UOL Notícias Internacional
 

16/12/2004

Natal de 'The OC' mescla judaísmo e cristianismo

The New York Times
Virginia Hefernan

Em Nova York
Quando cristãos e judeus se casam, suas famílias freqüentemente celebram os feriados de uma das religiões. Outros vivem vidas seculares. Outros ainda tentam, com resultados variados, combinar as duas fés. Para estes, há "Chrismukkah" (uma combinação em inglês das palavras para Natal e Hanukkah) --termo criado para batizar uma invenção feita para merchandising para as pessoas de todas as tradições.

"The O.C.", drama de sucesso da Fox sobre pessoas atraentes e afluentes do Orange County na Califórnia, celebra Chrismukkah na noite desta quuinta-feira (16/12), às 20h no horário de Washington (EUA). O episódio deve ser exibido no início de fevereiro de 2005 no Brasil pelo canal pago Warner, que transmite a série no país.

Neste ano, o programa aborda as várias formas que as pessoas reclamam do conceito traiçoeiro. O resultado é de uma leveza surpreendente para esta época do ano e afirma o vigor do híbrido. Como o personagem bem caracterizado por Adam Brody, Seth, explica: "Não dá para arruiná-lo. Tem o dobro da resistência de qualquer feriado normal."

Esta é a segunda vez que Chrismukkah aparece em "The O.C.", que o tornou popular no ano passado. Josh Schwartz, que criou a série disse que ouviu falar pela primeira vez de Chrismukkah em uma reunião com os autores. (A Warner Brothers, que produz a série da Fox, vende a parafernália de Chrismukkah em www.theocinsider.com).

Um empresário chamado Ron Gompertz, que inspirado pela série, vende itens da festa e alega que a palavra existe ao menos desde 1998. O que seria de um feriado sem um mito complexo de suas origens?

No episódio de 3 de dezembro de 2003, "The Best Chrismukkah Ever" (o melhor Chrismukkah), Seth, deu o seguinte relato para Ryan (Benjamin McKenzie) do nascimento do Chrismukkah: "Para meu pai, um judeu pobre crescendo no Bronx, o Natal significava comida chinesa e um filme. E para minha mãe, Senhora Riquinho, bem, significava uma árvore, significava presentes e peru."

A história deixa inteiramente de fora o papel de Hanukkah no passado do pai de Seth, além da dimensão religiosa do Natal na infância de sua mãe. Ainda assim, mostra as reações ao fato de o Natal, mesmo neste país secular, ser um feriado nacional --uma folga do trabalho, no mínimo. Seth conclui: "Eu me criei e, ao fazê-lo, criei o maior super-feriado da humanidade, tirando o melhor que o cristianismo e o judaísmo têm para oferecer."

Com isso ele quis dizer as imagens de Papai Noel e as piadas de culpa judaicas.

Chrismukkah pode parecer uma grande bobagem para quem se preocupa com a tradição religiosa e os perigos da assimilação. Mas vale a pena ver como o conceito é executado no programa. Como sempre, "The O.C." se recusa a se levar a sério demais e gera uma série de piadas que demonstram sua auto-consciência.

Nesta quinta, esta série, geralmente alegre, "The Chrismukkah That Almost Wasn't" (o Chrismukkah que quase não aconteceu) começa com uma cena nebulosa em um píer. Sandy Cohen (Peter Gallagher) e seu sogro, Caleb Nichol (Alan Dale), discutem a possibilidade de Caleb, que administra uma série de esquemas ilegais, ser preso. Na próxima cena, um poste enfeitado para as festas. Caleb entra, reclamando do frio. "Dez graus em dezembro, Cal. Isso não é frio", disse Sandy, nova-iorquino, indo direto ao ponto.

De fato, o clima da Califórnia, peça central em "The O.C." é o ponto, ou parte dele. Como muitos outros lugares nos EUA, o Condado Orange tem o clima errado para andar de trenó, patins de gelo ou fazer bonecos de neve --o tempo errado, em resumo, para as festas de fim de ano. Como os heróis de quase todas fábulas sobre o espírito natalino, os personagens de "O.C." começam o episódio distantes do ambiente sentimental e pitoresco do Natal e cínicos sobre sua volta.

Mas, como Scrooge e Grinch, eles encontrarão seu caminho de volta para casa. Seth, cuja folia e vivacidade expressam a sensibilidade do programa, logo aparece para reclamar da menorá da família. O braço que segura a mais alta vela está meio mole, ele diz à sua mãe enquanto ela carrega uma árvore de Natal.

Com isso, ele começa uma propaganda para Chrismukkah, que amplia a que fez no ano passado. "Se minha noção cultural estiver certa --e acredito que sim-- este será o ano que o Chrismukkah varrerá a nação. Então, pessoal?" A resposta é fraca. "Também estou supervisionando direitos de merchandising, sabiam? Camisetas, canecas --se chegar a isso."

Isso é inteligente o suficiente e pode inibir o reflexo inicial dos espectadores. Mas a referência a si mesmo do programa não comove, que é o ponto de um especial de Natal. O que o faz é a reação de Sandy ao entusiasmo de Seth.

"Chrismukkah", disse Sandy, com ar de nojo. "Deixe-me fora dessa."

A partir daí, o programa dramatiza como os personagens partem da angústia em torno de suas próprias tradições, a resistência a esta nova e o niilismo resultante.

Afinal, a criação de Seth está fundada em seu sentimento de que, se não inventasse algo, seus pais não manteriam nenhuma das tradições. Ao persuadir sua família e amigos a experimentarem a piada do Chrismukkah, ele os persuade a continuar a imaginar novos hábitos e rituais --que possam torná-los mais felizes do que os que atravessam por obrigação e falsa alegria.

É claro, nem tudo é festa no Chrismukkah deste ano. Uma revelação sobre Lindsey (Shannon Lucio) emerge; há magoas, e Chrismukkah quase não decola. Mas, é claro, acaba funcionando. E o programa é tamanho triunfo, tão californiano e fofo que faz o merchandising e a fusão das festas parecerem tão inofensivos que você quase quer celebrar um Chrismukkah.

Talvez não. Esse é o problema nesta grande tenda, como diz "The O.C.", reclamar é apenas outra forma de expressar o espírito natalino. Como diz Seth, para alguém que simplesmente não se sente feliz para as festas: "Fique cabisbaixo. Cabisbaixo também funciona." Personagem Seth faz paródia e quebra os clichês associados à data Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,56
    3,261
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h21

    1,28
    73.437,28
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host