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06/12/2004

Kerry 'poupou' US$ 14 milhões em sua campanha

The New York Times
Glen Justice

Em Washington
O senador John Kerry tinha mais de US$ 14 milhões disponíveis em uma das contas da sua campanha no final de novembro, segundo um relatório enviado à Comissão Federal de Eleição, na última quinta-feira (02/12), o que fez com que alguns democratas reclamassem, alegando que o senador poderia ter empregado todo o dinheiro para procurar derrotar o presidente Bush ou ajudar outros candidatos democratas.

Um porta-voz de Kerry disse na sexta-feira que o senador por Massachusetts reservou os milhões de dólares para empregá-los em uma eventual recontagem de votos ou para pagar os custos de disputas na justiça eleitoral, caso a eleição se transformasse em uma repetição da acirrada disputa ocorrida na Flórida em 2000.

Mas alguns democratas dizem que Kerry poderia ter transferido essa quantia para o partido, a fim de cobrir os custos com propagandas televisivas ou campanhas de mobilização de eleitores nos últimos dias da disputa presidencial e congressual.

A polêmica quanto ao dinheiro não utilizado representa mais uma cisão no partido, que luta para encontrar nova liderança e rumo após as derrotas para os republicanos em novembro.

"Quando vi o dinheiro que restou sobre a mesa, fiquei em estado de choque", conta Donna Brazile, que administrou a campanha de Gore em 2000. "Superei a minha depressão apenas para ficar furiosa".

Um dos maiores arrecadadores de verbas para a campanha de Kerry ficou especialmente irritado. "Ou eles estavam segurando o dinheiro para o caso de Kerry ser derrotado, ou foram negligentes", disse o indivíduo, que não quis se identificar por medo de prejudicar os seus colegas de campanha.

Ele disse que o fato foi particularmente irritante porque vários arrecadadores de verbas trabalharam até o fim para arrecadar dólares para o partido. "Eu estava suplicando aos doadores para assinarem cheques polpudos", disse ele. "E esses cheques podem ter correspondido ao dinheiro não utilizado. Não se deixa US$ 14 milhões no banco em meio a uma campanha tão disputada".

Mas o porta-voz de Kerry, David Wade, defendeu energicamente a posição tomada. "Nós mantivemos fundos de reserva para enfrentar uma batalha corpo a corpo com o exército de Karl Rove em um conflito do tipo terra arrasada em até cinco Estados", afirma. "Não queríamos sucumbir for falta de verbas na hipótese de uma recontagem".

Os assessores de Kerry frisam também que o senador estabeleceu um recorde para um candidato presidencial ao arrecadar US$ 249,5 milhões e que a campanha forneceu milhões de dólares para o Partido Democrata em todos os níveis.

Quase US$ 24 milhões foram transferidos para o Comitê Nacional Democrata até o final de novembro, enquanto os candidatos à Câmara e ao Senado receberam US$ 3 milhões cada, segundo a PoliticalMoneyLine, que monitora as finanças de campanha. Verbas adicionais foram direcionadas para organizações democratas e eventos estaduais em todo o país.

As leis de financiamento de campanha permitem que Kerry repasse verbas a outros democratas do partido, ou que as utilize em outras disputas federais. Assessores dizem que ele utilizará o excedente para ajudar os democratas que concorrerão ao Senado.

"Desde a eleição, nós prestamos auxílio financeiro para a crítica contagem de votos para o governo do Estado de Washington e contribuímos para as eleições de segundo turno na Louisiana", disse Wade.

Os US$ 14 milhões, que estavam depositados em uma conta que Kerry utilizou durante as primárias democratas, teriam aumentado as verbas disponíveis, de cerca de US$ 7 milhões, em uma outra conta destinada a despesas com procedimentos legais e contábeis, e que seriam utilizadas em uma recontagem de votos. Bush dispunha de cerca de US$ 15,6 milhões em uma conta similar.

Kerry gastou US$ 74 milhões dos US$ 75 milhões em fundos públicos de que dispunha na sua conta geral para a eleição, e tinha uma dívida de quase US$ 2 milhões.

Embora jamais vá se saber que diferença o dinheiro não utilizado teria feito em uma campanha na qual os dois candidatos e seus partidos investiram mais de US$ 1 bilhão, outros democratas necessitaram de dinheiro. Por exemplo, o Comitê de Campanha Congressual Democrata tinha uma dívida de mais de US$ 10 milhões e apenas US$ 5 milhões disponíveis em 22 de novembro.

Já Bush gastou a maior parte da verba disponível na conta que criou durante as primárias, quando estabeleceu um recorde, ao arrecadar US$ 274 milhões. Após mais de US$ 11 milhões serem transferidos para o Comitê Nacional Republicano duas semanas antes do dia da eleição, restavam US$ 2 milhões na conta em 22 de novembro. Da conta geral para a eleição de Bush, que, como a de Kerry, consistia de US$ 75 milhões em financiamento público, restaram US$ 4 milhões, e uma dívida de cerca de US$ 1 milhão.

Brazile, que foi uma das primeiras a questionar os fatos quando a "Associated Press" anunciou no mês passado o descontentamento com a não utilização do dinheiro, disse que a situação é vergonhosa. Após ter passado o dia da eleição na Flórida comprando água para os eleitores que aguardavam em filas enormes, ela disse que pelo menos uma porção do dinheiro poderia ter sido utilizada para conseguir mais votos.

"Poderíamos ter comprado a empresa de água", ironiza. Porta-voz diz que dinheiro seria usado em eventual recontagem Danilo Fonseca

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