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15/12/2004

Fed aumenta taxas de juros para 2,25% ao ano

The New York Times
Edward Andrews

Em Washington
O Federal Reserve, banco central americano, aumentou suas taxas de juros de curto prazo pela quinta vez no ano, nesta terça-feira (14/12), e sugeriu novos aumentos nos próximos meses.

Como se esperava, o banco central aumentou a taxa de juros de fundos federais sobre empréstimos de um dia para o outro (overnight) por um quarto de ponto, para 2,25%, e reiterou sua intenção de aumentar os custos de empréstimos a um "ritmo comedido".

A decisão coloca a meta de taxas de juros do Fed acima do Banco Central Europeu pela primeira vez desde março de 2001.

A decisão do Fed ocorreu horas depois de anúncio de que o déficit comercial dos EUA em outubro deu um salto de 9%, atingindo o recorde mensal de US$ 55,5 bilhões (em torno de R$ 166,5 bilhões), e ressaltou ansiedade crescente com a queda contínua do valor do dólar.

Em sua declaração nesta terça-feira, depois de uma reunião com o Comitê Federal do Mercado Aberto, o Fed usou quase o mesmo texto do mês passado, em sua avaliação dos riscos de maior inflação ou menor crescimento. "O comitê percebe como quase iguais os riscos na busca do crescimento sustentável e da estabilidade de preços pelos próximos trimestres", disse o Fed.

A declaração não forneceu pistas sobre possíveis mudanças no ritmo dos aumentos das taxas de juros pelo Fed. Assim, aumentam as probabilidades de que aumentará as taxas de juros em sua próxima reunião nos dias 1 e 2 de fevereiro de 2005.

Os mercados financeiros reagiram com calma à decisão. Preços de ações, bônus e do dólar mudaram pouco logo após o anúncio.

Até um mês atrás, muitos analistas de Wall Street previam que o Federal Reserve faria uma pausa em dezembro em sua política de aumento gradual do custo do dinheiro desde as baixas recordes de junho, para um nível mais "neutro" e menos inflacionário.

Mas com o crescimento do emprego razoavelmente forte e as expectativas de inflação ligeiramente superiores nos últimos meses, os membros do Fed deixaram claro em suas declarações públicas que não havia razão para pausa.

Desde junho, o banco central vem aumentando as taxas de juros de curto prazo por um quarto de ponto percentual a cada reunião. Ainda assim, mesmo com o mais recente aumento, a taxa de juros real, ou seja, depois de subtraída a inflação, ainda é próxima de zero, depois de ter sido negativa pelos últimos dois anos, aproximadamente.

No entanto, em relação à maior parte das últimas décadas, quando as taxas de juros federais foram, em média, dois ou três pontos percentuais mais altas do que a inflação, o valor atual ainda é baixo.

Quando questionado sobre qual seria uma taxa de juros neutra, Alan Greenspan, diretor do Fed, disse a um comitê do Congresso em julho que as pessoas iam reconhecê-la quanto ela chegasse.

Alguns analistas especularam, no início deste ano, que Greenspan ia fazer uma pausa em sua marcha para taxas mais altas quando atingisse à taxa real de zero.

Mas essas expectativas evaporaram-se quando o governo divulgou aumentos surpreendentemente altos de contratações em setembro e outubro, reduzindo temores sobre outro desaquecimento e elevando preocupações sobre custos de mão-de-obra crescentes.

As maiores incertezas do Fed agora giram em torno do futuro do preço do petróleo, que atingiu US$ 55 (em torno de R$ 165) por barril no outono, e do déficit americano com o resto do mundo.

O dólar declinou fortemente contra o euro e outras importantes moedas depois da reeleição do presidente Bush, no mês passado. Muitos analistas acreditam que o dólar precisa cair mais, barateando as exportações americanas e encarecendo as importações estrangeiras.

Mas um crescente número de analistas se preocupa com uma queda brusca do dólar, que agravaria a inflação e colocaria mais pressão no banco central para aumentar as taxas de juros com maior velocidade.

Um mergulho do dólar poderia forçar Greenspan a apressar o ritmo dos aumentos da taxa de juros. Uma queda profunda do dólar teria efeitos inflacionários, porque pressionaria os custos de bens importados, o que, por sua vez, daria às empresas americanas maiores oportunidades para aumentar seus preços.

Um mergulho acentuado do dólar também poderia forçar os EUA a oferecerem taxas de juros mais altas a investidores estrangeiros, para que continuem financiando seu déficit em conta corrente gigantesco com o resto do mundo. Esse déficit comercial deve atingir novo recorde neste ano, de mais de US$ 620 bilhões (em torno de R$ 1,86 trilhão) -quase 6% do produto interno bruto do país. Descontada a inflação, juros reais no país ficam próximos de zero Deborah Weinberg

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