UOL Notícias Internacional
 

23/12/2004

China vê promessa nos campos de petróleo do Canadá

The New York Times
Simon Romero

The New York Times
A sede da China por petróleo a trouxe às portas dos Estados Unidos.

As empresas de energia da China estão prestes a fechar acordos ambiciosos no Canadá, em esforços para obter acesso a algumas das reservas de petróleo mais desejadas na América do Norte. Os acordos poderão criar apreensão pela primeira vez desde os anos 70 no tradicionalmente tranqüilo relacionamento de energia entre os Estados Unidos e o Canadá.

O Canadá, a maior fonte de petróleo importado para os Estados Unidos, tem historicamente enviado quase todas suas exportações de petróleo para o sul por oleodutos, para ajudar a saciar a sede dos Estados Unidos por energia. Mas tal arranjo pode estar prestes a mudar à medida que a China, atualmente o segundo maior país consumidor de petróleo, emprega sua força para tentar garantir o petróleo que necessita, mesmo em locais como as frias florestas boreais do Norte em Alberta, onde o petróleo precisa ser extraído do solo pegajoso e arenoso.

"O mercado comprador da China mudaria nossa dinâmica", disse Murray Smith, um ex-ministro da energia de Alberta que foi nomeado neste mês para ser o representante da província em Washington, um novo cargo. Smith disse estimar que a Canadá poderá eventualmente exportar até 1 milhão de barris por dia para a China de exportações potenciais de mais de 3 milhões de barris por dia. "Nosso laço principal ainda seria com os Estados Unidos, mas isto nos daria múltiplos mercados e concorrência por um recurso valorizado", disse Smith.

Delegações de altos executivos das maiores companhias de petróleo da China têm feito visitas freqüentes nas últimas semanas aqui a Calgary, a agitada capital da energia do Canadá, para negociações de empreendimentos que enviariam o petróleo extraído das areias oleosas nos limites do norte da província de Alberta para os novos portos no Oeste do Canadá e por petroleiros até a China.

As empresas chinesas também estão considerando direcionar investimentos para as areias oleosas, comprando participação nos produtores existentes ou adquirindo empresas com licença para produção de petróleo na região. Ao todo, há quase meia dúzia de acordos em consideração, inicialmente avaliados em US$ 2 bilhões e potencialmente muito mais, segundo altos executivos das empresas de energia daqui.

Um acordo preliminar poderá ser assinado no início de janeiro. Um porta-voz do Departamento de Energia, em Washington, disse que seus membros estão monitorando as negociações, mas se recusou a fazer maiores comentários.

O apetite da China por petróleo canadense deriva de sua insaciável demanda doméstica de energia, que provocou um aumento de 40% na importação de petróleo na primeira metade deste ano em comparação ao mesmo período no ano passado. As tentativas da China de diversificar suas fontes de petróleo já levaram a vários projetos de exploração no exterior, em locais considerados na periferia da indústria global do petróleo, como Sudão, Peru e Síria.

Mas em Calgary, as negociações com a China se concentraram nas areias oleosas, uma fonte não-convencional mas cada vez mais importante de energia para os Estados Unidos. Os preços mais altos do petróleo tornaram recentemente os projetos de areia oleosas lucrativos, justificando os gastos com métodos não tradicionais para produção de petróleo a partir da areia. Operações de perfuração e mineração de grande escala são necessárias para sugar o piche viscoso chamado betume do solo.

"A China estava até o momento atrás dos frutos pendurados nos galhos mais baixos", disse Gal Luft, uma autoridade em questões de segurança de energia baseada em Washington, que está escrevendo um livro sobre a busca da China por suprimentos de petróleo ao redor do mundo. "Agora ela está entrando em outro nível de ambição, em locais como a Venezuela, Arábia Saudita e Canadá, que estão dentro da esfera americana."

A produção de petróleo do Canadá a partir do betume ultrapassou 1 milhão de barris por dia neste ano e deverá atingir 3 milhões de barris por dia em uma década. Grande parte da produção é exportada para o Meio-Oeste dos Estados Unidos. Tal fluxo colocou o Canadá à frente da Arábia Saudita, México e Venezuela neste ano como maior fornecedor de petróleo para os Estados Unidos, com exportações em média de 1,6 milhão de barris por dia.

Mesmo assim, há a percepção entre muitos na região de petróleo de Calgary de que a crescente indústria de energia do Canadá continua em segundo plano para a maioria dos americanos. Mas isto poderá mudar, disseram analistas e executivos do setor, se o Canadá começar a exportar petróleo para outros lugares.

"O acordo com a China poderá servir como um despertador para os Estados Unidos", disse Bob Dunbar, um consultor independente de energia daqui e que até recentemente acompanhava questões de petróleo no Instituto Canadense de Pesquisa de Energia.

Os executivos das empresas de energia e bancos de investimento em Calgary disseram que um acordo com os chineses poderá se materializar já no próximo mês. Ian La Couvée, um porta-voz da Enbridge, a segunda maior empresa de oleodutos do Canadá, disse que a empresa está negociando a oferta para uma companhia chinesa de uma participação de 49% no oleoduto de 1.150 quilômetros planejado entre Alberta, no Norte, e a costa noroeste da Colúmbia Britânica.

O projeto de oleoduto, que deverá custar pelo menos US$ 2 bilhões, enviaria até 80% de sua capacidade de 400 mil barris por dia para a China, com o restante sendo enviado para as refinarias da Califórnia. A Sinopec, uma das maiores companhias de petróleo da China, seria segundo executivos informados sobre as negociações a mais provável empresa chinesa no projeto.

Enquanto isso, uma companhia rival canadense de oleodutos, a Terasen, tem mantido suas próprias negociações com a Sinopec e com a Corporação Nacional de Petróleo da China sobre uma união de forças para aumentar a capacidade de um oleoduto existente até Vancouver. Richard Ballantyne, presidente da Terasen, disse ter fornecido quase uma dúzia de petroleiros neste ano para ajudar as refinarias chinesas a determinar sua capacidade de processar a mistura de óleo cru de Alberta.

"Há um interesse significativo até o momento, mas segundo nosso parecer, as refinarias deles ainda estão melhor adequadas para lidar com o óleo cru do Oriente Médio do que o nosso", disse Ballantyne. "Isto precisa mudar caso queiram diversificar suas fontes de petróleo." País está sedento por energia, não importa de onde for George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    10h09

    -0,10
    3,133
    Outras moedas
  • Bovespa

    10h20

    0,56
    76.403,30
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host