UOL Notícias Internacional
 

08/12/2004

Câmara aprova mudança na inteligência dos EUA

The New York Times
Philip Shenon

Em Washington
A Câmara votou em peso nesta terça-feira (07/12) pela aprovação de um amplo projeto de reforma da inteligência defendido pelo presidente Bush e pela comissão independente de 11 de setembro, rejeitando o apelo final de um grupo de influentes republicanos da Câmara que no mês passado quase conseguiram derrubar a medida.

A votação na Câmara, 336 votos contra 75, foi vista pelos autores do projeto como a superação do último grande obstáculo para a aprovação da legislação, que reestruturará a comunidade de inteligência da nação e criará o cargo de diretor nacional de inteligência para supervisionar a CIA e as outras 14 agências de espionagem do governo. O projeto deverá ser aprovado facilmente no Senado em uma votação marcada para est quarta-feira, permitindo que Bush a sancione no final da semana.

Apesar de uma votação final do projeto na Câmara ter sido bloqueada em novembro, depois que líderes republicanos insistiram que suas contagens indicavam que poderiam não contar com o apoio da maioria dos deputados republicanos, os republicanos votaram a favor em uma proporção de mais de dois para um, 152 contra 67. Apenas oito democratas votaram contra o projeto.

O projeto, que implementará as principais recomendações da comissão independente de 11 de setembro, foi descrito por seus autores na Câmara como um esforço para reparar o que a comissão bipartidária considerou como uma comunidade de inteligência disfuncional. Argumentando que a medida forçará as agências de espionagens adversárias a cooperarem para impedir outro ataque catastrófico em solo americano, vários dos autores na Câmara notaram que a votação de terça-feira ocorreu no 63º aniversário do ataque surpresa contra Pearl Harbor.

"Sete de dezembro sempre nos recorda da vulnerabilidade em nosso território", disse a deputada Jane Harman da Califórnia, a líder da bancada democrata no Comitê de Inteligência da Câmara e uma das principais articuladoras do projeto na Câmara.

"Mas assim que aprovarmos este projeto, 7 de dezembro representará outra coisa. A data representará nossa determinação em tornar nossa nação mais segura."

A votação ocorreu após uma reunião privada dos deputados republicanos na manhã de terça-feira, na qual ouviram o apelo final dos legisladores que continuavam querendo bloquear ou alterar o projeto, incluindo o deputado F. James Sensenbrenner, republicano de Wisconsin e o poderoso presidente do Comitê Judiciário da Câmara.

Assessores disseram que apesar de Sensenbrenner ter sido aplaudido pelos seus colegas por sua campanha fracassada para inserir artigos no projeto para expandir os poderes das agências de manutenção da lei e imigração, o consenso entre os republicanos da Câmara era de passar para a votação final e encerrar o confronto com a Casa Branca, que estava ameaçando embaraçar o presidente Bush apenas semanas após sua reeleição.

Horas depois, no debate final da medida no plenário da Câmara, Sensenbrenner condenou o projeto, dizendo que as partes dele que lidam com o controle de imigração eram "piores do que a lei atual" e que permitirão aos terroristas fácil acesso a carteiras de motorista e outros documentos de identidade. "Boa inteligência é inútil sem uma boa segurança interna", disse Sensenbrenner, cujos artigos de manutenção da lei foram duramente condenados pelos grupos de liberdades civis.

Os líderes republicanos na Câmara concordaram em votar após outro influente membro republicano, Duncan Hunter da Califórnia, o presidente do Comitê de Serviços Armados da Câmara, ter anunciado na segunda-feira que abandonaria sua oposição ao projeto após um acordo com a Casa Branca e os autores do projeto bipartidário no Senado.

Segundo o acordo, uma breve passagem foi inserida na projeto de lei para exigir que o diretor nacional de inteligência opere dentro de diretrizes que não "anulem as responsabilidades estatutárias" do Departamento de Defesa, que Hunter disse que ajudaria a impedir qualquer interferência no uso de inteligência por parte do Pentágono e em suas transmissões para os soldados no campo de batalha.

O presidente e o vice-presidente da comissão de 11 de setembro disseram em uma declaração, na terça-feira, que estavam "profundamente gratificados" com a votação da Câmara e disseram que era necessário um tributo especial às famílias das vítimas de 11 de setembro, cuja pressão levou à criação da comissão e, agora, à aprovação de uma medida histórica de reforma da comunidade de inteligência do país.

"Nós agradecemos às famílias", disseram o presidente, Thomas H. Kean, o ex-governador republicano de Nova Jersey, e o vice-presidente, Lee H. Hamilton, o deputado federal democrata aposentado de Indiana. "A presença e dedicação delas inspiraram todos nós a fazer o melhor que pudemos para fazer a diferença, para proteger o povo americano."

Com a aprovação do projeto no Congresso praticamente assegurada, os legisladores e outros envolvidos na medida começaram a voltar sua atenção para uma nova questão: quem deve assumir o cargo de diretor nacional de inteligência, um posto que será um dos mais poderosos e potencialmente perigosos em Washington.

Segundo o projeto, o diretor de inteligência atuará como conselheiro-chefe de inteligência do presidente e terá um controle substancial do orçamento anual do governo para inteligência, estimado em US$ 40 bilhões. Sistema vai se reestruturar segundo conclusões da comissão de 11/9 George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,59
    3,276
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,54
    61.673,49
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host