UOL Notícias Internacional
 

17/12/2004

Collin Powell elogia ação de Kofi Annan no Iraque

The New York Times
Brian Knowlton

Em Washington
O secretário de Estado Colin L. Powell elogiou discretamente na quinta-feira (16/12) as mais recentes iniciativas da Organização das Nações Unidas (ONU) no sentido de apoiar a eleição no Iraque. E novamente expressou o apoio norte-americano ao combativo líder da organização mundial, o secretário-geral Kofi Annan, após duas reuniões realizadas aqui.

"Os próprios iraquianos são responsáveis por administrar a eleição", disse Powell. "E a ONU está certamente fazendo um bom trabalho ao apoiá-los", completou.

A organização mundial, que há meses sofre pressões norte-americanas para ampliar o seu papel na eleição marcada para 30 de janeiro, anunciou na quarta-feira que expandirá a sua presença no Iraque com a abertura de escritórios nas cidades de Basra e Irbil. Mas a sua equipe internacional ainda está limitada a 59 integrantes, entre os quais estariam 19 especialistas em eleições.

"O esforço da ONU parece estar no rumo certo ao apoiar a iniciativa iraquiana", disse Powell a repórteres reunidos no Departamento de Estado, tendo ao seu lado o secretário-geral Annan. "É dos iraquianos a principal responsabilidade".

Com o grande investimento feito pela administração Bush no sucesso da eleição, Powell citou Annan, que teria dito que 6.000 iraquianos foram treinados para conduzir a eleição, e que 130 mil foram recrutados para operarem as seções eleitorais.

Annan retirou os membros da sua equipe internacional do Iraque em outubro de 2003, dois meses após um atentado a bomba contra a instalação da ONU em Bagdá, que matou 22 pessoas, incluindo um importante assessor do secretário-geral, Sérgio Vieira de Mello. Citando a persistente insegurança, Annan até o momento enviou apenas um pequeno contingente de funcionários ao Iraque, um número que a ONU se nega a especificar.

Os Estados Unidos pressionaram a ONU para fazer mais. "Como os planos para a eleição prevêem a instalação de milhares de urnas, o tamanho do contingente da ONU é muito surpreendente", disse à rede de televisão CNN, Noah Feldman, professor de direito da Universidade de Nova York que foi consultado sobre a redação de uma constituição temporária para o Iraque.

No entanto, Annan insistiu: "Estamos no rumo certo no que diz respeito aos preparativos técnicos para a eleição".

"Sob um ponto de vista técnico, fizemos tudo o que necessitávamos", afirmou. "Temos gente suficiente lá para fazer o trabalho. E se for necessário, enviaremos mais pessoas para fazê-lo. Não é uma questão de quantidade, e sim do que é necessário para se realizar a tarefa".

Powell e Annan disseram que discutiram também a cooperação quanto ao Haiti e à situação caótica de Darfur, no Sudão.

Segundo Powell, eles conversaram apenas brevemente sobre uma polêmica que fez com que vários conservadores norte-americanos telefonassem pedindo a renúncia do secretário-geral: relatos de que bilhões de dólares do programa petróleo por comida da ONU no Iraque foram desviados.

O filho de Annan, Kojo, trabalhava para uma companhia suíça que se beneficiou do programa, e recebeu pagamentos bem depois de ter supostamente rompido os vínculos com a empresa.

Mas John C. Danforth, embaixador norte-americano na ONU, disse na quinta-feira não ter motivos para acreditar que a "integridade pessoal" de Kofi Annan tenha ficado comprometida. O mandato de Annan termina no final de 2006, e ele diz que espera ocupar o cargo até o fim.

Uma parte importante da visita de Annan a Washington foi a sua reunião com Condoleezza Rice, agora que ela foi designada para suceder Powell como secretária de Estado.

Mas não passou desapercebido o fato de Annan não ter se encontrado com o presidente Bush, que passou grande parte do dia em uma conferência econômica.

"Não me senti esnobado", disse Annan aos jornalistas, acrescentando que ele não espera necessariamente se reunir com o presidente todas as vezes que vai a Washington.

A viagem de Annan também significou uma despedida a Powell. "Nós na ONU sentiremos falta dele", disse Annan. "Juntos trabalhamos extremamente bem". Relação entre ONU e EUA foi abalada por críticas ao secretário-geral Danilo Fonseca

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,21
    3,129
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h35

    0,04
    76.004,15
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host