UOL Notícias Internacional
 

30/11/2004

EUA não sabem mais separar Estado de religião

The New York Times
Maureen Dowd

Colunista do NYTimes

Em Washington
Fico surpresa ao perceber o quanto me perguntam sobre a minha família. Apesar de eu ser uma colunista liberal, que apóia os democratas, minha família está para lá de vermelho (a cor dos republicanos), tendendo mais ao carmim. Minha irmã foi para o Estado de West Virginia em outubro para trabalhar na campanha de W. [forma como o presidente George W. Bush costuma ser chamado nos EUA].

As pessoas freqüentemente querem saber como é o nosso Dia de Ação de Graças. É adorável --isto é, se você gostar que te digam o quanto Ann Coulter é brilhante, como os editoriais de The New York Times são equivocados, e como o presidente é corajoso por tentar impedir que os Estados Unidos descambem para o paganismo.

Neste ano, os meus irmãos estavam tomados de um espírito belicoso devido às notícias veiculadas pela imprensa dizendo que as escolas públicas de Maryland não ensinam o significado do Dia de Ação de Graças sob uma perspectiva religiosa: "A quem eles acham que os peregrinos agradeceram?", perguntou Martin. "A Deus".

Há momentos --quando os meus irmãos estão concordando com alguma coisa sarcástica que Rush Limbaugh disse a meu respeito, ou elogiando o último provérbio de Pat Buchanan, com quem eles cresceram-- que sinto a tentação de tapar os meus ouvidos com o purê de batatas da mamãe, ou de sair e ler um livro de David Sedaris sobre a vida familiar normal.

Muita gente me pergunta com freqüência por que o presidente Bush conseguiu um apoio tão passional. Meu irmão Kevin, um vendedor que mora no condado de Montgomery, no Estado de Maryland, é capaz de responder a essa pergunta; aqui está uma mensagem recente de e-mail, editada por questão de espaço, que ele enviou aos amigos:

"Senhoras e Senhores,

Faz apenas quatro anos que respirei aliviado e me alegrei com o bom senso do eleitor norte-americano. Parabéns ao presidente Bush por ter sido reeleito em um jogo de pôquer onde as cartas estavam viciadas. Nenhum candidato, incluindo Richard Nixon, jamais teve que enfrentar as táticas preconceituosas e injustas da nossa grande mídia na tentativa de influenciar o resultado da eleição. Ele nunca reclamou, apenas continuou transmitindo sistematicamente a mesma mensagem. Vocês devem se lembrar que, quatro anos atrás, eu me senti fisicamente doente ao ver os democratas tentarem ganhar a presidência por meio de manobras jurídicas.

Um muito grande obrigado a Michel Moore, Susan Sarandon, Rob Reiner, Bill Maher, Barbra Streisand, Alec Baldwin, Al Franken e Jon Stewart pelo seu envolvimento. Vocês certamente mobilizaram as bases. Agora, por favor manifestem a coragem expressa pelas suas convicções e deixem o país.

A Bob Shrum --acabe com sua comissão.

A Mike McCurry, Joe Lockhart e Paul Begala --vocês não parecem ser assim tão brilhantes sem um grande candidato. Ao NYTimes e ao "The Washington Post" --se Bush e Reagan eram tão imbecis, como foi que ambos conseguiram dois mandatos consecutivos como governadores em dois dos nossos maiores Estados (Bush no Texas e Reagan na Califórnia) e presidentes sem que contassem com o seu apoio?

Não vivemos em um país secular. Temos todo tipo de gente de fé que coloca os valores morais acima das liberdades pessoais. Eles não são todos "evangélicos malucos". São pessoas que não gostam de ver Howard Stern na televisão com um espetáculo de pornografia pesada e se abrigando na liberdade defendida pela Primeira Emenda. Eles não gostam que lhes digam que uma garota não precisa ouvir os conselhos da mãe com relação a um aborto. Eles não gostam de ver um feto de oito meses tendo a cabeça perfurada e o cérebro aspirado. Eles não gostam que lhes digam que o Juramento de Lealdade à bandeira, um momento de oração silenciosa e as palavras "sob Deus" sejam ofensivos para uns poucos iluminados, de forma que ninguém possa usá-los.

Minha mulher e eu escolhemos a escola dos nossos filhos com base em três critérios: 1) Valores morais, 2) Disciplina, 3) Ensino religioso --nessa ordem. Gastamos uma quantidade assustadora de dinheiro fazendo tal coisa e não nos arrependemos de um centavo assim aplicado. Na semana passada, no noticiário, ouvi dizer que o departamento de educação do condado de Montgomery aprovou a inclusão de uma disciplina na qual uma menina do segundo ano do segundo grau demonstra como colocar uma camisinha em um pepino. A disciplina traz ainda um estudo sobre o estilo de vida homossexual. A aprovação foi por seis votos a zero. Eu realmente senti que empreguei bem o meu dinheiro na escola particular.

A Dan Rather --boa sorte na sua aposentadoria.

A Gavin Newson --obrigado por todas aquelas excelentes imagens de casais de São Francisco se abraçando na prefeitura, em um desafio direto à lei.

A P. Diddy --o seu "Vote ou Morra" talvez precise de uma pequena reformulação.

A John Edwards --obrigado por ter estado lá.

Aos meus amigos --faltam apenas 1.460 dias para a próxima eleição. Permaneçam atentos. Os democratas, a CBS, o NYT e o "The Washington Post" podem achar que Hillary seja o antídoto perfeito para todos esses eleitores "estúpidos".

Meus cumprimentos, Kevin". Meu irmão é prova de que o país deixou de ser uma nação secular Danilo Fonseca

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