UOL Notícias Internacional
 

04/12/2004

EUA registram frustrante expansão do emprego

The New York Times
Edmund L. Andrews

Em Washington
A economia acrescentou 112 mil empregos às folhas de pagamento em novembro, informou nesta sexta-feira (03/12) o Departamento do Trabalho americano, bem menos do que no mês anterior e insuficiente para acompanhar o crescimento da população adulta.

O ganho ficou bem abaixo das previsões de Wall Street de um aumento de cerca de 200 mil vagas de trabalho, e o emprego no setor de manufatura permaneceu estagnado pelo terceiro mês consecutivo.

A taxa geral de desemprego caiu de 5,5% em outubro para 5,4% no mês passado, disse o Departamento do Trabalho. A taxa de desemprego tem se mantido praticamente inalterada desde julho.

Os investidores em títulos reagiram imediatamente ao relatório decepcionante elevando os preços dos títulos do Tesouro, na expectativa de que o crescimento econômico será mais moderado e que as taxas de juros estarão sob menos pressão para aumentar. Como resultado, o dólar se desvalorizou acentuadamente em relação a outras moedas e atingiu outra baixa recorde frente ao euro.

"A economia está criando empregos, mas não em um ritmo febril", disse Richard Yamarone, economista-chefe da Argus Research, uma firma de pesquisa econômica em Nova York. "O crescimento econômico não está se expandindo em um ritmo capaz de provocar um crescimento estelar do emprego, e eu acho que teremos que nos acostumar com estes números."

Mas analistas disseram que o quadro mais amplo sugere que a economia ainda aponta para um crescimento moderado e ganhos modestos no emprego ao longo do próximo ano.

Até o momento neste ano, a economia adicionou mais de 1,5 milhão de empregos, em um ritmo médio de cerca de 178 mil empregos por mês desde setembro.

Os economistas estimam que o país precisa gerar cerca de 150 mil empregos por mês para acompanhar o crescimento da população.

Apesar de o emprego ter progredido praticamente no mesmo ritmo ao longo do ano passado, a criação de empregos continua bem mais lenta desde que a última recessão terminou, três anos atrás, do que em qualquer outra recuperação econômica desde a Segunda Guerra Mundial.

As mudanças mês a mês no emprego em folha de pagamento são notoriamente voláteis e desafiam as previsões de consenso de Wall Street com grande freqüência.

Os analistas ficaram surpresos no mês passado quando o Departamento do Trabalho relatou que o emprego em folha de pagamento tinha crescido em 337 mil vagas em outubro, e que os ganhos em agosto e setembro tinham sido maiores do que anteriormente imaginado.

Nesta sexta, o Departamento do Trabalho revisou para baixo sua estimativa de outubro para 303 mil empregos. Mas os analistas disseram que tal número foi exagerado por eventos especiais e questões estatísticas.

"Outubro agora claramente se destaca como uma exceção, em parte graças ao efeito do furacão e em parte, nós achamos, por simples erro de amostragem", escreveu Ian Shepherdson, economista-chefe para Estados Unidos da High Frequency Economics em Valhalla, Nova York.

O departamento também reduziu a estimativa de setembro de 139 mil para 119 mil empregos. Em Wall Street nesta tarde, o preço do título referencial de 10 anos do Tesouro subiu mais de um ponto, enquanto seu rendimento caiu de 4,41% para 4,27% no final da quinta-feira. Com o dólar enfraquecido pelo declínio das taxas de juros, o euro sofreu uma valorização recorde de US$ 1,3270 para US$ 1,3461 no final da quinta-feira.

Enquanto isso, as ações exibiam pouca mudança no meio da tarde.

Apesar da agitação de sexta-feira no mercado de títulos, os novos números do emprego dificilmente impedirão o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, de elevar sua taxa de juros referencial de curto prazo em outro quarto de ponto percentual, para 2,25%, em sua próxima reunião em 14 de dezembro.

O Fed tem aumentado as taxas de juros desde junho, no que o banco central chama de "ritmo moderado", e seus diretores não deram indício de que estão prontos para suspender tal processo. De fato, o crescimento econômico provavelmente ultrapassará 4% em 2004, bem acima da taxa de crescimento a longo prazo, e as taxas de juros "reais" estão abaixo de zero após a subtração dos efeitos da inflação.

A maioria dos economistas reduziu suas previsões para 2005, com muitos prevendo que o crescimento diminuirá para pouco mais de 3%. Espera-se que os altos preços da energia sejam parte do motivo, juntamente com o aumento das taxas de juros e uma moderação há muito esperada no consumo. Mas os Estados Unidos também enfrentam pressões inflacionárias devido à disponibilidade de dinheiro barato, altos preços da energia e desvalorização do dólar.

Os diretores do Fed parecem divididos entre aqueles que estão preocupados com as pressões inflacionárias e aqueles que vêem uma fraqueza na economia. Mas mesmo aqueles preocupados com o lento crescimento parecem dispostos a prosseguir com aumentos adicionais nos juros por ora. Foram abertos 112 mil postos de trabalho; expectativa eram 200 mil George El Khouri Andolfato

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