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17/12/2004

EUA deveriam arranjar patrocinadores do Iraque

The New York Times
Maureen Dowd

Em Nova York
NYT Image

Maureen Dowd é colunista
O prepotente Rummy, Donald Rumsfeld, não está habituado a ser desafiado. Então provavelmente ainda está atônito com aquele desgastante choque de realidade que ele enfrentou no Kuait.

Ele se cercou de tantos generais puxa-sacos, e precisou vir um soldadinho raso do Tennessee para mostrar a todos que o secretário de Defesa estava sem roupas --ou sem blindagem para seus soldados. Ele pegou as maiores forças armadas da história mundial e as levou a esse impasse.

Algumas pessoas acham que ele está queimado, agora que conservadores como John McCain, Chuck Hagel e Bill Kristol já lhe viraram as costas e que as reclamações aumentam entre os militares, do "furacão" Norman Schwarzkopf e os generais de TV até os reservistas, convocados ou não, que têm outros trabalhos para cumprir.

(Pensando bem, o que Rummy poderia fazer com os reservistas descontentes --mandá-los para o Iraque?)

Mas, afinal de contas, é Natal. Imbuída do espírito de generosidade, eu gostaria de proporcionar a Rummy uma maneira de escapar da artilharia de críticas sobre a blindagem.

É curioso como o presidente Bush, que planejava administrar seu governo como uma empresa, e Rummy, ex-empresário e CEO (presidente de empresa), ainda não chegaram às seguintes conclusões. Logo eles que estão sempre apelando para o setor privado, até para consertar a previdência social.

Eles deveriam aproveitar a lição e se aproximar da América corporativa. Se Rummy não consegue suprir adequadamente o exército, talvez a IBM e a Xerox consigam.

Por que é que somente os pais dos garotos que estão no Iraque podem lhes enviar bússolas ou vestes blindadas com fibras Kevlar?

Todo mundo por aqui quer apoiar nossos soldados. Se os Jogos Olímpicos conseguem atrair patrocinadores entre as maiores empresas, por que o mesmo não acontece com a Guerra contra o Terror do Rummy? Acorde, Bank One!

Imagine a cena: um caminhão avançando pelo deserto no noticiário noturno, completamente blindado, emoldurado pelos arcos dourados daquele sanduíche...

Ou quem sabe um contingente de jipes Humvees? Vocês sabem que Donald Trump adoraria batizar alguns aviões cargueiros Chinooks. Já pensou, a 82ª Esquadra Trump?

E que tal pensar em espertas inserções dos produtos? Quando os soldados mandam suas mensagens de Natal na Fox News ou na MSNBC, eles poderiam estar segurando uma lata de Pepsi ou ligando para casa por um telefone Samsung.

Por que apenas mandar seu afeto, quando poderiam estar escrevendo cartas de amor nas areias através de um computador da Apple?

Assim como os atletas ou os corredores da Fórmula Nascar, eles poderiam estar aproveitando cada centímetro do seu uniforme: capacetes STP, botas Nike, coletes a prova de balas: "Eu também estou nessa" da Staples, quentinhas do Café Starbucks, rádios táticos da Levitra, modernos cantis CamelBaks da farmacêutica Wellbutin, identificadores de alvo a laser da Sony...

Todos esses velhos e enferrujados reservistas que estão na mira de Rummy seriam grandes garotos-propaganda para remédios contra artrite. Há também oportunidades para óculos noturnos da Celebrex...

Os patrocinadores das empresas realmente importantes também poderiam criar alguns resorts especiais no deserto. Claro que a segurança anda tão ruim que o próprio Rummy não se atreveu a ir além do Kuait na semana passada, mas Michael Eisner poderia visitar a região com alguns criadores temáticos da Disney e bolar uma espécie de Mundo da Fantasia diferente --um parque que agradasse aos neo-conservadores. Eisner poderia usar publicidade da boa.

Nesses tempos em que vivemos, quando toda arena esportiva foi grosseiramente rebatizada de acordo com as corporações patrocinadoras, como o Campo Minute Maid de Houston, o Coliseu da Network Associates em Oakland, o Estádio da Qualcomm em San Diego e o Campo Fedex na capital Washington, Rummy poderia perfeitamente estar "pensando grande".

Que tal a Zona de Segurança American Express? Em vez daqueles cartazes em facsimile de Saddam, que enfeitavam o palácio Republicano no Iraque, por que não colocar cabeções (e pescoções) da Geoffrey, a girafa da loja de brinquedos Toys "R" Us?

Unidades inteiras poderiam começar a se vender no site eBay em busca de patrocinadores corporativos, assim como a equipe de natação de Dartmouth fez em 2002, com a mensagem "Essa é uma oportunidade única para possuir um item dos melhores atletas universitários do país".

O que representa uma ínfima equipe de natação se for comparada ao efeito causado pela emoção de se associar à Terceira Divisão de Infantaria de Fort Stewart, do estado da Geórgia, a unidade do exército que conduziu o famoso "ataque trovejante" que tomou Bagdad, uma unidade que agora deverá ser deslocada para outro ponto do Iraque?

Rummy agora está um pouco distraído, lutando para permanecer no cargo e por conta de seu tolo escudo espacial. Então é capaz de levar algum tempo até que ele coloque o devido foco na privatização. Enquanto isso, persiste essa incômoda escassez de blindagem.

Então, que tal Tommy "Pare de Escrever Livros e Termine logo a Guerra" Franks, Paul "Você Dispersou o Exército Iraquiano, Idiota" Bremer e George "Jogada Fulminante" Tenet doando aquelas valorosas medalhas da liberdade e fazendo sua contribuição?

Assim como em "E o Vento Levou" Scarlett e Melanie doaram suas alianças douradas pela causa confederada, essas medalhas poderiam ser derretidas para um pouquinho de blindagem para um jipe Humvee, não?

Com ajudas assim e algum apoio corporativo, Rummy poderia ter o exército que ele quisesse e desejasse, mais cedo do que espera. Veja, na verdade agora estamos em plena guerra. E com todas essas empresas estrangeiras investindo, poderíamos ter uma coalizão de verdade. A coalização do shilling (antiga moeda britânica).

Nada de soldados alemães, mas por que não uma parceria com o fabricante do Passat? Quem sabe assim os soldados teriam o equipamento que lhes falta? Marcelo Godoy

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