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02/12/2004

Travolta quer retornar do ostracismo pela 3ª vez

The New York Times
Caryn James

Em Nova York
Quando John Travolta for homenageado pelo Museu Americano da Imagem em Movimento, em sua reunião anual no domingo (05/12), é provável que o tributo a sua gere indagações, como: Será que receberá uma terceira nomeação ao Oscar, por seu próximo filme "A Love Song for Bobby Long"?

Essa homenagem inclui seu trabalho como o vilão do planeta Psychlos, em "A Reconquista", o filme de alienígenas? (Ou o museu fingiu que aquilo não aconteceu?) Por fim, quantas vezes ele voltou às paradas?

Pela estimativa mais conservadora, estamos agora aguardando o terceiro retorno de John Travolta, que, por quase três décadas, foi alvo de admiração ou escárnio. Ele se estabeleceu como verdadeiro ator de cinema com "Embalos de Sábado à Noite", em 1977.

No entanto, logo entrou em uma decadência artística que o levou por uma série de filmes de bebês que falavam ( a série "Olha Quem Está Falando"). Quando voltou com "Pulp Fiction", foi uma incrível recordação de que ele sabia representar.

Mas isso aconteceu há 10 anos.

Mais recentemente, ele fez um excesso de detetives raivosos, em filmes que variaram entre medianos ("A Filha do General") até impossíveis de ver ("Violação de Conduta"). É difícil ter respeito artístico depois que você faz o papel de um alienígena de olhos amarelos e garras de borracha ("A Reconquista" foi há apenas quatro anos.)

"Bobby Long" (que estréia no dia 29 de dezembro nos EUA) é um desses filmes pequenos que os atores fazem quando precisam provar que são sérios. É improvável que cause seu próximo grande retorno, pela mesma razão que explica o padrão de montanha russa de sua carreira: ele nunca é melhor que o filme em que está.

Na história sobre três desajustados alegres que descobrem que são uma família, ele é um bêbado grisalho, com sotaque sulista e um segredo sombrio. Em um papel canastrão, ele resiste ao impulso do exagero. Mas ele nunca se sai melhor que o material, tampouco.

Grandes atores acrescentam dimensões aos personagens que o roteiro não lhes deu. Lembre-se de Sean Penn, na história de amor e assassinato, em "Uma Paixão em Florença", ou Johnny Depp, que transformou "Piratas do Caribe" em um parque temático de um homem só. Sem essa qualidade transformadora, Travolta fica nas mãos de más escolhas profissionais.

Sucessos do passado

E foram tantas más escolhas que fica fácil esquecer seu magnetismo na tela. Com Tony Manero, dançando para sair do Brooklyn para o mundo, em "Embalos de Sábado a Noite", ele demonstrou as qualidades que o acompanham até hoje: extrema confiança em seu charme, uma vulnerabilidade que se mostra discretamente, um sorriso que derrete corações congelados. Seria correto ele levar o Oscar na época (ele perdeu para Richard Dreyfuss, em "A Garota do Adeus", uma atuação muito menos marcante).

Com "Pulp Fiction", seu primeiro retorno e segunda nomeação ao Oscar, ele mostrou um novo dom para o humor negro e papéis inesperados, como o cabeludo Vincent Vega. Sua cena de dança com Uma Thurman é um dos grandes momentos de euforia do cinema recente, e ele a faz sem deixar o personagem de Vincent por um segundo. Teria sido difícil arrancar o Oscar de Tom Hanks por "Forrest Gump" naquele ano, mas não teria sido absurdo.

"Pulp Fiction" deveria tê-lo encaminhado para uma nova e brilhante fase, ou ao menos uma série de sucessos bem feitos, como "O Nome do Jogo". Ele faz o papel de Chili Palmer, um malandro simpático, com sonhos hollywoodianos, com facilidade e sagacidade. (A continuação, "Be Cool", está marcada para estrear em março, mas parece ter demorado demais para as pessoas se importarem).

Em vez disso, ele escolheu filmes como "A Última Ameaça", "Fenômeno" e "Michael - Anjo e Sedutor", aquele no qual era um anjo de macacão jeans que fumava. Alguns desses filmes fizeram dinheiro, mas eram tão vulgares que, em poucos anos, ele já estava precisando de outra redenção artística.

E foi isso que tentou com o drama político de Mike Nichols, "Segredos do Poder" (1998). Como uma versão fictícia de Bill Clinton, Travolta acertou nos gestos e no carisma, mas não na seriedade subjacente. O roteiro inteligente atrapalha o ator mais do que o ator atrapalha o filme.

Travolta dividiu a tela com Nicolas Cage no excelente "A Outra Face", de John Woo, filme de ação que apaga as distinções entre bem e mal, com uma trama surpreendente em que mocinho e vilão literalmente trocam de face.

Na produção de "A Reconquista", porém, Travolta não pode culpar ninguém, a não ser a si mesmo. O filme era um daqueles sonhos antigos que os atores devem aprender a evitar. O filme se baseia em um livro de ficção científica de L. Ron Hubbard, que fundou a Igreja da Cientologia e cujas crenças Travolta segue.

O filme não prega as doutrinas de Hubbard, então não é literalmente sobre cientologistas no espaço (apesar de eles considerarem a psiquiatria e a psicologia demoníacas, então um planeta chamado Psychlos diz algo sobre o inimigo). Se fosse um panfleto, em vez de um filme futurístico desconjuntado com efeitos de terceira categoria, teria sido mais intrigante.

Estranhamente, "A Reconquista" é o único filme em que Travolta está quase melhor do que a obra. Está certo, isso não quer dizer muito. Mas parece haver uma alegria em sua performance exagerada, o tipo de comédia que se vê quando um ator inteligente está preso em um filme estúpido e decide divertir-se com ele.

Talvez presumir essa postura em um projeto particular é esperar demais. Mas, durante anos, esperamos pouco demais de alguém tão talentoso e recebemos exatamente isso. Astro pode ganhar indicação ao Oscar por atuação no próximo filme Deborah Weinberg

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