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11/12/2004

Nextel deve realizar fusão bilionária nos EUA

The New York Times
Ken Belson* e

Andrew Ross Sorkin

Em Nova York
A Nextel Communications está em negociações avançadas para uma fusão com a Sprint Corporation, segundo executivos envolvidos nas negociações. O acordo formaria a terceira maior empresa de telefonia móvel dos EUA, com 39 milhões de assinantes.

Executivos ligados às empresas disseram nesta sexta-feira (10/12) que os dois lados chegaram a um acordo provisório quanto aos termos do negócio que envolve principalmente ações, segundo o qual a Sprint fará a aquisição da Nextel. Eles disseram que a Sprint trocará 1,3 de suas ações, juntamente com uma quantia pequena mas não especificada de dinheiro, por cada ação da Nextel.

O acordo proposto, avaliado em mais de US$ 34 bilhões nos preços de fechamento de sexta-feira, dará aos acionistas da Sprint uma ligeira maioria das ações na empresa combinada.

Os executivos disseram que o executivo-chefe da Sprint, Gary D. Forsee, manterá seu cargo na empresa combinada, enquanto o executivo-chefe da Nextel, Timothy M. Donahue, se tornaria o presidente executivo.

Um acordo pode ser fechado já na próxima semana se as negociações se mantiverem em passo acelerado.

Enquanto isso, as negociações podem atrair um terceiro participante ao jogo, a Verizon Wireless, que realizou várias teleconferências internas na quinta-feira para discutir a possibilidade de fazer uma oferta pela Sprint, disseram executivos ligados à Verizon Wireless.

Seja qual for o resultado, o setor parece pronto para encolher novamente, apenas seis semanas depois da aquisição pela Cingular da AT&T Wireless ter formado a maior provedora de telefonia móvel no país, com 46 milhões de assinantes, ultrapassando os 42 milhões da Verizon Wireless. As negociações entre a Sprint, atualmente a terceira no mercado, e a Nextel, a quinta, em parte também são uma resposta à ação da Cingular, que forçou outras rivais a reconsiderarem suas posições no mercado.

Um fusão da Sprint, que fornece telefonia móvel e serviço de linha fixa convencional, e da Nextel, mais conhecida pela função de botão estilo walkie-talkie e clientes empresariais leais, casaria duas empresas bem diferentes e uma série de tecnologias conflitantes e que se sobrepõem.

Executivos ligados às negociações Nextel-Sprint dizem que as conversas estão em um ponto particularmente delicado. As negociações adquiriram um senso de urgência nas últimas semanas porque os valores de mercado das empresas ficaram mais alinhados --a Nextel e a Sprint valiam cada uma cerca de US$ 31 bilhões-- permitindo a possibilidade de as empresas poderem chamar o acordo de uma fusão de iguais e tirar proveito de certas vantagens tributárias.

Mas nesta quinta, enquanto as ações da Nextel e da Sprint apresentavam uma alta significativa após as negociações terem sido noticiadas na CNBC, os executivos disseram que começaram a temer um colapso das negociações devido ao fato de o valor de mercado da Nextel ter passado a US$ 33 bilhões e o da Sprint ter saltado para US$ 36 bilhões.

Na sexta-feira, as ações da Nextel, que apresentaram alta de 6,6% na quinta-feira, recuaram 5 centavos para fechar a US$ 29,76. E depois de saltarem 7,9% na quinta-feira, as ações da Sprint caíram 14 centavos, para US$ 24,14.

Na comparação das unidades de telefonia móvel, a Nextel é a operadora mais valiosa. Apesar de contar com 8 milhões de assinantes a menos que a Sprint, os clientes da Nextel pagam cerca de 10% a mais a cada mês. A taxa de rotatividade de clientes da Nextel --um índice crucial do setor-- equivale a metade da taxa da Sprint.

A Nextel também é mais lucrativa que a Sprint. Quase um quarto dos 23 milhões de clientes da Sprint vem de acordos de atacado com revendedores como a Virgin Wireless, e mais da metade da receita da Sprint ainda vem de seus serviços de linha fixa cada vez menores.

As conversas de fusão, que pararam e recomeçaram várias vezes por anos, foram retomadas no mês passado depois que os reguladores federais se aproximaram de solucionar o espinhoso problema do espectro de rádio da Nextel, que às vezes interfere com as freqüências usadas pelas agências de serviço público, disseram os executivos.

A Comissão Federal de Comunicações disse que queria dar para a Nextel 10 megahertz do valioso espectro de 1.9-gigahertz em troca de ela abandonar a outra faixa que possui. A Nextel também terá que pagar vários bilhões de dólares para ajudar as agências públicas a adotarem seu antigo espectro. A oferta, que a Nextel ainda não aprovou, levantou uma nuvem de incerteza que tem pairado sobre a empresa.

"Não é coincidência as coisas estarem esquentando agora que o problema do espectro está sendo resolvido", disse Jonathan Schildkraut, um analista da SG Cowen & Company. "Ninguém queria herdar a incerteza."

A Nextel tem sido uma parte incomum no setor de telefonia móvel.

Diferente de outras grandes empresas de telefonia móvel, ela construiu sua rede utilizando o espectro de rádio de 700-, 800- e 900-megahertz. O restante do setor, incluindo a Sprint, utiliza em grande parte o espectro de rádio de 1.9-gigahertz.

Tal diferença forçou a Nextel a depender exclusivamente de sua tecnologia de rede, que não é utilizada pelos seus concorrentes. Sua tecnologia tem menos capacidade de fornecer serviços de dados de alta velocidade, que são vistos como o futuro do setor.

Com a Nextel passando para a freqüência de 1.9-gigahertz, ela precisará atualizar sua rede; em caso de uma fusão com a Sprint, tal tecnologia terá que ser compatível com a da Sprint.

Roger Entner, um analista do setor de telecomunicações do Yankee Group, uma firma de pesquisa de mercado, disse que a Nextel, em caso de fusão com a Sprint, "não terá que construir a rede novamente".

Além disso, ele argumentou, as duas empresas possuem bases complementares de clientes, porque a Sprint é mais forte no mercado consumidor e a Nextel é a melhor do setor no atendimento às empresas.

"A Sprint se ajustou muito bem aos consumidores e a Nextel às empresas", disse ele, adicionando que a idéia de fusão das duas empresas é "uma história plausível".

Ainda assim, um acordo teria que superar enormes obstáculos. A empresa combinada teria que separar ou vender o serviço de linha tradicional, um processo potencialmente complicado de divisão da empresa. A empresa combinada também teria que desenvolver mais telefones móveis capazes de funcionar em ambas as redes.

*Colaborou Matt Richtel, de San Francisco. Empresa de telefonia tem avançadas negiociações com a Sprinter George El Khouri Andolfato

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