UOL Notícias Internacional
 

03/12/2004

Diretor do Citigroup tenta acalmar os investidores

The New York Times
Landon Thomas Jr.

Em Nova York
Charles O. Prince, diretor executivo do Citigroup, tomou uma série de medidas simbólicas para aliviar as preocupações de investidores de que sua empresa, a maior instituição financeira do mundo, é grande demais para ser administrada, sem falar em crescer.

Depois de remover altos executivos do Citigroup e fazer reverências diante das câmeras no Japão, Prince começou a contemplar medidas mais concretas para assegurar maior retorno do capital do Citigroup e reanimar suas ações em queda.

Nos últimos meses, Prince e executivos do Citigroup tiveram discussões detalhadas sobre as opções estratégicas para o setor de gestão de ativos, inclusive uma reestruturação interna, a venda para outra instituição ou, no cenário menos provável, um desdobramento do setor, de acordo com executivos que participaram das reuniões.

Uma porta-voz do Citigroup recusou-se a comentar.

O setor de gestão de ativos há muito é um componente central da visão de Sandorf I.Weill para o Citigroup. Weill o vê como um vasto supermercado financeiro, destinado a fazer vendas cruzadas, que vão de seguros de automóveis até fundos de ações, por meio de sua ampla rede de distribuição.

Tal medida, portanto, seria uma mudança radical nessa filosofia. A unidade administra US$ 501 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) em ativos, inclusive US$ 142 bilhões (aproximadamente R$ 426 bilhões) de fundos mútuos, inclusive a bandeira Smith Barney (e US$ 255 bilhões, em torno de R$ 765 bilhões, em contas institucionais).

Entretanto, nos últimos três anos, alguns diretores em Wall Street começaram a lancar olhares para o setor. Enquanto isso, a fiscalização começou a dificultar a venda pelos bancos de seus próprios produtos, especialmente fundos mútuos.

As discussões continuam no Citigroup. Seus executivos dizem que nenhuma decisão final foi alcançada e que Prince ainda pode engavetar as propostas.

A Merrill Lynch começou a trilhar esse caminho no início do ano, quando negociou com a Legg Mason a venda parcial de sua unidade gestora de fundos. Mas, depois, a Merrill desistiu da idéia.

Mesmo assim, E. Stanley O'Neal, diretor executivo da Merrill, disse publicamente que, nos próximos anos, os conflitos internos de bancos de investimento que administram fundos mútuos vão "produzir algumas mudanças".

Executivos do Citigroup admitem que o setor gestor de ativos, que nos primeiros nove meses deste ano contribuiu com meros 2,2% dos lucros totais da empresa, não é central para o grupo. Eles dizem que o gerenciamento de dinheiro de investidores é essencialmente um serviço de manufatura, em uma instituição que historicamente vive da distribuição.

E agora que apenas 25% dos fundos da Smith Barney são vendidos por seus 12.000 agentes, a premissa original de vendas cruzadas que marcou a aquisição da Smith Barney por Weill, em 1987, talvez não se sustente.

A venda da semana passada da unidade de leasing de caminhões do Citigroup, outra "manufatura", para a General Electric, por US$ 4,4 bilhões (em torno de R$ 13,2 bilhões), foi a mais recente manifestação dessa forma de pensar.

Os comentários de Robert B. Willumstad, chefe de operações do Citigroup e antigo discípulo de Weill, também foram instrutivos. Ele afirmou, na época, que a venda tinha sido movida pelo desejo do banco de "alocar seu capital mais eficientemente". Executivos do Citigroup também disseram que a divisão não oferecia oportunidades de vendas casadas.

Certamente que a venda do setor gestor de ativos não representa o início do desmonte do Citigroup. Ele continua sendo uma franquia de bancos dominante, e sua carteira de negócios, que vão de cartões de crédito até bancos de investimento e corretagem, o torna a mais diversa das instituições financeiras.

Ao mesmo tempo, o movimento na direção da distribuição está se tornando mais evidente. Começou em 2002, quando Weill criou a Travelers Property Casualty, que dá ao banco produtos de segurança para residências, automóveis e empresas. "Houve uma mudança na rentabilidade da manufatura para a distribuição", disse Weill na época.

Tendo presidido sobre a venda da empresa de leasing de caminhões, Willumstad agora está olhando de perto o setor gestor de ativos. Atualmente ele o supervisiona, como diretor da divisão de gerenciamento global de investimentos do Citigroup.

Willumstad assumiu o cargo em outubro, depois que Thomas W. Jones foi despedido por Prince, por seu papel no escândalo do banco privado do Citigroup ter sido proibido de operar do Japão.

Apesar de os fundos mútuos do Citigroup não terem sido alvo da fiscalização, a divisão recentemente tornou-se uma dor de cabeça para Prince. A Comissão de Títulos e Câmbio (a CVM americana) está atualmente investigando se o setor gestor de ativos, sob a supervisão de Jones, recebeu pagamentos impróprios de outros bancos de investimentos.

Quanto ao desempenho da unidade, foi pouco extraordinário, com os fundos mútuos da Smith Barney produzindo um retorno cumulativo de cinco anos de 1,86%, de acordo com a Morningstar. O índice ficou atrás de bancos de investimento como Merrill Lynch e Morgan Stanley, que tiveram seus próprios problemas com desempenho, assim como gerentes de fundos dedicados como T. Rowe Price.

Apesar dessas questões, os analistas dizem que o negócio pode atrair significativo interesse dos investidores. Atualmente, as empresas gestoras de ativos são negociadas por múltiplos de preço/lucro que se aproximam ou até excedem 20 vezes, o que vai muito além do preço deprimido do próprio Citigroup, de apenas 12 vezes seu lucro.

Um método geral, mas nem sempre preciso, de avaliar as franquias gestoras de ativos é pegar 2% dos ativos que administra. Neste caso, isso daria um valor à unidade de US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 30 bilhões).

Os banqueiros dizem, entretanto, que é improvável que comande tal preço, dada a possibilidade da migração de bilhões da unidade depois de tal acordo.

Outra possibilidade é o Citigroup usar a unidade de gerenciamento de bens como ficha de negociação, oferecendo-a a outra empresa em troca de um negócio que se encaixe melhor no perfil do banco. Banco quer contornar crise no estratégico setor de gestão de ativos Deborah Weinberg

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