UOL Notícias Internacional
 

09/12/2004

Democratas não são republicanos light, diz Dean

The New York Times
Adam Nagourney

Em Washington
Howard Dean iniciou a campanha para seu futuro político aqui nesta quarta-feira (08/12), com o apelo impenitente que usou em sua breve campanha presidencial --alertando que seria um erro os democratas adotarem os ideais republicanos em sua luta pela retomada do poder.

"Há 50 anos, Harry Truman disse: 'Nós não chegaremos a lugar algum mudando e satisfazendo, e não precisamos tentar'", disse Dean para os estudantes da Universidade George Washington. "Mas aqui estamos nós cometendo os mesmos erros. Permitam-me dizer algo: só há uma coisa que os líderes republicanos querem mais do que nos desviarmos para a esquerda --é nos desviarmos para a direita."

Mas precisamente ao que Dean está concorrendo ainda não está claro neste período de transformação para o Partido Democrata e seus líderes mais conhecidos. Um assessor de Dean disse que a opção está entre concorrer à liderança do partido ou disputar novamente a presidência em 2008.

Dean disse aos líderes democratas que está interessado em ser o próximo presidente do Partido Democrata, substituindo Terry McAuliffe, cujo mandato terminará em breve.

O ex-governador de Vermont é um dos vários candidatos potenciais que aparecerão perante o encontro de líderes democratas estaduais na Disney World na Flórida, neste fim de semana. O Comitê Nacional Democrata fará a escolha em uma reunião em Washington, em fevereiro.

Dean, com aspecto bronzeado e animado, foi direto ao dizer que não concorrerá à presidência em 2008 se for eleito líder do partido, respondendo à preocupação manifestada a ele por muitos líderes democratas enquanto ele percorria vários lugares nas últimas semanas. Um assessor disse que ele precisava determinar suas ambições presidenciais antes de decidir se oficialmente entra na disputa pela liderança do partido.

O tamanho da fama e popularidade de Dean foi exibido durante sua aparição diante de uma platéia familiar nesta quarta-feira --estudantes extáticos que o aplaudiram duas vezes em pé e que o cercaram em busca de autógrafos e fotos.

Mas a perspectiva de Dean despontar como a nova face Democrata é uma que até mesmo seus próprios conselheiros reconhecem que não tem empolgado muitos membros do partido, que lembram da implosão de sua campanha, sua defesa incansável da ala esquerda do partido e sua oposição à guerra no Iraque.

"Ele tem uma habilidade tremenda, e se ele se tornar o presidente do partido, ele fará um bom trabalho", disse Bob Kerrey, um ex-senador de Nebraska que está apoiando a candidatura de Leo J. Hindery Jr., o executivo de telecomunicações.

"Mas se ele concorrer, ele terá que 'dar algumas explicações', como Ricky Ricardo costuma dizer", continuou Kerrey. "As pessoas lembram dele dizendo: 'Eu represento a ala democrata do Partido Democrata' --o que significa a ala liberal do Partido Democrata."

"De qual Howard Dean estamos falando?" disse Kerrey. "Se estivermos falando do Howard Dean que foi governador de Vermont, eu diria que tudo bem. Mas se for o candidato presidencial Dean, eu provavelmente diria não. O comitê precisa encontrar um meio de manter dentro pessoas como eu. Se ele começar a demitir pessoas e disser que temos que nos inclinar para a esquerda, será mais difícil acompanhá-lo. E raios, eu moro em Nova York. Eu não moro mais em Nebraska."

Se o primeiro grande discurso de Dean após a derrota do senador John Kerry para o presidente Bush servir como indicação, o Dean em questão é o candidato Dean. Grande parte dos seus termos eram remanescentes de sua campanha --"Nós vamos devolver este país para as pessoas que o construíram", ele declarou-- e seu tema central foi o mesmo que ajudou a projetá-lo para a dianteira da disputa, mesmo que brevemente, no início deste ano.

"Aqui em Washington parece que, após cada derrota eleitoral, há um consenso entre a liderança do Partido Democrata de que a forma de vencer é sendo mais parecido com os republicanos", disse Dean, acrescentando: "Se aceitarmos esta filosofia desta vez, outro democrata estará aqui daqui quatro anos fazendo este mesmo discurso. Nós não podemos vencer sendo a versão light dos republicanos".

A reação inicial dos concorrentes potenciais de Dean sugeriu que nenhum deles estava querendo briga, pelo menos por ora, enquanto os líderes do partido sobriamente avaliavam o que muitos disseram ser a desigualdade entre os dois partidos.

"Todos sabem que eles estão se saindo melhor do que nós", disse Simon Rosenberg, presidente da Nova Rede Democrata moderada, e um dos prováveis candidatos ao cargo. "Nós sabemos que eles são um partido mais poderoso do que nós no momento."

Mas, ele acrescentou: "Eu não acho que mesmo o mais arquiconservador no Partido Democrata acredita que devemos nos tornar republicanos light".

Além de Dean, Hindery e Rosenberg, entre os candidatos potenciais estão James J. Blanchard, o ex-governador de Michigan; Wellington E. Webb, o ex-prefeito de Denver; Ron Kirk, o ex-prefeito de Dallas; o deputado Martin Frost, do Texas; Donnie Fowler, o gerente da fracassada campanha presidencial do general Wesley K. Clark; e Harold M. Ickes, o antigo líder do partido.

O tamanho do campo reflete o cálculo de muitos democratas de que o partido recuará diante da perspectiva da nomeação de Dean, ou que o próprio Dean acabará não concorrendo caso conclua que sofrerá outra derrota embaraçosa.

"Howard é um candidato muito forte, e conta com muito apoio lá fora", disse Art Torres, o líder democrata da Califórnia. "Mas também há outros candidatos fortes lá fora." Ex-candidato a presidente pode se tornar o novo líder do partido George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,63
    3,167
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,87
    65.667,62
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host