UOL Notícias Internacional
 

18/12/2004

Ex-prefeito Rudy Giuliani continua forte para 2008

The New York Times
Jennifer Steinhauer

Em Nova York
No último ano, nova-iorquinos viram impressionados Rudolph W. Giuliani tornar-se a estrela brilhante do Partido Republicano, o qual é muito mais conservador do que ele próprio. Quanto mais se aproximava do governo Bush, mais parecia se afastar de sua história pessoal e política na memória dos moradores da cidade.

Na semana passada, seu sócio Bernard B. Kerik desistiu da nomeação para secretário de segurança da pátria, e Giuliani teve que pedir desculpas à Casa Branca. Dessa forma, os nova-iorquinos lembraram do prefeito genioso que tiveram nos anos 90, muito antes de se tornar símbolo da força americana.

Muitos na cidade passaram a semana conversando sobre a primeira fissura na armadura de Giuliani após 11 de setembro e imaginando como sua defesa de Kerik poderia prejudicar seu futuro político.

No entanto, a fama de Giuliani continua brilhante pelo país. Grande parte dos Republicanos parece pouco preocupada com os infortúnios de Kerik ou como poderiam ser um problema para o futuro político de Giuliani. Alguns simplesmente vêem o problema como de Kerik, e são muito menos interessados no assunto do que os nova-iorquinos.

"Ele era próximo de Kerik, com certeza, mas o que isso significa? Será que significa que era responsável por tudo que Kerik fazia ou pensava? Não vejo nada de negativo" para Giuliani nessa questão, disse Spencer Jenkins, diretor executivo do Partido Republicano no Estado de Utah.

Uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac, com 1.529 eleitores registrados, divulgada na quinta-feira (18/12), revelou que 45% dos entrevistados ainda queriam que concorresse à presidência, e 68% dos Republicanos.

O grupo que ficou mais revoltado com Giuliani por sua defesa de Kerik foi o conservador, uma força potente dentro do partido, já perturbada com suas opiniões sociais liberais. Entre esses eleitores, tão vitais para a reeleição do presidente Bush, o incidente Kerik ressaltou as dificuldades que Giuliani enfrentará se decidir concorrer ao cargo nacional.

Muitos da direita do partido, que já se inquietam com as opiniões de Giuliani, insistem que seu charme é parecido com o de uma estrela de rock --é sexy, mas não tem futuro-- e vêem o assunto atual como a gota d'água.

"A questão passa a ser: como ele se encaixaria na pluralidade de opiniões dos Republicanos, e a resposta é... não muito bem. O assunto Kerik não ajuda. Realmente evidenciou o que as pessoas não gostam em Rudy, o fato de não ser cuidadoso com muitas coisas. Muitos passam a se perguntar que tipo de análise ele faria se estivesse na posição de fazer essa decisão", disse David A. Keene, diretor da Associação Conservadora Americana.

Em entrevista nesta sexta-feira, Giuliani admitiu que não tinha idéia de como a implosão espetacular de Kerik o afetaria. "Acho que é cedo para dizer", disse Giuliani. "Se voltasse para a política de forma direta, aí sim descobriria". Ele acrescentou: "Pode-se especular de uma forma ou de outra."

O hábito de Giuliani de confiar e dar poder a pessoas próximas a ele, mesmo quando outros viam a possibilidade de problemas, e depois ficar ao lado deles sob o fogo foi um marco de seus oito anos no cargo.

Em 1998, Giuliani nomeou Russell Harding, filho do líder do Partido Liberal, para a presidência da Corporação de Desenvolvimento de Habitação. Ele defendeu sua decisão apesar de Harding não ter terminado o colégio nem ter experiência em habitação ou finanças.

Neste ano, Harding se disse culpado de fazer alegações falsas a investigadores, sobre um veículo comprado por US$ 38.000 (em torno de R$ 114.000) em fundos da prefeitura que ele usou para propósitos pessoais.

Giuliani nomeou JoAnna Aniello, mãe de Anthony V. Carbonetti, seu chefe de gabinete, como vice-diretora do Departamento de Habitação, apesar de uma de suas divisões ter sido investigada nos anos 90, depois de uma série de incêndios em escadas de prédios públicos de habitação. Giuliani, então, em suas duas últimas semanas no cargo, nomeou-a para um cargo lucrativo no conselho da prefeitura, uma jogada que o atual prefeito Michael R. Bloomberg descobriu após tomar posse.

Os erros do prefeito foram relembrados entre os muitos críticos Democratas nesta semana, em uma onda de especulações que tornou suas dificuldades com a Casa Branca o assunto do circuito de festas da cidade.

"A narrativa de Rudy Giuliani agora é de herói de 11 de setembro", disse Mark Green, ex-defensor público e inimigo de longa dada do ex-prefeito.

"Esta é a primeira vez, em três anos, que a imprensa apresenta uma história que questiona de forma plausível a integridade da equipe de Giuliani."

E Giuliani, gosta de ser assunto das festas?

"Boa pergunta, que não vou responder", disse Green.

Desde que deixou o cargo, Giuliani tem tido incrível sucesso em atrair clientes para sua firma de consultoria em segurança, Giuliani Partners, e ganhar proeminência no Partido Republicano nacional, em grande parte por falar com autoridade sobre questões de segurança nacional e evitar conversas sobre questões sociais.

A base de clientes de sua empresa, com certeza, agora está firme. Assessores de imprensa de nove de seus clientes disseram em entrevistas que ficariam felizes em continuar fazendo negócios com a Giuliani Partners.

"O trabalho que fizeram para nós é bastante impressionante", disse Larry Gottlieb, porta-voz da Entergy Nuclear Northeast. No entanto, um diretor de uma empresa que trabalha com Giuliani disse que esperava que o papel de Kerik fosse marginal na sociedade.

Na sexta-feira, Giuliani disse que não tinha planos de remover Kerik e que seus clientes o tinham assegurado que ainda consideravam seus serviços valiosos.

"A situação Bernie Kerik realmente se relaciona com uma série de questões que ele deve responder, mas não afetam nossos negócios", disse ele. Se os clientes tiverem preocupações com Kerik, acrescentou, "isso é algo que converso com eles confidencialmente para avaliar" quais são.

Dois especialistas, entretanto, disseram que o incidente pode assustar novos clientes. "O dano potencial em alguma coisa como essa é sua habilidade de atrair novos negócios. Acho que é uma crise significativa para uma empresa de consultoria como essa, que se concentra em questões de valores de liderança e integridade", disse James Fisher, diretor do Centro de Negócios Emerson, da Universidade de St. Louis. Renúncia de sócio parece não ter prejudicado o projeto presidencial Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    13h59

    -0,37
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    14h00

    -0,12
    65.196,06
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host