UOL Notícias Internacional
 

08/12/2004

Partido Democrata precisa reencontrar o interior

The New York Times
Jamal Simmons*

Donna Brazile e

Gary Locke
Os Democratas estão procurando outro cavaleiro para vir da "zona vermelha" em seu cavalo branco e resgatar-nos de nosso blues eleitoral. Devemos entregar o manto de nosso partido a um progressista agressivo do interior, um Democrata que possa vencer as eleições em Estados que tendem a votar nos Republicanos.

No entanto, ao nos aproximarmos da primeira disputa competitiva para líder do partido desde 1988, devemos nos perguntar que tipo de partido queremos ser --antes de decidirmos quem deve nos guiar.

Precisamos de mais agentes eleitorais estaduais Democratas. Os juizes eleitorais da Flórida e de Ohio eram Republicanos, neste ano, dando ao presidente Bush uma aparente vantagem, se houvesse um empate. Em 2012, a redistribuição dos distritos vai atrasar os Democratas outra década, a não ser que possamos ter mais maiorias nas assembléias legislativas estaduais.

Além disso, os Republicanos reconquistaram sua força entre eleitores afro-americanos e hispânicos, usando uma mensagem otimista baseada em valores e objetivos econômicos comuns. Enquanto isso, os Democratas continuam a fazer campanha em cima de conquistas passadas, como direitos civis. Nosso próximo líder deve ter uma estratégia de longo prazo para construir uma organização que seja mais do que uma máquina eleitoral presidencial quadrienal.

No Dia de Ação de Graças, assisti a "O Homem Aranha", no qual o caxias Peter Parker torna-se um super-herói inesperado. A maior parte das pessoas não imagina que alguém como Peter Parker faça coisas incríveis, ainda assim, nossa história é cheia de exemplos disso.

Em 1991, Bill Clinton procurou pessoas para o ajudarem em sua campanha. Recusando os serviços dos principais consultores da época, ele se voltou para dois manda-chuvas ambiciosos, chamados James Carville e Paul Begala. Desta vez, os Democratas devem ter a coragem de evitar os heróis estabelecidos e procurar o próximo Peter Parker com as idéias, a energia e o entusiasmo para abordar os problemas de hoje e as esperanças de amanhã.

Anzol, linha e peso

Seria uma atitude sábia os líderes do Partido Democrata, que estão se reunindo em Orlando, Flórida, neste final de semana, analisarem as eleições de 2004 para entender a advertência do pai de Donna Brazile em Louisiana: "O Partido Democrata ainda não morreu, só saiu para pescar".

O próximo presidente do partido deve não apenas encontrar a isca para atrair mais eleitores, mas também aprender a pescar em rios maiores. A partir de sexta-feira (10/12), os membros do partido avaliarão quem deve dirigir essa pescaria. Sem dúvida, os líderes estaduais dirão às autoridades nacionais que o partido não pode ficar descartando o interior e ainda assim esperar tornar-se a maioria novamente.

O novo presidente não pode voltar à política de sempre. Ele precisa expandir o sucesso de Terry McAuliffe em recrutar ativistas e levantar fundos. Mas, desta vez, precisamos mais do que mecânica; precisamos de um carpinteiro para criar uma marca e modelo novos.

Os Democratas em 2004 atingiram suas metas de expansão do eleitorado, cooptação da base e persuasão de eleitores independentes ou indecisos. No entanto, os Republicanos mais do que excederam seus objetivos.

Os Democratas devem seguir a pista do guru político Republicano Karl Rove, que entendeu as eleições para o Congresso em 2002 como uma oportunidade para testar suas estratégias para 2004. Assim, podemos usar as eleições de 2006 para testar as mensagens e os métodos de campanha.

Os Democratas também precisam pensar no longo prazo. Reinventar a roda a cada dois anos, como fazemos agora, deixa nossos ativistas em desvantagem. Para termos uma chance em 2008, precisamos começar a atualizar os arquivos dos eleitores, trabalhar mensalmente com nossos voluntários e cultivar candidatos municipais e estaduais promissores.

Apesar de triste com nossas perdas neste ano, sabemos que os Democratas podem reconquistar a maioria, se abandonarmos a política única para todos. Claramente, precisamos nos comunicar com quem gosta de pescar.

Dá para nos ouvir agora?

Houve muita conversa ultimamente sobre um "recomeço" no Comitê Nacional Democrata. É preciso defender uma visão unificada.

A próxima geração de líderes do comitê deve tomar a iniciativa de começar um diálogo, ou mais importante, de ouvir o que os governadores e políticos estaduais e municipais têm a dizer. Conhecemos nossos Estados e as preocupações e esperanças do povo que nos elegeu. Podemos fornecer os ingredientes fundamentais para levar adiante um plano coletivo e mensagens coesivas que reflitam as prioridades dos eleitores de cada Estado.

O Partido Democrata há muito defende os trabalhadores. Somos o partido que luta por oportunidades econômicas, sociais e educacionais e justiça para todos, sejam fazendeiros, operários, idosos, mulheres ou minorias. Sempre adotamos os valores rurais --família, comunidade, trabalho duro, amor ao país, respeito e confiança.

O próximo presidente do partido precisa se conectar com os eleitores e responder a esses valores centrais. O Partido Democrata deve continuar a investir recursos em comunidades rurais e ouvir as pessoas do lugar. Precisamos envolvê-las em discussões sobre as decisões políticas que afetam suas vidas --famílias, empregos, ambiente, saúde e economia.

Os próximos líderes do Partido Democrata devem cuidar dos valores e princípios que tornaram nossa nação forte e próspera. Precisamos articular essa mensagem, Estado por Estado, cidade por cidade, para que tenha significado para as pessoas deste país.

*Jamal Simmons, consultor de comunicações, foi porta-voz da campanha presidencial do general Wesley Clark; Donna Brazile, foi gerente de campanha para Al Gore em 2000 e Gary Lock é governador de Washington. Seja com um nome forte ou com valores que construíram os EUA Deborah Weinberg

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