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18/12/2004

Bush governa os EUA cercado por incompetentes

The New York Times
Bob Herbert

Em Nova York
NYT Image

Bob Herbert é colunista
A Casa Branca parece ter rompido os limites da simples negação e entrado no perturbador terreno da completa alucinação. Na última terça-feira (14/12), o presidente Bush condecorava George Tenet com a mais importante ordem outorgada a um civil, a Medalha Presidencial da Liberdade.

Tenet é o ex-diretor da CIA que dormiu em serviço até o 11 de setembro, e que prestou um grande desserviço ao presidente e à nação quando declarou que era fato garantido que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa.

Esse foi um erro de julgamento fatal.

Outra Medalha da Liberdade foi outorgada a Paul Bremer 3º, o principal administrador civil da ocupação americana, que tomou a decisão duramente criticada de dissolver o exército iraquiano derrotado, e que governou o país numa situação de segurança cada vez mais calamitosa. Milhares e mais milhares morreram nessa guerra desnecessária e tão incompetentemente conduzida, e aqui ainda vemos o presidente entregando medalhas, como se algum tipo de triunfo tivesse sido efetivamente conquistado.

Se esses caras conseguiram ganhar a mais alta condecoração civil, que honraria restará para quem realmente faz um bom trabalho?

Uma terceira medalha foi concedida ao general Tommy Franks, condutor da invasão do Iraque, chamada por Bush, em seu jeito tão peculiar, de um "catastrófico sucesso". Essa é uma expressão interessante. Tanto que algumas pessoas já a utilizaram para caracterizar o próprio esforço para a reeleição do presidente.

Segundo os padrões normais de qualquer um, coisas terríveis estão acontecendo no Iraque. E não há quantidade de auto-congratulações em Washington que apague o horror que está sendo submetido aos soldados americanos ou que apague a infindável agonia do povo iraquiano.

A desconexão entre o mundo de fantasia da Casa Branca e o mundo de Guerra no Iraque foi ilustrada de forma contundente pelas duas matérias de capa de The New York Times no dia 10 de dezembro.

A matéria no alto da página dizia, em sua manchete: "De novo é hora da Posse, e o acesso à Posse ainda tem o seu preço --US$ 250 mil podem comprar um almoço com o presidente e ainda mais".

A manchete logo abaixo, na mesma página, dizia: "Escassez de blindagem para caminhões pesados que transportam carregamentos americanos no Iraque".

Esse atual governo americano tem muitas coisas em mente além do bem-estar de seus fuzileiros sobrecarregados e mal equipados, enfrentando bombas e atiradores no Iraque.

Além da cerimônia de posse, que irá custar dezenas de millhões de dólares, Bush está ocupado com sua campanha obsessiva contra "processos legais frívolos e baratos", com seu esforço em suavizar o fardo de impostos para os indivíduos e empresas mais ricos da nação, e com sua campanha no sentido de cortar as pernas ou os fundamentos do avanço mais glorioso do New Deal do presidente Roosevelt,a Previdência Social americana.

Chega de prioridades americanas em tempo de guerra.

Até a segurança doméstica sofre. Durante a convenção Republicana, Bush disse: "Eu acordo todas as manhãs pensando em como proteger melhor o nosso país". Tente juntar essa declaração com o fiasco no caso Bernard Kerik, em que a checagem, feita pelo governo, do passado de seu candidato ao mais importante cargo na segurança doméstica da nação foi conduzida com a mesma calamitosa incompetência que vimos no trabalho da inteligência que resultou na guerra no Iraque.

O escolhido por Bush (seguindo um pedido do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani) para a secretaria da segurança interna não passava de um personagem escorregadio, que já escapuliu de uma investigação requisitada pelo FBI, teve relacionamento social com um empresário suspeito de ter ligações com figuras do crime organizado e que alugou um "ninho de amor" com vista para as ruínas do World Trade Center.

"Eu não sou perfeito", estava numa manchete próxima ao retrato de Kerik na edição de terça-feira (14/12), do jornal "New York Post".

Você só fica imaginando, com tanta coisa acontecendo, onde procurar, nessa constelação de Bush, pelo cuidado e competência exigidos pelo momento atual.

Colin Powell já está saindo, e será substituído por Condoleezza Rice, que se esforçou para petrificar a nação com um papo furado sobre nuvens de cogumelo. Dick Cheney ainda quer que a gente acredite numa ligação entre Saddam Hussein e a Al-Qaeda.

O homem que liderou a investigação interna sobre Bernie Kerik, o conselheiro da Casa Branca Alberto Gonzales, foi também figura-chave no esforço do governo em escapar dos limites determinados pelas Convenções de Genebra, até mesmo para justificar a tortura.

Gonzales é um favorito do presidente, que já o indicou para ser procurador-geral e que poderá um dia indicá-lo para a Suprema Corte.

Quem quer medalhas? O presidente pode estar realmente acreditando que essa turma é o que os Estados Unidos têm de melhor e mais brilhante --o que é uma idéia perturbadora. Presidente convida e premia gente que presta desserviços à nação Marcelo Godoy

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