UOL Notícias Internacional
 

10/12/2004

Tropas do Iraque desmascaram Bush e Rumsfeld

The New York Times
Maureen Dowd

Em Washington
NYT Image

Maureen Dowd é colunista
Hurrah! Até que enfim! Rummy, ou Donald Rumsfeld, finalmente foi chamado à responsabilidade.

Claro que não foi pelo presidente, mas pelos soldados que combatem no Iraque. Alguns deles finalmente estão cansados de reclamar sobre as manobras e o fracasso dele em providenciar blindagem apropriada para os jeeps Humvees, o que os obriga a improvisar o que eles chamam de "blindagem caipira".

Esperava-se que o secretário de Defesa incluísse o Iraque nessa viagem, mas em vez disso ele passou o dia saudando os soldados num país vizinho, o Kuait. Embora o Pentágono tenha declarado que a segurança não foi o motivo para a mudança de planos, eu aposto que eles realmente se preocuparam, a ponto de cancelarem uma extensão de viagem, de apenas 100 quilômetros até o Iraque.

Rummy se encontrou com os soldados em Camp Buehring, acampamento batizado em homenagem a Chad Buehring, um coronel do exército que morreu no ano passado quando rebeldes em Bagdad dispararam por um foguete uma granada em direção ao Al Rasheed, um hotel da zona verde que era freqüentado por jornalistas ocidentais e funcionários do governo, que ainda hoje está fechado porque --apesar de todos os solares clichês presidenciais sobre vitórias resolutas-- a segurança no Iraque está se deteriorando implacavelmente.

É como disse o senador Joe Biden ao jornalista Aaron Brown da CNN, a respeito de sua visita a Falujah: "Lá existe um dos maiores vespeiros, sendo que as vespas já andam espalhando seus ninhos por toda a parte". Biden contou que um general correu em sua direção quando ele embarcava no helicóptero e disse: "Senador, qualquer um que lhe disser que não precisamos de reforços por aqui será um enorme mentiroso".

Apesar disso, Rummy não hesitou em negar apoio aos soldados, quanto ao risco que eles correm num local que ele nem teve coragem de visitar.

Ele tratou Thomas Wilson --um cabo corajoso do Tennessee que perguntou por que os soldados tiveram que "revirar depósitos de lixo em busca de placas de metal e pedaços de vidro à prova de balas para melhorar a blindagem de nossos veículos, e por que não tivemos esses recursos imediatamente à nossa disposição?"-- como se ele fosse um daqueles insistentes repórteres do Pentágono.

O chefe da Defesa usou o mesmo tom frio, oblíquo e de má vontade que exibe nas conferências de imprensa, uma atitude que há muito tempo está desgastada. Ele só faltou dar uns tabefes no garoto numa cama de hospital.

Numa de suas tiradas no estilo "Nada é perfeito", "Não é fácil lutar pela liberdade" e "Problemas acontecem", Rummy disse ao soldado: "Como você sabe, você vai à guerra com o exército que tem".

Isso não daria um bom lema para o exército, e foi uma resposta desleixada, especialmente quando se sabe que nossos garotos estão sendo explodidos todos os dias numa guerra montada a partir das mentiras do governo. Lembram quando o presidente prometeu na campanha eleitoral que os soldados teriam toda a blindagem corporal que precisassem?

Esses rapazes e moças foram ao Iraque acreditando nas cascatas que lhes contaram: eles enfrentariam uma batalha curta, depois correriam para os chocolates, flores e gratidão.

Em vez disso, eles foram lançados numa guerra selvagem contra os rebeldes, sem o contingente necessário nem a blindagem de que precisavam, só porque os neo-conservadores do Pentágono montaram planos de acordo com suas visões --acreditando que conseguiriam transformar o Iraque numa democracia com os pés nas costas.

Tudo porque Rummy queria fazer valer sua vontade, experimentando a batalha com tropas bem reduzidas. E porque Rummy continuou a se referir a "apenas alguns problemas", sem nunca reconhecer a verdadeira força, ou o verdadeiro fervor nacionalista, da oposição rebelde.

Os sonhos de Rummy e dos neo-conservadores estavam destinados ao fracasso. Mas de qualquer forma é imoral lançar nossos soldados na armadilha de uma guerra de guerrilhas sem o apoio essencial e material para salvar vidas, só para que um grupo de autoridades que nunca esteve numa guerra possa querer afirmar suas teorias.

Como esse idiota perigoso consegue se manter no cargo? Ele deve ter argumentado que, por causa da campanha de reeleição do presidente, os militares se limitaram a cumprir o que haviam treinado, assim justificando o desempenho em Fallujah e outros bastiões rebeldes. Ele deve ter dito ao presidente W. que merecia outra chance para tentar de novo depois da eleição.

Ele encontrou ouvidos atentos. O presidente W. gosta de subordinados que o alimentem com ficções mirabolantes no lugar de fatos desconfortáveis.

O presidente adora se vestir para bancar o soldado. Para encontrar os fuzileiros do acampamento Pendleton pouco antes de novas manobras no Iraque, ele se meteu num uniforme ao estilo de Eisenhower no dia D, com palas e a medalha presidencial numa lapela e o nome dele com o cargo de "Comandante em Chefe" na outra.

Quando ele realmente teve a oportunidade de vestir um uniforme e ir lá onde o inimigo era invisível e não havia estratégia de fuga e nosso governo não enfatizava como a situação estava ruim, o presidente W. não curtiu tanto a idéia do uniforme.

Mas agora parece que estamos num baile de máscaras --e dar um apoio moral aos soldados que vão para um lugar onde o inimigo é invisível e não há estratégia de fuga e o governo não enfatiza como a situação está ruim --ei, cara, essa parece ser uma boa idéia. Soldados fazem reivindicações e desmentem os senhores da guerra Marcelo Godoy

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