UOL Notícias Internacional
 

08/12/2004

Brasil ajudou a financiar a ditadura de Pinochet

The New York Times
Larry Rohter e

Timothy L. O'Brien

Em Nova York
O general Augusto Pinochet, e ex-ditador chileno, recebeu pagamentos multimilionários de governos de vários países, incluindo o Brasil, durante os 25 anos em que foi governante e chefe das forças armadas do Chile, segundo documentos descobertos durante uma investigação de um comitê do Senado da lavagem de dinheiro no Riggs Bank.

Os documentos, incluindo as declarações financeiras comprovadas de Pinochet, mostram que ele recebeu US$ 3 milhões do governo americano em 1976, assim como US$ 1,5 milhão do Paraguai, US$ 1 milhão da Espanha, US$ 2,5 milhões da China, um pagamento combinado de US$ 3 milhões da Grã-Bretanha, Malásia e Brasil, e um pagamento combinado de US$ 2,5 milhões da Grã-Bretanha e da China em anos alternados. De 1974 a 1997, os pagamentos totalizaram pelo menos US$ 12,3 milhões.

Os documentos, originalmente fornecidos para o Riggs pelo Ministério da Defesa chileno, foram verificados por altos executivos do Riggs que avaliavam a fonte da riqueza do general. Os pagamentos dos governos estrangeiros foram descritos como "comissões de serviço e viagens ao exterior".

Pinochet, que tem 89 anos, assumiu o controle do governo chileno em 1973, após a derrubada do governo eleito de Salvador Allende. Ele instituiu um Estado policial, supervisionou o rapto e morte de cerca de 4 mil dissidentes políticos, estabeleceu a base de uma economia estável e manteve controle rígido do governo chileno até 1990.

Ele permaneceu comandante-em-chefe das forças armadas até 1998. Ele enfrenta acusações de violações de direitos humanos no Chile assim como investigações da receita federal e do legislativo chilenos por suas transações financeiras.

Em 1976, o ano em que Pinochet recebeu seu pagamento dos Estados Unidos, ocorreram dois eventos chaves para o Chile. Os serviços de inteligência do Chile e de outros países sul-americanos concordaram na realização de uma campanha abrangente para matar oponentes políticos exilados. Logo depois disto, um ex-ministro das Relações Exteriores do Chile, Orlando Letelier, e seu assistente americano foram mortos na explosão de seu carro em uma rua movimentada de Washington, um evento que levou a uma reavaliação do relacionamento dos Estados Unidos com o governo Pinochet.

O Riggs Bank, uma subsidiária da Riggs National Corp., com sede em Washington, está envolvido em investigações federais de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo desde o final de 2002. Na época, investigadores federais começaram a examinar as contas da embaixada da Arábia Saudita no banco em busca de possíveis ligações com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, uma ligação que posteriormente foi descartada pelas autoridades americanas.

Mesmo assim, impropriedades foram descobertas na forma geral como as contas sauditas eram movimentadas no Riggs, assim como a administração das contas de Pinochet. As fontes de cerca de US$ 700 milhões em moeda e contas de investimento no Riggs, de controle da nação africana da Guiné Equatorial e de alguns de seus líderes também estão sob investigação, abertas na época em que empresas americanas cortejavam a Guiné Equatorial, um produtor de petróleo.

Em maio, reguladores federais multaram o Riggs por não cumprir as leis de sigilo bancário, e uma investigação criminal do banco e de seus executivos por possível lavagem de dinheiro está em andamento no Departamento de Justiça. Nenhum membros dos Riggs foi acusado de transgressão, mas um ex-executivo da Riggs é alvo de uma investigação do grande júri por fraude bancária.

Os sauditas negaram repetidas vezes qualquer transgressão, enquanto o governo da Guiné Equatorial se recusou a comentar. Um advogado de Pinochet, e de sua fundação sem fins lucrativos no Chile, se recusou a comentar na segunda-feira sobre as fontes da riqueza do general e os negócios com o Riggs.

Os investigadores do Senado publicaram em julho um longo relatório que detalhava as contas multimilionárias de Pinochet e sua esposa, Lucia, no Riggs. As contas, no valor de US$ 4 milhões e US$ 8 milhões, foram camufladas e transferidas ao redor do mundo por vários anos com a cooperação de diretores do Riggs.

O subcomitê de investigação do Senado divulgou as declarações financeiras do general há cerca de três semanas. Uma jornalista independente chilena, Patricia Verdugo, discutiu os novos documentos em público pela primeira vez na sexta-feira, em uma coletiva de imprensa em Santiago, a capital do Chile.

O próprio histórico de Pinochet no Riggs indica que ele era cliente do banco desde 1985 e que o banco usou seu testamento, contratos, declarações financeiras e recibos de venda para verificar sua riqueza. Apesar de Pinochet nunca ter ganhado mais do que um modesto salário do governo, o Riggs descreveu a fonte de sua prosperidade como "herança de família" e uma "posição de alta remuneração no setor público por muitos anos".

Os investigadores do governo chileno revelaram que suas declarações financeiras ocupavam "100 mil volumes de livros", "depósitos em várias instituições financeiras", "royalties" de livros e investimentos em imóveis. Documentos do banco Riggs expõem as contas do ditador chileno George El Khouri Andolfato

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