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07/12/2004

EUA não sairão do Iraque em menos de 4 anos

The New York Times
Eric Schmitt

Na cidade do Kuait
O secretário de defesa americano, Donald H. Rumsfeld, disse nesta segunda-feira (06/12) que esperava que as tropas americanas se retirassem do Iraque em um prazo de quatro anos, mas advertiu que a decisão final dependerá do progresso do governo civil iraquiano e das forças de segurança.

Quando repórteres viajando com ele perguntaram se as forças americanas estariam fora do Iraque ao final do segundo mandato do presidente George W. Bush, Rumsfeld fez uma pausa e perguntou se queriam dizer o segundo mandato de quatro anos. Quando disseram que sim, ele respondeu: "Certamente espero que esse seja o caso."

Rumsfeld observou prontamente que o presidente Bush disse várias vezes que as forças americanas ficarão no Iraque o tempo que for necessário. A resposta de Rumsfeld, no entanto, deu pistas intrigantes sobre sua forma de pensar dois assuntos cruciais: a permanência das forças americanas no Iraque e quanto tempo ele ficará no cargo.

O Departamento de Defesa, na semana passada, anunciou que ia aumentar o número de soldados americanos no Iraque de 138.000 para 150.000, até o início do próximo mês, para prover segurança às eleições iraquianas no dia 30 de janeiro e manter a pressão sobre os revoltosos.

Autoridades do Pentágono disseram que esse é apenas um aumento temporário, até março. No entanto, oficiais militares americanos e autoridades iraquianas previram que os EUA teriam que manter uma importante presença de tropas no Iraque durante anos, para combater a insurgência mortífera e ajudar a impedir uma guerra civil.

O presidente Bush, na semana passada, pediu a Rumsfeld que permanecesse no cargo durante seu próximo mandato. Rumsfeld confirmou nesta segunda que aceitou "entusiasmado". Mas Rumsfeld disse que ele e o presidente não discutiram quanto tempo permaneceria, e o secretário recusou-se a entrar no assunto com os repórteres.

Rumsfeld chegou ao Kuait para uma viagem de quatro dias, que inclui, além de uma visita às tropas aqui e uma parada na Índia, a participação na cerimônia de posse do presidente afegão, Hamid Karzai, em Cabul, na terça-feira, na companhia do vice-presidente Cheney.

Falando aos repórteres a bordo de seu avião na segunda-feira, Rumsfeld estava extraordinariamente reflexivo e sugeriu que apreciaria a oportunidade de servir mais quatro anos. Por fim, é claro, a decisão estará com Bush.

Rumsfeld disse que gosta de trabalhar com Bush, que ele chamou de "excelente executivo". Com 72 anos, listou como fatores positivos para seu trabalho ter boa saúde, não ter filhos pequenos e estar animado para enfrentar uma série de desafios profissionais, desde a reforma das bases militares no exterior até do sistema de pessoal do Pentágono.

"Sinto-me afortunado, neste ponto da minha vida, em poder contribuir com meu trabalho nesses projetos importantes", disse Rumsfeld, que tem a distinção de ter sido o mais jovem e o mais velho secretário de Defesa da história dos EUA (também serviu ao presidente Gerald Ford, que governou entre 1974 e 1976).

Quando perguntaram se tinha pensado em renunciar em seu primeiro mandato, ele disse: "Certamente, há dias assim", sem mencionar nenhum incidente em particular.

Revendo os últimos quatro anos, ele admitiu que seus dois maiores erros --apesar de não terem sido necessariamente dele-- foram a ausência de armas de destruição em massa no Iraque ("certamente foi um desapontamento") e a falta de dados de inteligência que previssem o "grau da insurgência hoje".

Rumsfeld continuou rebatendo os críticos que dizem que os EUA não enviaram tropas suficientes ao Iraque para dar segurança logo após a guerra e agora, para combater os insurgentes.

Ele disse que o número de soldados enviados estava, em grande parte, fora de seu controle, já que seguia o conselho e pedidos de seus comandantes regionais, general Tommy R. Franks e agora, general John P. Abizaid e George W. Casey Jr.

Tecnicamente, pode ser verdade, mas é Rumsfeld quem aprova todas as decisões em torno do tamanho das tropas no Iraque e é famoso entre seus comandantes e assessores por exigir explicações detalhadas sobre os movimentos das tropas.

Comandantes americanos no Iraque disseram que o momento para a retirada das tropas do Iraque dependerá da situação de segurança em terra e da capacidade das forças de segurança iraquianas, hoje com 115.000 homens, de conduzir operações com independência e competência.

Rumsfeld disse que os iraquianos vêm "se saindo muito bem", mas admitiu que, na batalha contra uma resistência bem treinada, bem armada e bem organizada, algumas tropas, como o exército iraquiano, lutaram bem, mas que a polícia, mal equipada, não estava preparada para combater os militantes.

"Então, temos a tarefa de continuar treinando e equipando os iraquianos, para que possam assumir a responsabilidade de segurança de seu país", disse Rumsfeld. "Haverá passos à frente e passos para trás."

Rumsfeld disse que, apesar dos ataques crescentes contra a polícia e outras forças de segurança iraquianas, não há falta de recrutas. "A tarefa mais difícil é a de liderança no nível médio; de segurar a moral".

Os ministérios do interior e de defesa iraquianos, com a ajuda de oficiais americanos, continuam tentando estabelecer escalas de pagamento justas para os soldados que moram em casa, desenvolver sistemas de compensação para famílias de combatentes iraquianos mortos em ação e criar sistemas de promoção e avaliação, disse ele.

"Os extremistas decidiram que as forças de segurança iraquianas são um perigo para eles", disse Rumsfeld. "De outra forma, por que estariam tentando matar tantos deles?"

Rumsfeld disse que os guerrilheiros não podem derrotar as forças americanas militarmente. "Só o que podem fazer é tentar resistir por mais tempo", disse ele. A previsão é do secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld Deborah Weinberg

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