UOL Notícias Internacional
 

22/12/2004

Editorial: Plano de Rumsfeld para o setor de inteligência é péssimo

The New York Times
The New York Times
De todas as más idéias que ouvimos durante o assim chamado debate do Congresso sobre a reforma da inteligência, nenhuma foi tão terrível quanto um novo plano a ser desenvolvido pela equipe do secretário de defesa Donald Rumsfeld para de fato expandir a autoridade do Pentágono sobre o setor de inteligência.

Aparentemente, Rumsfeld não fica satisfeito em controlar 80% do orçamento de inteligência, uma situação absurda que teria sido remediada pelo projeto de lei de inteligência se o Congresso não tivesse cedido ao lobby do Pentágono. Em sua mais recente apoderação de poder, o Departamento de Defesa quer entrar no setor mais tradicional de coleta de dados de inteligência, atualmente responsabilidade da Agência Central de Inteligência.

Um artigo de Douglas Jehl e Eric Schmitt no Sunday Times dizia que o projeto dá ao Pentágono mais "missões de inteligência humana". No jargão militar, isso quer dizer espionagem feita por pessoas, em vez de satélites, para conseguir informações necessitadas por civis e não por generais. O plano do Pentágono é se concentrar em grupos terroristas e outros envolvidos na proliferação de armas.

Isso seria ótimo para os propósitos de expandir o império de Rumsfeld, mas vai contra todo o raciocínio por trás da reforma da inteligência e das sugestões da comissão de 11 de setembro que a inspirou. A sabedoria das reformas está em tornar a rede de espionagem do país mais coerente e não mais desorganizada. Já é uma tarefa sobre-humana coordenar a CIA e o FBI. A criação de mais uma agência no Pentágono poderia apenas dificultar a antecipação de outro ataque como o de 11 de setembro de 2001.

Além disso, há algo ainda mais estranho na proposta: a idéia de "lutar pela inteligência" ou usar operações de combate com o objetivo de recolher dados. Se o país aceita a justificativa do uso de força militar simplesmente para descobrir o que há do outro lado, ele se abre a uma série de ataques preventivos potencialmente desastrosos. Já vimos como a idéia funcionou quando as tropas americanas invadiram o Iraque, para descobrir se Saddam Hussein de fato tinha armas perigosas.

As Forças Armadas americanas existem para executar políticas estabelecidas pelos líderes civis do país. A comunidade de inteligência deve prover a esses mesmos líderes as melhores informações possíveis para suas decisões. Misturar essas missões é uma receita para o desastre.

A última vez que Rumsfeld tentou forçar sua entrada no setor de coleta e análise de dados criou uma butique da CIA no interior do Pentágono, sob o comando de Douglas Feith, subsecretário de defesa. O escritório essencialmente fabricou o elo entre Saddam e Osama Bin Laden -uma ligação que justificou a invasão do Iraque e que não foi enviada a Rumsfeld pela CIA.

O responsável pelo novo projeto é o general William Boykin, subsecretário-adjunto de defesa que, ao dirigir a caçada fracassada a Bin Laden, tornou-se uma desgraça nacional, apresentando-se em púlpitos da igreja em seu uniforme para pregar que terroristas islâmicos só poderiam ser derrotados "se os perseguirmos em nome de Jesus". Ele disse certa vez que os muçulmanos veneram "uma estátua".

O artigo do Times disse que o projeto do Pentágono ainda estava em fase de desenvolvimento e que ainda não tinha sido levado ao presidente. Esperamos que isso signifique que ainda há tempo para evitar esse desastre. No entanto, em geral, Bush nunca mostrou grande inclinação para negar a Rumsfeld o que ele quer.

Rumsfeld foi responsável por organizar uma força de invasão pequena demais e com armas leves demais para combater a insurgência extremamente previsível no Iraque. Inexplicavelmente, ele sobreviveu à renovação do gabinete para o segundo mandato e às críticas duras de congressistas Republicanos. Na segunda-feira (20/12), Bush disse que o secretário de defesa estava fazendo um "bom trabalho". Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host