UOL Notícias Internacional
 

10/12/2004

Embaixador expressa o apoio americano a Annan

The New York Times
Warren Hoge

Na sede da ONU

Em Nova York
O governo Bush pôs um fim à sua aparente resistência em expressar apoio explícito ao secretário-geral Kofi Annan na quinta-feira (09/12). Pela primeira vez desde que foi sugerida sua renúncia, uma autoridade declarou oficialmente que o governo confiava nele e não queria vê-lo partir.

"Estamos expressando nossa fé no secretário-geral e em sua permanência no cargo", disse o embaixador John C. Danforth aos repórteres, que tinham sido informados durante o dia que Danfort daria um comunicado importante.

Falando em nome da Casa Branca e do Departamento de Estado, Danforth disse que o governo decidira fazer a declaração porque sua relutância anterior em expressar confiança em Annan tinha sido mal interpretada.

Ele observou que a ONU tinha um importante papel em muitas áreas de preocupação para os EUA, como Iraque, Oriente Médio e Sudão, e que Washington queria continuar trabalhando com o secretário-geral "no futuro". O mandato de Annan termina no dia 31 de dezembro de 2006. O secretário reiterou, nos últimos dias, que pretende continuar ativo no cargo até lá.

No dia 1º de dezembro, em um artigo no "Wall Street Journal", o senador Norm Coleman, Republicano de Minnesota que dirige o subcomitê que investiga o programa de petróleo por alimentos, pediu que Annan renunciasse por causa dos escândalos que atingiram o programa dirigido pela ONU no Iraque.

Desde então, o presidente Bush, Danforth e outras autoridades do governo americano perderam várias oportunidades de expressar confiança em Annan. Eles diziam que era importante deixar as investigações do programa terminarem, antes de emitir qualquer julgamento.

Danforth disse nesta quinta: "Está claro que essa atitude --que eu penso que é a forma correta de se abordar qualquer investigação-- foi compreendida como falta de suporte ao secretário-geral. Alguns sugeriram que os EUA realmente queriam a renúncia do secretário-geral. Então, é importante para os EUA esclarecerem sua posição. Não estamos sugerindo a renúncia nem pressionando o secretário-geral."

Danforth acrescentou: "Também estamos dizendo que o inquérito é criticamente importante; que uma nuvem paira sobre a ONU, sem dúvida, e que a única forma de removê-la é deixar entrar a luz do sol."

Ele disse que ninguém, que ele saiba, jamais duvidou da "integridade pessoal" de Annan. Danforth também expressou suas próprias dúvidas sobre o nível de responsabilidade de Annan pela conduta de seu filho Kojo. Este trabalhou para uma empresa suíça com contratos de petróleo por alimentos e continuou a receber pagamentos muito depois de ter rompido os laços com a empresa.

"Seu filho é adulto, e acho que, em termos gerais, há uma diferença entre adultos, filhos e pais", disse ele.

Na quarta-feira, Annan recebeu uma forte demonstração de apoio na Assembléia Geral, onde foi recebido com longos aplausos em pé, depois de apresentar o resumo das propostas de reforma da ONU, divulgadas na semana passada.

Foi a primeira vez que Annan se apresentou diante do corpo de 191 nações desde que sua renúncia foi sugerida por Coleman, deputados, jornais e colunistas americanos com visões conservadoras.

Abdallah Baali, embaixador argelino servindo como presidente do Conselho de Segurança em dezembro, disse que foi a segunda vez em 15 anos na ONU que alguém foi aplaudido de pé pela Assembléia Geral. A primeira fora em setembro de 1998, quando o presidente Clinton discursou enquanto combatia acusações de ter tido um caso com Monica Lewinsky.

Nesta quarta, em uma carta aberta, um grupo de sul-africanos proeminentes, incluindo o ex-presidente Nelson Mandela, o arcebispo Desmond Tutu e o escritor Nadine Gordiner, chamaram a campanha contra Annan de "repreensível e injusta" e disseram que refletia a arrogância americana. "Aqueles que clamam pela renúncia traem a objetividade que sua posição como secretário-geral exige e vêem a ONU como uma forma de enaltecer e exonerar as políticas americanas, certas ou erradas", dizia a carta.

Annan também recebeu apoio da União Africana, de 54 nações; da União Européia, de 25 membros; de nações árabes e muitos líderes individuais, inclusive o primeiro-ministro Tony Blair, do Reino Unido, principal aliado americano no Iraque, e do presidente Vladimir V. Putin, da Rússia, que ligou para o secretário-geral na quarta-feira.

O senador Edward M. Kennedy, Democrata de Massachusetts, ofereceu seu apoio em um discurso de almoço na ONU, na quarta-feira, com Annan na platéia. "Infelizmente, antes do término das atuais investigações, inclusive da própria investigação da ONU, chefiada pelo altamente respeitado Paul Volcker, alguns no Partido Republicano, em seu esforço para desacreditar a ONU, estão cometendo o engano de pedir a renúncia de Kofi Annan", disse Kennedy.

Annan nomeou Volcker, ex-diretor do Federal Reserve, para liderar uma investigação independente do escândalo no programa de petróleo por alimentos e o possível envolvimento de funcionários da ONU.

Volcker pretende entregar seu relatório a Annan no mês que vem, e vai se concentrar na questão da possibilidade de beneficiamento ilegal de funcionários da ONU, inclusive Benon V. Sevan, que chefiou o programa, com quotas especiais de petróleo de Saddam Hussein.

O programa de petróleo por alimentos durou de 1996 até 2003 e foi formulado para ajudar os iraquianos a superarem a escassez causada pelas sanções da ONU, impostas depois da invasão do Kuait por Saddam em 1990. O Subcomitê Permanente de Investigações do senador Coleman estimou, no mês passado, que em um período de 13 anos, o governo de Hussein fez ao menos US$ 21,3 bilhões (em torno de R$ 63,9 bilhões) ilicitamente. Pela primeira vez, EUA defendem o acuado secretário-geral da ONU Deborah Weinberg

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