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22/12/2004

Sindicato dos humoristas? Imagine as reuniões

The New York Times
Jesse McKinley

The New York Times
Um humorista entra em um bar, realiza sua apresentação e mesmo assim não consegue alimentar seus filhos. Ou os bichinhos de estimação. Ou os bichinhos de estimação de seus filhos. Então, o que ele faz? Ele arruma um advogado, forma uma coalizão e ameaça uma greve.

Olá? Isto aqui está ligado?

É sério, pessoal, não dá para inventar estas coisas. Calejados por décadas de baixos salários e até mesmo baixa auto-estima, cerca de 300 humoristas de Nova York decidiram se unir para exigir dos clubes de humor da cidade um pouco de, bem, respeito. (Ah, e um pagamento melhor.)

Há duas semanas, o grupo, a Coalizão dos Humoristas de Nova York, enviou uma carta aos proprietários de 11 clubes da cidade reivindicando US$ 120 por uma apresentação de 10 a 20 minutos nos fins de semana, um aumento em comparação à média atual de US$ 60. Eles também querem um pequeno aumento nos preços nos dias de semana, que variam de US$ 15 a US$ 25 por apresentação, assim como pagamento de férias para humoristas regulares. Os mestres de cerimônia, que apresentam os artistas e interagem com a platéia ("De onde você é?"), ganhariam mais de US$ 200 por apresentação de fim de semana segundo os planos da coalizão, em comparação com a atual taxa do setor de US$ 75 a US$ 125.

"Os humoristas vem recebendo o mesmo salário basicamente desde 1985", disse Ted Alexandro, um dos fundadores da coalizão e um artista regular no circuito de humor da cidade. "E a renda que é gerada é ultrajante."

Em particular, Alexandro e seus colegas humoristas apontam para a prática dos clubes de cobrar couvert artístico e um consumo mínimo de dois drinques, uma política que torna quase impossível para o público de fim de semana escapar sem gastar pelo menos US$ 30 por pessoa. Os humoristas dizem que quando você adiciona apresentações especiais lucrativas para eventos corporativos, bailes e festas, os clubes ganham uma fortuna.

Os donos de clubes não têm tanta certeza. "É um mercado extremamente competitivo", disse Chris Mazzilli, o dono do Gotham Comedy Club na West 22nd Street. "Você tem clubes no centro distribuindo entrada gratuita e pegando pessoas nas ruas. Nós estamos cobrando US$ 15. Isto pode tornar as coisas mais difíceis."

Mas os humoristas dizem que os valores pagos pelos clubes da cidade empalidecem diante do que podem ganhar realizando apresentações mais longas em câmpus universitários ou se apresentando em outras cidades. "Eu poderia fazer 30 apresentações na cidade e ganhar US$ 800", disse Ben Bailey, um humorista de 34 anos com esposa e um gato. "Ou poderia trabalhar na estrada e fazer oito apresentações e ganhar US$ 2 mil. Não há comparação."

Muitos donos de clubes esperam que haja espaço para negociação, especialmente em um setor restrito onde platéias difíceis endureceram tanto proprietários quanto humoristas. Mazzilli, ele mesmo um ex-humorista, concordou em aumentar o valor para US$ 75 e se reunirá com a coalizão após o Ano Novo para ver se um aumento maior pode ser acertado. O Comedy Cellar, o venerável clube em Greenwich Village, aumentou o número de apresentações e também elevou o valor pago para US$ 75.

Cary Hoffman, dono do Stand Up New York, na West 78th Street, que paga US$ 60 por apresentação nos fins de semana, disse que ele também se reunirá com os humoristas, mas disse não saber quanto mais pode pagar. "A economia está me apertando", disse Hoffman. "Meu aluguel subiu, meu seguro subiu, tudo subiu. A única coisa que posso fazer é tentar encontrar alguma forma de ganhar mais dinheiro para permanecer viável."

Por sua vez, os humoristas dizem que a maioria dos donos de clube da cidade se ofereceu para conversar e Alexandro disse que os planos para uma possível greve foram suspensos por ora, a menos que ocorra um colapso nas negociações. (Plano de saúde? Ninguém nem mesmo cogita isto.)

Russ Meneve, outro fundador da coalizão e um regular em clubes como o Caroline's no centro e o Comic Strip no Upper East Side, disse que o aumento no pagamento básico é particularmente importante para os humoristas mais jovens, que ainda não se estabeleceram, e para os quais os US$ 10 adicionais por hora durante a semana não são brincadeira -é sério.

"Para humoristas mais jovens e em desenvolvimento, tal dinheiro representa muito", disse Meneve. "Mas acredite, também me será de ajuda." Comediantes de NY querem respeito (e mais dinheiro) George El Khouri Andolfato

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