UOL Notícias Internacional
 

07/12/2004

Estresse na gravidez afeta filho, dizem pesquisas

The New York Times
Laurie Tarkan

Em Nova York
Escutando atentamente aos movimentos e batimentos cardíacos, pesquisadores estão descobrindo que os fetos de mães que são estressadas ou deprimidas respondem diferentemente dos fetos de mulheres emocionalmente saudáveis.

Após o nascimento, indicam os estudos, estas crianças apresentam um risco significativamente maior de desenvolvimento de problemas de aprendizado e comportamentais, e também podem ficar mais vulneráveis à depressão ou ansiedade à medida que crescem.

Os estudos, alertaram os pesquisadores, são preliminares. Estresse ou depressão durante a gravidez são apenas duas entre as muitas influências que afetam o desenvolvimento do bebê. Mesmo entre as mães que são deprimidas ou altamente estressadas, a taxa de problemas emocionais ou comportamentais em crianças ainda é muito baixa.

"A última coisa que as mulheres grávidas precisam é ter mais alguma coisa com que se preocupar", disse a dra. Janet DiPietro, uma psicóloga desenvolvimental da Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins.

Os estudos refletem crescentes evidências de que o estresse e a depressão podem ter efeitos precoces e duradouros na vida da criança.

Se os resultados forem confirmados, disseram especialistas, eles poderão eventualmente levar obstetras e outros profissionais de saúde que cuidam de mulheres grávidas a incluírem exames de saúde mental como parte rotineira dos exames pré-natais. Tal avaliação poderá levar os médicos a recomendarem terapia ou tratamento para as mulheres grávidas que sofrem de depressão ou outras desordens.

"Nós poderíamos intervir mais cedo", disse a dra. Catherine Monk, professora assistente no departamento de psiquiatria da Faculdade de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Colúmbia. "O atendimento pré-natal é um ótimo momento para a realização de exames de saúde mental, mas nós não os fazemos."

Os efeitos do estresse sobre o feto são bem documentados em estudos envolvendo animais.

Nos ratos, descobriram os pesquisadores, os filhotes nascidos de mães estressadas exibem mudanças permanentes na química do cérebro e no comportamento. Por exemplo, os filhotes de rato expostos ainda na gestação a níveis elevados do hormônio do estresse, a corticosterona, nasceram com número reduzido de receptores de corticosterona no cérebro, e os animais exibiram respostas exageradas ao estresse.

Nos seres humanos, há evidências convincentes de que há uma maior probabilidade de mulheres grávidas estressadas darem à luz prematuramente ou os bebês nascerem abaixo do peso.

Nos últimos anos, os cientistas começaram a estudar os efeitos mais sutis, estudando como os fetos em gestação respondem à ansiedade ou depressão de suas mães, a saúde emocional dos bebês após o nascimento e como se comportam durante a infância. Alguns estudos ofereceram vislumbres incomuns do relacionamento simbiótico entre a mãe e a criança em desenvolvimento.

Monk mediu o aumento e redução do batimento cardíaco do feto quando sua mãe está sob estresse.

Em um estudo, mulheres no terceiro trimestre da gravidez passaram por exames psicológicos de depressão e ansiedade. Foi pedido a elas que realizassem uma série de tarefas indutoras de estresse no computador. Como esperado, todas as mulheres exibiram aumento do batimento cardíaco, respiração e pressão sangüínea. As respostas dos fetos foram mais variadas. Os fetos das mães que eram deprimidas ou tinham personalidades ansiosas exibiram aumento do batimento cardíaco. Por outro lado, os batimentos cardíacos dos fetos cujas mães eram emocionalmente saudáveis não exibiram flutuação.

Monk disse que os fetos não estavam simplesmente imitando as respostas de suas mães.

"Isto nos dá outra interpretação", disse ela. "Os fetos de mulheres deprimidas ou altamente ansiosas reagem mais aos estímulos do que os outros fetos."

Ela comparou as respostas dos fetos à forma como as pessoas em uma sala de espera podem reagir diferentemente à batida de uma porta. Neste caso, os fetos podem estar reagindo ao aumento do batimento cardíaco e respiração da mãe, ou a um salto dos hormônios do estresse.

Monk disse que as mulheres deprimidas têm uma maior dificuldade para lidar com o estresse, que provoca níveis mais elevados de hormônios do estresse como o cortisol. Ela especulou que estes níveis mais elevados, por sua vez, podem deixar os fetos mais sobressaltados.

"Minha hipótese é de que ao longo da gestação eles foram expostos a um ambiente alterado no útero, que incluía níveis elevados de hormônios do estresse", disse Monk. "Isto pode deixar os fetos mais suscetíveis a estressores no futuro, e por extensão, como o estresse tem um papel no desenvolvimento da depressão, pode torná-los maias vulneráveis à depressão no futuro."

Apesar do estresse e da depressão estarem estreitamente interligados, os pesquisadores acreditam que o estresse afeta de forma mais potente o desenvolvimento pré-natal. Em um estudo de DiPietro, as mulheres grávidas que viam suas vidas, e em particular suas gravidezes, como estressantes, apresentam fetos mais ativos no exame de ultra-som.

Outros estudos associaram níveis mais elevados de hormônios do estresse na mãe com fetos mais ativos.

DiPietro descobriu que fetos mais ativos tendem a se tornar crianças de 1 ano mais ativas, fornecendo alguma evidência de que os efeitos não são transitórios.

Nos recém-nascidos, os pesquisadores também descobriram que os efeitos da depressão da mãe persistem. Um estudo publicado neste ano na "Infant Behavior & Development" comparou 70 mulheres grávidas com depressão com 70 mulheres grávidas sem depressão.

O estudo revelou que comparados aos bebês de mães saudáveis, os recém-nascidos das mães com sintomas de depressão apresentavam níveis mais elevados de cortisol e níveis mais baixos de dopamina e serotonina, dois neurotransmissores que foram associados à depressão.

Os recém-nascidos também apresentavam capacidade de aprendizado menos desenvolvida, apresentaram menor resposta a estímulos sociais e eram menos capazes de se acalmarem quando agitadas, disse a dra. Tiffany Field, autora do estudo e diretora dos Touch Research Institutes da Escola de Medicina da Universidade de Miami.

Em outro estudo, Monk colocou os bebês recém-nascidos em berços especialmente projetados que inclinavam 30 graus de um lado e do outro, um método padrão para testar a resposta dos recém-nascidos. Quando a cabeça do bebê está para baixo, o batimento cardíaco normalmente diminui em resposta ao estresse. Mas os recém-nascidos de mães deprimidas apresentaram uma diminuição menor do batimento cardíaco, sugerindo uma menor capacidade de adaptação ao estresse. Avaliação da saúde mental da mãe poderá integrar exame pré-natal George El Khouri Andolfato

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