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11/12/2004

Opep anuncia que vai diminuir oferta de petróleo

The New York Times
Jad Mouawad

No Cairo, Egito
Os ministros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) concordaram nesta sexta-feira (10/12) em reduzir a produção diária de petróleo em um milhão de barris a fim de conter uma queda de 24% nos preços do produto, ocorrida nas seis últimas semanas. Eles pediram também uma reunião de emergência no mês que vem em Viena para discutirem uma redução ainda maior da cota oficial do grupo.

A Arábia Saudita e seis outros países da Opep --que tem 11 membros-- reduzirão a sua produção a partir de 1º de janeiro, fazendo com que a produção total caia para 27 milhões de barris ao dia, a cota do grupo. Atualmente os membros da Opep estão produzindo 28 milhões de barris por dia, segundo os ministros reunidos no Cairo.

A decisão da Opep de reduzir a produção pela primeira vez desde abril foi uma resposta ao súbito declínio dos preços do petróleo nas semanas que antecederam o encontro. Foi também antecipada uma desaceleração do crescimento da demanda no ano que vem no mercado global de petróleo, que consome diariamente 82 milhões de barris.

"Essa é uma medida preventiva", explicou aos jornalistas presentes ao encontro o ministro da Energia da Argélia, Chakib Khelil.

Mas os negociantes de petróleo parecem pensar de outra forma. Os preços futuros do produto para janeiro sofreram uma queda de US$ 2,03, chegando a US$ 40,50 o barril no New York Mercantile Exchange (Nymex), na tarde de sexta-feira. Embora o preço do petróleo tenha caído bastante com relação ao pico de US$ 55,67 o barril, registrado em outubro último, o produto ainda registra um aumento de cerca de 33% neste ano.

Na reunião, os representantes da Opep também enfatizaram estar preocupados com o crescimento dos estoques comerciais não sazonais que poderiam precipitar uma queda acentuada dos preços em um momento em que a organização está produzindo petróleo no ritmo mais acelerado em um quarto de século.

Os estoques comerciais mantidos por refinarias e companhias de petróleo costumam cair no inverno, quando o produto é transformado em combustível para aquecimento e em óleo diesel. Mas devido ao inverno relativamente ameno até o momento nos Estados Unidos, os estoques estão crescendo, o que faz com que aumente a pressão sobre as reservas globais.

"Tomamos a decisão de evitar um crescimento extraordinário dos níveis dos estoques", disse aos repórteres Ali Al-Naimi, ministro do Petróleo da Arábia Saudita. "O que queremos é alcançar a estabilidade".

Curiosamente, esteve ausente do anúncio desta sexta-feira qualquer discussão sobre a meta para o padrão da Opep, cujo preço é atualmente estipulado entre US$ 22 e US$ 28 o barril.

O padrão é estipulado em relação ao petróleo doméstico, mais leve, que é comercializado em Nova York, porque este é composto de teores de petróleo cujo refino é mais caro. O último preço anunciado para o padrão foi de US$ 34,29 o barril na quinta-feira. Esse preço esteve acima da meta da Opep durante a maior parte deste ano.

Alguns países, como o Irã e a Líbia, querem que a meta de preço seja elevada para algo em torno de US$ 35 o barril, a fim de compensar a queda do dólar neste ano, já que o petróleo é comercializado em moeda norte-americana. Com as atuais taxas de câmbio, isso significaria algo entre US$ 43 e US$ 45 o barril para o West Texas Intermediate, o petróleo comercializado no Nymex. Mas outros rejeitaram as críticas feitas pela Opep para tentar aumentar os preços.

"Não estamos defendendo um novo patamar da banda de preços", disse o delegado da Nigéria, Edmund Daukoru. "As nossas ações nem sempre resultam em um valor pré-determinado".

A decisão tomada no Cairo permite que a Opep possa respirar, dando tempo para avaliar para onde se dirige a demanda no próximo ano e, ao mesmo tempo, prevenindo aquilo que a Opep mais teme, um colapso nos preços e, portanto, a queda dos rendimentos governamentais.

Os ministros do petróleo da Opep se reunirão novamente em 30 de janeiro, quando discutirão ajustes na banda de preços, disse Purnomo Yusgiantoro, o atual presidente do grupo.

Os ministros da Opep também cogitaram reduzir ainda mais a produção, disse Rafael Ramirez, ministro venezuelano das Minas e Energia. "Se for necessária uma nova redução em janeiro, reduziremos novamente a produção", disse Ramirez aos repórteres.

"Eles pregaram uma peça bem bolada", diz Jan Stuart, diretor de pesquisas energéticas da Fimat USA, que faz parte da Société Générale, em Nova York. "Não deram a impressão de serem excessivamente gananciosos porque não defenderam o valor de US$ 55 pelo barril. Mas estão pedindo US$ 35, o que ainda é bastante elevado".

A Opep responde pela metade do petróleo exportado para todo o mundo e por cerca de um terço da produção global. Os seus membros têm mantido o nível de produção próximo à capacidade máxima para atender às demandas recordes por parte dos Estados Unidos e da China, e para compensar a queda da produção iraquiana.

Segundo novas estimativas divulgadas nesta sexta-feira pela Agência Internacional de Energia, que orienta as nações consumidoras de petróleo, a demanda global pelo produto vai diminuir em 2005 mais do que o anteriormente esperado.

A maior redução será implementada pela Arábia Saudita, o maior exportador do mundo, que concordou em reduzir a sua produção em 500 mil barris diários. O restante da redução será dividido entre os Emirados Árabes Unidos, o Kuait, a Nigéria, a Líbia, o Catar e a Argélia.

Três países, Irã, Venezuela e Indonésia não participarão dos cortes na produção porque já não são capazes de atingir as suas cotas. E tampouco o Iraque, que não recebe uma cota desde a década de 90.

Alguns analistas advertem que demorará alguns dias ou mesmo semanas para garantir que os membros da Opep realmente reduzam a produção. Um inverno frio no nordeste dos Estados Unidos, a região norte-americana que mais consome combustível para aquecimento, causaria um salto da demanda.

"A redução não é suficientemente significativa para fazer com que o preço volte a US$ 50 o barril, mas deve manter o produto mais ou menos no seu valor atual", opina Neil McMahon, analista da Sanford C. Bernstein, de Londres.

"Uma redução da cota oficial da Opep no mês que vem depende do patamar que eles querem estabelecer para o preço do petróleo", diz McMahon. "Se eles quiserem que o produto custe US$ 40 ou mais, deverão rever a cota". Objetivo é estabilizar o preço mundial do barril em torno de US$ 35 Danilo Fonseca

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