscal, a política tributária e questões semelhantes fora do reino da política monetária."

A reciprocidade é justa, e o deputado destaca um ponto interessante. Alan Greenspan, o presidente do Fed, tem oferecido regularmente conselhos de política fiscal ao Congresso em seus depoimentos realizados duas vezes ao ano. Em 2001, ele deu sua aprovação implícita ao primeiro grande corte de impostos do governo Bush, e recentemente tem pedido por uma redução do déficit federal e mudanças no Seguro Social. Os membros de ambas as casas no Congresso, confiando em cada palavra sua, freqüentemente lhe fazem perguntas importantes na esperança de obter endossos para suas políticas.

Segundo Mark Gertler, presidente do departamento de economia da Universidade de Nova York, seria melhor se as autoridades que controlam os dois ramos da política econômica deixassem a outra em paz. "Os membros do Congresso deviam ficar de fora dos assuntos do Federal Reserve", disse Gertler. "E o banco central não devia se envolver nas discussões de política fiscal, exceto quando a política fiscal pode ameaçar a performance da política monetária. Em outras palavras, eu não acho que o presidente do banco central deve se envolver no endosso de cortes de impostos."

Apesar do Congresso deter o controle sobre o Fed, como indicou Saxton, ele provavelmente pode fazê-lo sem o conselho de Greenspan. Ele já conta com seu próprio serviço de aconselhamento econômico: o Escritório de Orçamento do Congresso.

O escritório de orçamento divulga um parecer econômico pelo menos duas vezes por ano, e seu diretor, Douglas J. Holtz-Eakin, depõe freqüentemente perante ambas as casas. Sua voz pode não ter a mesma repercussão nos mercados financeiros mundiais como a de Greenspan, mas pelo menos a descrição de sua função é avaliar a política fiscal. Critérios técnicos fundamentam atuação do banco central dos EUA George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host