UOL Notícias Internacional
 

15/12/2004

Russos tentam criar pólo mundial de tecnologia

The New York Times
Erin E. Arvedlund

Em Moscou
Próximo a um caminho coberto de neve que serpenteia através do campus da Universidade Estatal de Moscou, Aléxis G. Sukharev está encaixotando os seus pertences e se mudando para escritórios maiores na cidade, esperando ajudar a criar aquilo que em breve poderá ser a versão russa de Bangalore, na Índia: um dos principais pontos de atração de offshoring (transferência para o exterior de atividades de manufatura e serviços, como parte de um processo de busca de maior eficiência para conquista de maior competitividade), com a criação de empregos no setor de tecnologia.

Sukharev, 58, é bem conhecido dos executivos norte-americanos da área de tecnologia de informação. Ele foi o primeiro a criar uma companhia russa de outsourcing (terceirização) comercialmente viável nas vésperas da queda da União Soviética em 1991.

O seu primeiro cliente foi a Hewlett-Packard. O mais recente é a IBM. Sukharev acompanha a onda de surgimento de empresas russas de serviços terceirizados nos últimos dois anos, e espera que o sucesso desse processo na Índia se repita em seu país. Ele diz que tem pouco temor de que haja uma reação nos Estados Unidos contra o offshoring.

"Os republicanos nunca tiveram um problema com o outsourcing", argumenta Sukharev. E com o partido ainda mantendo a maioria no Congresso, ele não antevê nenhuma legislação que coloque barreiras à terceirização.

"Recentemente, tive uma reunião com o vice-secretário norte-americano do Comércio, e ele me disse que o offshoring é bom para os Estados Unidos", afirma. "Creio que seja um mau negócio para certos grupos pequenos que sofrem bastante, particularmente com a terceirização de empregos executivos. Os democratas fizeram disso uma das bases da plataforma da campanha, que foi simplesmente populista. Atualmente o mundo todo está sintonizado com a globalização. O outsourcing é uma tendência impossível de ser contida".

Além do mais, ele diz que algumas das companhias ocidentais que visitou, como a Bechtel, que possui 200 programas proprietários diferentes, não estão despedindo funcionários devido ao outsourcing. Segundo ele, em vez disso, essas empresas estão criando novos negócios para companhias como a sua, ou para companhias indianas ou chinesas.

Sukharev disse que se sente encorajado pelas recentes iniciativas russas de dar apoio a centros de softwares, a começar por uma instalação em Dubna, um centro de pesquisa nuclear após a Segunda Guerra Mundial e ainda hoje um pólo científico, situado 130 quilômetros ao norte de Moscou.

Mas a Rússia ainda está bem atrás da Índia, segundo a Luxoft, uma companhia local de outsourcing, que diz que o conglomerado de outsourcing da Índia, no valor de US$ 11 bilhões, eclipsou o da Rússia, cujo valor é US$ 500 milhões. Mesmo assim, o ministério russo responsável pelas tecnologias de comunicação e informação estima que esse valor chegue a US$ 2 bilhões nos próximos dois anos.

"As companhias indianas são consideravelmente mais maduras", diz Sukharev, e algumas possuem dezenas de milhares de funcionários. E o governo indiano não hesitou em oferecer às companhias domésticas incentivos fiscais e impostos alfandegários próximos a zero em certos casos. "Eles estão cerca de 12 anos à nossa frente. Mas a lacuna está se estreitando".

Além disso, há obstáculos diários. Uma potência tradicional na área da cibernética, a Rússia ainda possui uma reserva de cientistas talentosos --mas muitos estão descontentes com as realidades das operações comerciais contrapostas às pesquisas.

"O maior problema é encontrar trabalhadores qualificados que não se especializem apenas na teoria, mas na prática. Muitos deles ainda precisam de treinamento na língua inglesa", explica Sukharev. Segundo ele, é comum que os funcionários recém-contratados precisem de vários meses extras para entender como e por que estão trabalhando em aplicações práticas para clientes do mundo empresarial.

Mesmo assim as estatísticas na área de programação estão aumentando. Em 2004 o número de pós-graduados russos com mestrado em ciência da computação ou com especialização em engenharia de software era de 68.126, o que representa um aumento de 6,9% em relação a 2003, segundo o Comitê Estatal Russo de Estatísticas.

"Estamos presenciando o nosso crescimento em todas as companhias de outsourcing daqui", diz Julia Rovinskaya, porta-voz da Luxoft em Moscou. Mas ela também apontou todos os problemas identificados por Sukharev, especialmente a falta de treinamento em língua inglesa.

A Rússia também precisa de uma nova infraestrutura, algo no qual a Índia fez mais progresso. A Rússia carece da sofisticação da infraestrutura básica de Internet que já está implantada nos Estados Unidos e na Índia. Segundo Sukharev, isso faz com que muitos não tenham acesso à Internet de alta velocidade a preços acessíveis.

Uma linha T-1, uma linha telefônica e de transmissão de dados rápida e de alta capacidade, pode custar US$ 500 mensais nos Estados Unidos. Na Rússia, o preço é de US$ 50 mil por mês. "Isso é algo que só o governo russo é capaz de construir", afirma Sukharev. País quer concentrar terceirização e offshoring de negócios do setor Danilo Fonseca

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