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09/12/2004

Eliot Spitzer lança candidatura ao governo de NY

The New York Times
Michael Slackman

Em Nova York
Eliot Spitzer, duas vezes procurador-geral do Estado de Nova York, anunciou oficialmente sua candidatura ao governo em 2006 e prometeu consertar a "crise" do governo de Nova York. Spitzer conquistou fama nacional ao revelar práticas corruptas na indústria financeira e de seguros.

O anúncio pode ter sido mera formalidade, já que há muito Spitzer demonstra sua intenção de concorrer, mas serviu para firmar sua posição com quase dois anos de antecedência. Como o provável candidato Democrata, será mais fácil para sua campanha angariar fundos, conquistar endossos e ganhar impulso.

Spitzer decidiu abrir mão da pompa e cerimônia de um anúncio formal, optando por fazer telefonemas pessoais de seu escritório em Manhattan para os repórteres, dizendo-lhes que decidiu entrar na disputa. Ele havia informado antes os líderes do partido.

"Acredito", disse Spitzer em um desses telefonemas, "que o governo do Estado está em um momento de crise. Nossa economia está perdendo empregos como uma hemorragia; estamos cada vez mais carregados de impostos e dívidas; temos um governo com que não podemos contar e que não está conseguindo lidar com as questões críticas."

O anúncio de Spitzer e a empolgação que está gerando entre os fiéis do Partido Democrata demonstram como o cenário político de Nova York mudou desde que o governador Republicano, George E. Pataki, derrotou Mario M. Cuomo, há uma década.

Hoje, Pataki está em seu terceiro mandato, considerado obstruído e maculado por escândalos de corrupção. Os líderes Republicanos já vêm falando abertamente de outros candidatos potenciais para governo. Pataki também sofreu uma derrota embaraçosa nesta semana, quando seus colegas Republicanos no Senado estadual derrubaram seu veto a um projeto de lei para aumentar o salário mínimo.

Pataki disse nesta terça-feira (07/12) que não tinha decidido ainda se ia candidatar-se novamente. Se desistir de disputar um quarto mandato, consultores políticos disseram que não há nenhum candidato óbvio para tomar seu lugar, a não ser pelo ex-prefeito de NY Rudolph W. Giuliani, que não mostrou nenhum desejo de concorrer.

"Acredito no sistema democrático, e quanto mais (concorrentes) melhor", disse Pataki na terça, quando soube dos planos de Spitzer. "Não tomei uma decisão; farei isso no momento oportuno, mas espero que possamos continuar a nos concentrar no atual governo. As eleições serão daqui a dois anos. A campanha começará mais tarde. Agora, precisamos continuar governando."

Spitzer, 45, ex-promotor de Manhattan, concorreu à promotoria geral pela primeira vez em 1994, mas perdeu nas primárias. Depois, tentou de novo em 1998 e venceu uma disputa apertada contra o Republicano que ocupava o cargo, Dennis C. Vacco. Em 2002, a reeleição foi fácil. O caminho para a nomeação Democrata ao governo foi liberado há duas semanas, quando o popular senador Charles E. Schumer resolveu não concorrer.

Raramente o tema dominante de uma disputa para alto cargo surge com tanta antecedência, mas já há um consenso entre os políticos e estrategistas que o assunto da campanha de 2006 será quem pode resolver os problemas em Albany [capital do Estado de Nova York], onde o Legislativo e o Executivo não conseguem concordar em algumas das questões mais importantes --por exemplo, por 20 anos seguidos eles não conseguiram aprovar o orçamento dentro do prazo, nem decidiram quanto dinheiro deve ir para as escolas de Nova York, uma decisão que por fim foi feita pela Justiça.

Ao discutir sua candidatura, Spitzer abordou os problemas de Albany de frente, insistindo que sua experiência como promotor geral deve provar que tem a coragem de desafiar o status quo e os interesses particulares --inclusive de amigos.

"Tenho muitos amigos, banqueiros, corretores de seguros, gestores de fundos. Mas não mudei, nem ninguém acha que vou mudar minhas opiniões sobre o que o governo deve fazer por amizade ou política. Não funciono assim", disse ele em entrevista na última sexta-feira.

A reforma dos problemas de Albany não é assunto novo. Quando Pataki concorreu contra Cuomo, em 1994, ele também falou contra a prática de "três homens em uma sala", na qual o governador, o presidente da Assembléia e o líder da maioria do Senado estadual negociam acordos orçamentários a portas fechadas, e os outros deputados ficam fora do processo.

Pataki prometeu fazer o possível para que um orçamento fosse aprovado dentro do prazo e sugeriu referendos sobre importantes questões. Mas, como Cuomo, muitas vezes se viu atrelado pelas realidades de Albany.

O desafio de Spitzer seria convencer os eleitores de que conseguirá usar as habilidades que aprimorou como promotor, onde a lei e processos judiciais foram suas alavancas de influência, para a política de corpo a corpo do Estado.

Força dos Republicanos

Apesar de seus problemas recentes, Pataki ainda é considerado um candidato forte, tendo forjado muitos laços políticos. Além disso, sua grande habilidade em angariar fundos teria o reforço dos interesses de Wall Street que ficaram com raiva de Spitzer.

Até mesmo consultores Democratas disseram que Pataki continua sendo um político temível, que tem o apoio desde o Partido Conservador até o sindicato dos trabalhadores na área da saúde, apesar de sua tradição Democrata.

"Ele é bom de voto", disse Philip J. Friedman, consultor Democrata. "Pataki é esperto. Obviamente está em um ponto baixo de sua carreira política, mas pode se recuperar. Nunca o descartaria."

Pataki e Spitzer evitaram atirar um no outro. Eles ainda precisam trabalhar juntos, já que Spitzer é advogado do Estado. No entanto, Republicanos acusaram Spitzer de não cumprir suas promessas da campanha de 1998, de mudanças na forma como Albany faz negócios --e acusaram-no de fazer teatro para a mídia.

"Lembro-me de ouvir histórias, no início, que falavam de reforma, mas o que Eliot Spitzer fez? De repente, agora que vai concorrer ao governo, está voltando ao movimento de reforma. Qual é a posição dele sobre o orçamento? Qual é sua posição sobre a contenção dos custos do Medicaid?" disse Stephen Minarik, novo presidente estadual do Partido Republicano.

Sptizer não entrou em detalhes sobre como lidaria com alguns dos problemas do Estado, mas disse que tentaria remediar rapidamente algumas das operações do governo do Estado, criticado por fazer negócios pouco transparentes. Promotor democrata deverá enfrentar o forte governador Pataki Deborah Weinberg

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