UOL Notícias Internacional
 

17/12/2004

Palestina terá a maior ajuda financeira da história

The New York Times
Steven R. Weisman

Em Washington
Estados Unidos, Europa e países árabes estão considerando um grande aumento --talvez até mesmo dobrar-- na ajuda aos palestinos, sob a condição de que eles e Israel dêem certos passos para a redução de seu conflito, disseram autoridades americanas e palestinas.

Um pacote de quatro anos de US$ 6 bilhões a US$ 8 bilhões virá, eles disseram, se as eleições palestinas forem realizadas com sucesso e se o novo governo desbaratar os grupos militantes, e se Israel retirar vários bloqueios de estrada e barreiras para facilitar o trânsito de bens e pessoas nas áreas palestinas.

A possibilidade de uma nova ajuda foi assunto de intensas discussões na reunião de doadores em 8 de dezembro, em Oslo, Noruega. Segundo os participantes, a meta da reunião era ajudar os líderes moderados palestinos após a morte de Iasser Arafat e preparar o cumprimento da decisão do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, de remover colonos e forças da Faixa de Gaza e partes da Cisjordânia.

O Banco Mundial disse que o pacote, que viria dos Estados Unidos, União Européia, países árabes e outros doadores, seria o maior programa internacional de ajuda por pessoa desde a Segunda Guerra Mundial.

Os palestinos já são os maiores recebedores per capita do mundo de ajuda internacional, recebendo cerca de US$ 1 bilhão por 3,5 milhões de habitantes, ou cerca de US$ 300 por pessoa. O pacote de ajuda contemplado aumentará tal quantia em 50% a 100%.

Para apoiar os novos líderes palestinos e enviar um sinal aos líderes europeus e árabes para aumentarem seus próprios programas de ajuda, os Estados Unidos anunciaram em Oslo que acrescentarão aos US$ 200 milhões doados indiretamente aos palestinos neste ano outros US$ 20 milhões diretamente para a Autoridade Palestina.

"O que vocês estão vendo é um novo esforço para coordenar estas questões com europeus e palestinos", disse um alto funcionário do governo Bush. "A questão é se será possível após as eleições palestinas reorganizar as forças palestinas e fazer com que restaurem a ordem. A resposta até o momento é não. Mas agora há uma chance."

Os participantes disseram que nenhuma garantia foi dada em Oslo. Em vez disso, a discussão tem-se concentrado em que ajuda poderia ser realista.

"Nós estamos olhando para a possibilidade de outros US$ 500 milhões por ano ou mais, mas precisa ser dentro de um contexto de condições que permitam um esforço de desenvolvimento mais profundo", disse Salam Fayyad, o ministro das Finanças palestino, em uma entrevista por telefone do Qatar. "Isto não pode acontecer a menos que as condições em solo melhorem substancialmente."

Outras autoridades disseram que a meta para os palestinos era de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão a mais por ano. Apesar das altas quantias de ajuda nos últimos anos, as condições econômicas deterioraram e grande parte do financiamento foi considerado desperdiçado. Os doadores se queixaram de práticas contábeis inadequadas.

Uma grande parte do financiamento nos últimos anos foi destinado não para o desenvolvimento, mas para ajudar a Autoridade a pagar sua folha de pagamento de 130 mil funcionários --um grande programa de empregos que tem salvado da miséria mais de um milhão de palestinos.

Os doadores estão cada vez mais descontentes por grande parte de seu dinheiro ter sido destinado para manter a Autoridade Palestina à tona, e não a melhorias econômicas de longo prazo, mas disseram que Fayyad instituiu reformas melhorando a coleta de impostos e transparência.

"Ele adotou várias medidas estabelecendo um maior controle das finanças públicas", disse Nigel Roberts, o diretor do Banco Mundial para Cisjordânia e Gaza.

"Mas os doadores também são capazes de ver que todos os seus gastos ao longo dos últimos quatro anos produziram muito pouco, e querem exercer alguma influência na situação."

Fayyad disse que o levante palestino dos últimos quatro anos e a resposta israelense, enviando forças por toda a Cisjordânia e Faixa de Gaza, se combinaram para devastar a economia.

"Nós temos tido uma existência precária, todo tipo de dívidas, pagamentos atrasados, uma existência miserável", disse ele. "Nós temos nos preocupado tanto com a administração do dinheiro que tem sido muito difícil nos concentrarmos em nossa infra-estrutura econômica."

Os doadores europeus e árabes provavelmente pedirão aos Estados Unidos que dêem mais atenção às suas posições nas negociações de paz, já que exigem maior participação em troca do aumento das contribuições.

Em campanha

Os palestinos já começaram a cortejar os países árabes em busca de dinheiro. Nesta semana, Fayyad tem acompanhado Mahmoud Abbas, que sucedeu Arafat como presidente da Organização pela Libertação da Palestina e está percorrendo os países do Golfo Pérsico, sendo que alguns deles não cumpriram promessas anteriores.

Fayyad e Abbas, o principal candidato para a presidência da Autoridade Palestina, estão argumentando que os países árabes podem ser mais generosos devido aos altos preços do petróleo. Em um gesto importante para um país doador, Abbas pediu desculpas aos líderes do Kuwait pelo fracasso de Arafat de condenar a invasão do Iraque ao país deles em 1991.

"Se você tiver tais coisas preparadas, mais uma governabilidade interna melhorada pelos palestinos, então é possível ir legitimamente até a comunidade de doadores e dizer: 'Talvez seu US$ 1 bilhão por ano não tenha produzido muito, mas nós achamos que há um argumento para fazer ainda mais nos próximos três ou quatro anos", disse Roberts, do Banco Mundial.

"Isto exigirá um enorme esforço da comunidade de doadores", disse ele, acrescentando que, apesar de os palestinos terem instituído muitas reformas, muitas mais são necessárias para estabelecer o governo da lei e eliminar os subornos e corrupção.

Quanto ao grande número de barreiras e bloqueios de estrada israelenses na Cisjordânia, o governo Bush há muito tempo vem pressionando Israel para removê-los para facilitar a realização das eleições, marcadas para 9 de janeiro. Mas os líderes israelenses planejam fazê-lo por apenas um período de três dias antes da eleição.

Um alto funcionário do governo Bush disse que as tentativas de Abbas de negociar um cessar-fogo dos grupos militantes palestinos durante o período de campanha foram bem-recebidas, mas que devem ser seguidas por uma repressão genuína após as eleições.

"Cessar-fogos não são a resposta", disse o funcionário. "Mas se os israelenses reagirem ao cessar-fogo palestino aliviando as condições, e os palestinos reagirem a isto assumindo o controle da segurança, é possível ter um tipo de círculo virtuoso capaz de ser visto como um passo à frente."

Alguns líderes europeus, antecipando uma maior influência à medida que aumentar o financiamento europeu aos palestinos, estão pressionando Israel e os palestinos a começarem a negociar mais do que segurança e bloqueios de estrada. Eles querem o início das negociações de questões difíceis como Jerusalém, as fronteiras de um Estado palestino e o status dos refugiados.

Mas o governo Bush e o governo de Sharon querem que estas questões sejam deixadas de lado até que os palestinos demonstrem maior progresso no combate ao terrorismo.

"Nós estamos tentando manter uma frente unida com os europeus", disse um alto funcionário do governo, "e eu acho que fomos bem-sucedidos nisto. Nós podemos obter uma solução mantendo nossos olhos concentrados em metas realistas e não falando sobre torta no céu." EUA e União Européia vão pagar pelo menos US$ 600 por pessoa George El Khouri Andolfato

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