UOL Notícias Internacional
 

26/12/2004

Cuba responde à prostituição com programas anti-Aids

The New York Times
James C McKinley Jr.
Em Havana
Como muitas prostitutas que exercem seu ofício nas boates e bares escuros próximos dos hotéis daqui, Maria disse que não sai toda noite. Mas sempre que falta dinheiro e seu filho de 12 anos sente fome, ela coloca uma minissaia vermelha, passa batom vermelho nos lábios e segue para o bar El Conejito, um ponto de encontro pouco disfarçado.

Adriana Zehbrauskas/NYT
Maria, 36, que afirma usar camisinha com os clientes e diz ter aprendido sobre Aids através de um programa governamental
"A maioria dos turistas vem à procura de garotas, sabe como é, de coisas que não podem fazer em seus países", disse ela. "Eles dizem que as garotas cubanas são demais."

Maria, que tem 36 anos e insistiu para que seu sobrenome não fosse publicado, disse temer contrair Aids e que força seus clientes a usarem preservativos, sempre. Ela é bem informada sobre a doença, tendo aprendido sobre ela por meio do programa do governo de combate à Aids.

Cuba se tornou uma espécie de anomalia na América Latina: um destino para turistas sexuais onde a Aids ainda não se tornou uma epidemia descontrolada.

O país tem a taxa mais baixa de infecção nas Américas, de menos de 0,1% da população, segundo a Organização Mundial de Saúde. A taxa de infecção nos Estados Unidos é seis vezes maior do que a de Cuba, e a taxa de Cuba é bem inferior a de muitos países vizinhos no Caribe e América Central.

Isso não quer dizer que a doença não está se espalhando em Cuba, e algumas pessoas não ligadas ao governo dizem que o crescimento da indústria do sexo tem contribuído para sua disseminação. Em 3 de julho de 1998, o governo cubano disse que 1.980 pessoas apresentaram teste positivo para o vírus que causa a Aids desde 1986. Desde 1998, mais 3.879 pessoas foram descobertas como sendo portadoras do vírus, segundo estatísticas divulgadas pelas autoridades de saúde; em apenas seis anos, o número de novos casos quase dobrou.

As autoridades de saúde cubanas reconheceram que o número de infecções cresceu, como na maioria dos países, mas disseram que a taxa geral ainda é bastante baixa para uma população de 11 milhões.

Por mais de uma década, o governo vem realizando uma intensa campanha pública de educação nas escolas e pelas emissoras estatais de rádio e televisão, promovendo o uso de preservativos e informando as pessoas sobre como o HIV, o vírus da imunodeficiência humana, é transmitido. O sistema de clínicas de atendimento primário gratuito em Cuba, um país comunista, também levou à detecção precoce do vírus em muitas pessoas, disseram autoridades cubanas e da ONU. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host