UOL Notícias Internacional
 

24/12/2004

Putin defende políticas duras e ataca o Ocidente

The New York Times
C.J. Chivers

The New York Times
MOSCOU - O presidente Vladimir V. Putin defendeu fortemente a aquisição da principal subsidiária da empresa petrolífera Yukos por uma empresa estatal russa. Ele também expressou profunda irritação com o apoio do Ocidente a manifestações populares em nações pós-soviéticas e o que ele descreveu como o uso de pesos diferentes para as eleições pelo Ocidente.

As observações de Putin, feitas em uma conferência com a imprensa anual para a época das festas, no Kremlin, foi de fato uma forte reafirmação de posições conhecidas. Também serviu para explicar as opiniões que estão tornando a Rússia cada vez mais autocrática neste ano. Apesar de manter uma postura calma, às vezes falando suavemente, as declarações de Putin foram marcantes pelo tom ácido.

O destino da Yukos foi um exemplo claro. A principal subsidiária da empresa, que já foi a maior e mais lucrativa da Rússia, foi leiloada por uma fração de seu valor no domingo, para uma firma desconhecida, e depois revendida para a Rosneft, que é do Estado. O preço final não foi revelado, e o processo continua coberto de mistério. Analistas da indústria caracterizaram as transferências como farsas do Kremlin.

Putin disse que as vendas foram perfeitamente justificadas e sugeriu que corrigiam erros anteriores. Ele não se dispôs a discutir que, em setembro, ele afirmara que a Rússia não tinha a intenção de nacionalizar a gigante de petróleo e prometera transparência.

"Vocês sabem bem como foram as privatizações no início dos anos 90; como muitos agentes do mercado, usando vários truques e às vezes violando as leis da época, tomaram propriedades do governo no valor de muitos bilhões", disse ele. "Hoje, o Estado, usando mecanismos de mercado absolutamente legais, está garantindo seus interesses. Considero isso normal."

Putin também fez ataques pessoais. Falando da juíza da Corte de Falências do Texas, que emitiu uma injunção na semana passada tentando bloquear o leilão da subsidiária da Yukos, Yuganskneftegas, deixou de lado qualquer pretensão de tato.

"Nem tenho certeza de que a juíza sabe onde é a Rússia", disse ele. Insultando-a, acrescentou que seu trabalho "não cumpre as regras de etiqueta internacional".

Putin também fez pouco do presidente Aleksander Kwasniewski, da Polônia, que ajudou a mediar o impasse político na Ucrânia, depois da eleição presidencial fraudulenta do dia 21 de novembro. Recentemente, Kwasniewski disse em uma entrevista que a Ucrânia livre da influência russa era melhor para os principais países do mundo.

Assumindo um tom grave, Putin sugeriu que Kwasniewski era um oportunista que bajulava o Ocidente. Ele observou que o presidente polonês, em sua juventude, trabalhara para interesses soviéticos como membro da ala jovem do Partido Comunista, o Komsomol.

"Nós, na Rússia, apesar de eu não pessoalmente, o conhecemos da época em que participava do Komsomol", disse Putin, que trabalhou na KGB. "Tenho a impressão que essa não é uma declaração de um presidente, mas uma afirmativa de um indivíduo que está procurando emprego, no final de seu mandato."

Mais tarde, Kwasniewski emitiu uma declaração que chamava as observações de Putin de "injustas".

"Este é o preço que a Polônia e eu pessoalmente pagamos por participar no acordo que resolveu a crise política na Ucrânia", disse.

Ao todo, foi uma tarde de desafios aos críticos ocidentais. Putin expressou irritação com o uso de dois pesos para as avaliações ocidentais das eleições em diferentes nações. Por exemplo, os críticos salientaram que as recentes eleições da Tchetchênia não foram confiáveis, em parte por causa dos conflitos. Por outro lado, os EUA pretendem prosseguir com as eleições no Iraque ocupado.

Ele também criticou os levantes em nações pós-soviéticas, como ocorreu na Geórgia em 2003 e na Ucrânia no outono. "A coisa mais perigosa é criar um sistema de revoluções permanentes", disse ele. "As pessoas devem se acostumar a seguir a lei."

Mesmo assim, em certos momentos, sua postura foi cuidadosamente calibrada, mostrando sinais de que Putin aparentemente decidira quem deveria evitar confrontar de frente. Muitos políticos russos, inclusive vários próximos a ele, acusaram os EUA de subscreverem e estimularem as manifestações na Ucrânia. Mas Putin mostrou satisfação com o relacionamento da Rússia com os EUA, dizendo que as duas nações estão cooperando na luta contra o terrorismo e no esforço de não-proliferação nuclear.

"Eu diria, sem exageros, que nossa relação não é de parceiros, mas de aliados", disse ele. "Por trás de todas essas coisas do momento, coisas semi-escandalosas ou simplesmente fatos que atraem a atenção do público por causa de questões técnicas, eu os instaria a não esquecer essas coisas fundamentais que estão na base de nossas relações com os EUA."

Ele expressou claramente sua satisfação com o presidente Bush. "O próprio Bush, em minha opinião, é um homem muito decente e consistente", disse ele. "Dissemos repetidamente em público que nossas opiniões não coincidem sempre, mas confio plenamente nele como parceiro."

Putin raramente aparece em público por períodos extensos, e o acesso dos jornalistas ao presidente é limitado. Na quinta-feira, às vezes ele parecia apreciar essa rara oportunidade de trocas. Mesmo quando estava expressando irritação ou desgosto, ou quando fazia comparações diretas que desafiavam a credulidade -por exemplo, traçando um paralelo entre os abuso das eleições na Ucrânia com o que ele chamou de intimidação dos eleitores na eleição presidencial nos EUA -ele parecia confortável e relaxado.

Depois de uma hora e 45 minutos, um assessor tentou terminar a conferência, mas Putin prosseguiu, chamando os jornalistas ele próprio. Depois de duas horas e meia, o presidente russo disse que responderia as cinco últimas questões. E respondeu outras 11. Presidente russo demonstra irritação com países ocidentais Deborah Weinberg

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