UOL Notícias Internacional
 

29/11/2004

Mulheres apelam ao "rejuvenescimento vaginal"

The New York Times
Mireya Navarro

Em Nova York
Aos 39 anos, a professora de yoga se sentia como tantas mulheres de hoje em dia. Insatisfeita com o próprio corpo, achava que um pequeno trabalho feito por um cirurgião plástico seria providencial. Mas o objetivo dela não era a tradicional suavização das linhas faciais ou um aumento do busto.

Em vez disso, ela queria alcançar seu ideal de beleza na região mais íntima de sua anatomia --os órgãos genitais.

"Eu estava muito consciente sobre a minha aparência", disse a mulher, que vive em Boston e que só se manifestou sob a condição de não ter seu nome revelado, para proteger a privacidade. "Agora eu me sinto livre, simplesmente normal".

Enquanto milhões de mulheres injetam botox, remodelam narizes, aumentam bustos, levantam bundas e sugam a gordura indesejada, um número cada vez maior delas está explorando uma nova fronteira --a cirurgia plástica genital.

Elas estão apertando os músculos vaginais, arredondando ou encurtando os lábios, lipoaspirando a região púbica e até mesmo restaurando o hímen, algumas vezes apesar da opinião contrária de seus próprios médicos sobre a necessidade dessas medidas cosméticas.

Procedimentos que anteriormente eram adotados para a resolução de problemas tais como incontinência urinária, má formação congênita ou lesões surgidas no nascimento das crianças agora são vendidos por alguns ginecologistas e cirurgiões plásticos como "rejuvenescimento vaginal", ou técnicas cirúrgicas para acentuar a satisfação sexual e melhorar o visual dos genitais.

Até mesmo médicos que não estão divulgando esses procedimentos dizem estar recebendo pedidos de pacientes sobre essas operações.

"Há um interesse impressionante por parte dos pacientes", diz o dr. V. Leroy Young, presidente do grupo de novos procedimentos da Sociedade Americana dos Cirurgiões Plásticos. "Estamos naquele estágio inicial onde há um bocado de entusiasmo a respeito dessas operações".

Young afirma que seu grupo, a maior organização de cirurgiões plásticos dos Estados Unidos, ainda não começou a detectar quantos médicos estão se especializando nesses "cuidados ginecológicos cosméticos" ou no "rejuvenescimento vaginal".

As piadas a esse respeito estão aumentando. E o médico acha que isso prova que, embora essas cirurgias estejam sendo realizadas em número relativamente pequeno comparado ao de outros procedimentos plásticos, as cirurgias vaginais estão se difundindo rapidamente.

O mais popular desses procedimentos é o aperto dos músculos vaginais, ou vaginoplastia, e a redução dos lábios inferiores, também chamado de labioplastia. Os médicos que realizam essas cirurgias, feitas normalmente em regime ambulatorial, sem internação, em menos de duas horas, e que pode custar de U$ 3.500 a U$ 8.000 (de R$ 10.000 a R$ 23.000), dizem que as razões para se fazer essa operação nem sempre são puramente cosméticas; algumas mulheres com lábios largos, segundo os cirurgiões, se sentem incomodadas quando usam calças mais justas ou praticando atividades físicas como andar de bicicleta.

Mas, segundo os médicos, o que está acontecendo basicamente é o reflexo de um marketing agressivo e da influência de modas como as de trajes de banho mais audaciosos, a depilação a cera chamada de "biquíni brasileiro" e a maior exposição da nudez em revistas, filmes e na Internet. Tudo isso atrai mais atenção a uma região do corpo que é tão íntima que algumas mulheres americanas nem ousam olhar mais de perto, ou nem cuidam direito.

"Hoje em dia as mulheres se depilam mais", diz o dr. Gary J. Alter, cirurgião plástico e urologista com consultórios em Beverly Hills, na Califórnia, e em Manhattan, e que inventou sua própria técnica de "contorno labial": "Hoje em dia elas assistem a filmes pornográficos, e estão mais preocupadas com a própria aparência".

Dr. Bernard H. Stern, ginecologista em Fort Lauderdale, na Flórida, que começou a se dedicar com exclusividade à cirurgia genital cosmética há quatro anos, diz ter visto seu negócio quadruplicar esse ano, chegando a realizar de quatro a cinco cirurgias por dia, em pacientes vindas de todos os Estados Unidos e do exterior.

"É um negócio lucrativo e que agrada às pacientes", diz Stern, que tem o próprio web site e que anuncia suas cirurgias em propagandas nas revistas de clubes de strip-tease.

Outros médicos que realizam as cirurgias genitais como parte de sua prática na medicina dizem que agora atendem mensalmente um número considerável de pacientes preocupadas com sua estética vaginal.

Segundo os especialistas, alguns procedimentos, como a reconstituição do hímen, são relativamente raros e restritos às mulheres que precisam atender a regras étnicas ou religiosas sobre virgindade. Um número maior de pacientes reclama de músculos vaginais alargados devido aos partos e ao envelhecimento, ou de lábios interiores que se tornam grandes mais, desiguais ou anti-estéticos.

"Mulheres assim se sentem indesejadas ou feias", diz Stern. "Mesmo que ninguém veja, elas estão vendo".

A instrutora de yoga de Boston, que voou para ser operada pelo dr. Alter em Beverly Hills, numa labioplastia realizada há quatro anos, disse que era "assimétrica": parte de seus lábios vaginais internos sobressaíam mais de um centímetro além dos lábios externos.

"Eu só podia me comparar às mulheres dos filmes pornográficos", ela confessa. "Elas eram pequenas, caprichadas e simétricas. Nenhuma era parecida comigo".

Uma dona de casa de 34 anos, residente em Long Island, Nova York, admite que um problema semelhante a perturbou ao longo da adolescência e do casamento com três crianças. Como outras mulheres que foram entrevistadas para essa matéria, ela só falou sobre o assunto sob a condição de que permanecesse anônima, devido à privacidade do assunto e ao seu "medo do ridículo".

"O problema nunca incomodou meu marido", confessa. "Mas para mim era sempre `Eca!' Tudo o que sei é que não gostava do que eu tinha". Elas procuram cada vez mais a cirurgia plástica nos órgãos genitais Marcelo Godoy

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