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10/12/2004

Falta de comida obriga astronautas a fazer regime

The New York Times
Warren E. Leary

Em Washington
Funcionários da Nasa anunciaram nesta quinta-feira (09/12) que pediram aos dois astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional que reduzissem a quantidade de calorias ingeridas devido à escassez de alimentos.

Os suprimentos de alimentos e água na estação atingiram níveis tão reduzidos que, caso o veículo de carga russo que deve chegar em 25 de dezembro apresente algum problema sério ou sofra um atraso significante, os astronautas, um norte-americano e um russo, terão que abandonar a estação e retornar à Terra meses antes do planejado, disseram os funcionários da Nasa.

O gerente da estação espacial na Nasa, Wiliam Gerstenmaier, disse que a situação é controlável se nenhum fato inesperado ocorrer. Mas Gerstenmaier disse que itens de consumo como comida, água e até mesmo lâmpadas elétricas têm representado um desafio para os técnicos desde que os ônibus espaciais deixaram de voar devido ao desastre com a Columbia em 2003.

"Não é algo fácil e serão necessários muitos sacrifícios", disse ele em uma coletiva à imprensa no Centro Espacial Johnson, em Houston.

"A remessa a ser feita pela espaçonave robotizada de carga Progress, carregada de alimentos e água, é bastante crítica; não há dúvidas quanto a isso", disse Gerstenmaier.

De acordo com ele, estão sendo elaborados planos para que a tripulação volte à Terra, caso a Progress seja destruída durante o lançamento ou, por algum motivo, não consiga se atracar à estação.

No momento, a estação possui uma reserva de alimentos suficiente para um período entre sete e 14 dias, segundo o ritmo de consumo atual, disse Gerstenmaier, e a tripulação começará a desligá-la para o caso de uma partida no início do mês que vem na nave de salvamento Soyuz.

A diretora de vôo da missão, Annette Hasbrook, disse que a estação poderia ficar desabitada com segurança por meses, embora até o momento ela só tenha ficado vazia durante as caminhadas espaciais dos astronautas.

Tal ação exigiria que alguns equipamentos fossem desligados, que as escotilhas internas fossem fechadas e que os instrumentos eletrônicos fossem regulados de forma a permitir que a estação pudesse ser controlada da Terra.

Com a suspensão dos vôos da frota de ônibus espaciais norte-americanos desde o desastre com a Columbia, em 1º de fevereiro de 2003, a estação perdeu a sua principal fonte de suprimentos.

Os ônibus espaciais voavam regularmente até a estação com toneladas de alimentos, água, equipamentos e experiências científicas, assim como com novos membros para a tripulação. Sem os ônibus, a estação tem dependido exclusivamente da nave russa Soyuz para a troca de tripulação e das naves de carga Progress, capazes de levar cerca de 2,5 toneladas de material, cerca de um terço da capacidade dos ônibus espaciais.

A fim de conservar a reserva de suprimentos, as 16 nações envolvidas no projeto concordaram em reduzir o tamanho das tripulações de três para dois astronautas. A atual tripulação --o comandante norte-americano, Leroy Chiao, e Salizhan S. Sharipov, o engenheiro de vôo russo-- chegou à estação em meados de outubro para uma temporada de seis meses a bordo.

Gerstenmaier disse que a equipe que controla o programa gostaria de manter uma reserva de comida e água para 45 dias e que já se chegou próximo a tal reserva por várias vezes enquanto eram aguardados os vôos de reabastecimento da Progress. Ele explicou que, antes de a atual tripulação ser enviada à estação, os encarregados da missão descobriram que a reserva de suprimentos atingiria um nível baixo e fizeram planos para tal eventualidade.

Sean Roden, o médico de vôo dos astronautas da Nasa, disse que não será exigido da tripulação que faça uma dieta drástica. Ao modificar os planos de refeições, os gerentes querem que os astronautas reduzam a sua ingestão normal de 3.000 calorias em 5% ou 10%, mantendo as suas rotinas normais de exercícios e trabalho.

Ainda não foi imposta nenhuma restrição quanto ao consumo de água, já que, segundo Roden, as reservas serão abundantes até meados de janeiro. "Eles contarão com o mesmo equilíbrio nutricional que tinham antes", acrescentou.

Parte do atual racionamento se deve aos atrasos dos russos na última remessa feita pela Progress, que foi adiada de novembro para o final deste mês, dizem funcionários da Nasa. Além disso, parte da comida teve que ser removida de uma remessa anterior devido à necessidade de enviar peças sobressalentes para um gerador russo de oxigênio que apresentou defeitos.

Os controladores da missão, russos e norte-americanos, descobriram na semana passada que a atual tripulação começou a utilizar reservas de alimentos com semanas de antecedência. Foi pedido aos astronautas que realizassem três inventários de alimentos, que confirmaram que a reserva de suprimentos era menor do que o esperado.

Gerstenmaier disse que uma equipe foi encarregada de examinar o estoque a bordo da estação e melhorá-lo. Parte do problema é que a comida está armazenada em pacotes colocados em vários locais da estação, de forma que a tripulação tem dificuldades de manter controle sobre o estoque.

A próxima remessa da Progress incluirá 680 litros de água e comida suficiente para cem dias, disseram os funcionários da Nasa. Estarão também a bordo da Progress 5,4 quilos de equipamentos para novas experiências científicas, assim como uma remessa de produtos como pilhas, lâmpadas e roupas.

Gerstenmaier disse ainda que haverá espaço a bordo da lotada nave espacial de carga para a inclusão de presentes de Natal para a tripulação, além de "algumas coisas agradáveis". Estação Espacial Internacional só receberá mantimentos no dia 25 Danilo Fonseca

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