UOL Notícias Internacional
 

15/12/2004

Déficit da balança comercial dos EUA é recorde

The New York Times
Elizabeth Becker

Em Washington
O déficit comercial atingiu outra alta recorde em outubro, com as importações superando as exportações em US$ 55,46 bilhões. O aumento de 9% foi mais alto do que o esperado, e os economistas culparam imediatamente a pressão dupla do aumento das importações e dos altos preços do petróleo.

Mesmo a desvalorização do dólar não conseguiu impedir o aumento da defasagem comercial. Os economistas esperavam que a desvalorização do dólar fortaleceria as exportações americanas e ao menos estabilizaria o déficit comercial.

O governo Bush disse nesta terça-feira (14/12) que os preços do petróleo foram um grande fator nos números ruins e na estagnação das demanda estrangeira por exportações americanas.

Como prova do impacto dos altos preços do petróleo, os Estados Unidos estabeleceram um déficit comercial recorde de US$ 7,2 bilhões com os países da Opep em outubro.

Scott McClellan, o porta-voz da Casa Branca, disse nesta terça que a economia dos Estados Unidos está "crescendo mais rapidamente do que a maioria ao redor do mundo, e que isto pode aumentar o déficit comercial".

O governo disse que a melhor forma de lidar com os déficits comerciais é encorajar outros países a abrirem ainda mais seus mercados. No encontro de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico realizado no Chile, no mês passado, Bush reafirmou que seu governo "está empenhado em tratar de nossos déficits, tanto a curto prazo quanto a longo prazo".

As raízes do déficit comercial são o atual desequilíbrio global. Os consumidores americanos estão comprando exportações da Europa e da Ásia que alimentam estas economias, enquanto os bancos europeus e asiáticos estão comprando títulos da dívida americana.

O aumento de 9% em relação ao déficit comercial de setembro de US$ 50,9 bilhões levou economistas a questionarem por quanto tempo os Estados Unidos poderão sustentar tal déficit e atrair investidores estrangeiros para garanti-lo. O déficit anual em conta corrente, que representa a diferença entre o comércio exterior e o investimento nos Estados Unidos, e o comércio americano e o investimento no exterior, atingiu uma taxa recorde anual de US$ 665 bilhões, ou 5,7% do Produto Interno Bruto, no segundo trimestre de 2004.

Economistas e especialistas em comércio disseram que os Estados Unidos também merecem uma parcela maior de culpa. "Em grande parte, os déficits comerciais americanos atuais são provocados em Washington", disse Stephen S. Roach, o economista chefe do Morgan Stanley, em uma relatório de pesquisa.

"Carecendo de poupança privada, os enormes déficits orçamentários americanos estão levando a crescentes déficits em conta corrente e comerciais."

Preços mais elevados do petróleo estiveram por trás de metade do aumento de US$ 4,6 bilhões no déficit comercial deste mês. Ashraf Laidi, analista chefe de moeda do M.G. Financial Group em Nova York, disse que "as crescentes importações de petróleo expuseram sua cara feia, afirmando nossa antiga posição de que o déficit comercial não pode ser estabilizado apenas com a desvalorização do dólar, especialmente quando os preços em alta do petróleo estão exacerbando as importações".

Ian Shepherdson, o economista chefe para os Estados Unidos da High Frequency Economics em Valhalla, Nova York, escreveu em um relatório na terça-feira que mesmo com uma queda nos preços do petróleo, "o déficit permanecerá indefinidamente alto".

O restante do aumento foi resultado de uma alta acentuada em outros bens importados além do petróleo.

Estarrecedor

Apesar do aumento no número de acordos de comércio bilaterais, os Estados Unidos fracassaram em aumentar suas exportações a um nível sequer próximo do aumento das suas importações. O déficit comercial continuará crescendo se a tendência continuar e se as importações continuarem superando as exportações.

Os Estados Unidos continuam registrando déficits com seus principais parceiros comerciais, incluindo Canadá, China, União Européia e Japão.

Novamente, o déficit comercial de US$ 16,8 bilhões com a China estabeleceu um recorde. Alguns especialistas em comércio previram que o crescente déficit poderá levar a maiores pressões para limitação das exportações chinesas ou a reavaliações do relacionamento comercial.

O deputado Sander M. Levin de Michigan, o líder da bancada Democrata no subcomitê de comércio do Comitê Orçamentário da Câmara, disse que o governo é em parte responsável pelo desequilíbrio com a China, já que fracassou em assegurar o cumprimento dos termos da admissão da China na Organização Mundial de Comércio, há três anos.

"O déficit comercial americano com a China está caminhando para ultrapassar o recorde estarrecedor de US$ 160 bilhões neste ano, quase o dobro do patamar de apenas três anos atrás", disse Levin.

Alguns especialistas em comércio questionam se novos acordos comerciais são a solução para o crescente déficit. Greg Elias, o advogado de comércio e ex-alto assessor do Congresso, disse que os déficits comerciais são resultado de acordos comerciais que são na verdade acordos de investimento.

"Nossos acordos de comércio tratam de investimento em países estrangeiros e na entrada desimpedida de produtos nos Estados Unidos", disse Elias. Valor atinge US$ 55,46 bi em outubro e chega a US$ 665 bi em 2004 George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host